terça-feira, 24 de junho de 2008

A MÍSTICA DE UM ASSESSOR II


A MÍSTICA DE UM ASSESSOR II


Falávamos no primeiro artigo que a mística e a espiritualidade de um assessor da PJ não se dá apenas no trabalho pastoral, no trabalho em sociedade, mas preferencialmente na oração cotidiana. É a oração cotidiana que fortalece o caminhar do assessor.

Sem oração, o assessor não é nada.

No seguimento radical a Jesus de Nazaré, é preciso saber orar e orar sempre. Cada um no seu tempo , do seu jeito , irá fazendo esta ligação com o Pai. O caminho é árduo. Exige concentração, dedicação , despojamento e humildade: “ Fala, pois teu servo escuta” (1Sm 3,11).

A oração nos torna íntimos de Deus e da comunidade.

Um grande problema que identifico, hoje, com mais clareza do que a alguns anos atrás, com uma profunda reflexão e análise de causa: nas CEBS, na PJ: rezamos e oramos pouco. Acredito que deveríamos exercitar mais o nosso jeito de rezar. Por conta de inúmeros compromissos, às vezes, esta parte importante de nossa formação passa batida. É preciso carinho com ela.

Volto a repetir: oração é oração, nada mais!

Ao tentarmos viver profundamente a opção preferencial pelos pobres e pelos jovens, como sugeriu Puebla, e digo isso reconhecendo que fiz assim inúmeras vezes, se viveu, vivi, mais a ação do que a oração. O discurso era mais politizado , com um tom mais partidário do que participativo. O que fez muita gente se afastar da PJ por acreditar que a mesma fosse uma das tendências do Partido dos Trabalhadores, e fez com que vários bispos e padres proibissem ou barrassem seus projetos por pensarem desta forma.

Sabemos que a PJ sempre foi uma Universidade sem diploma, que levou muito de nós, a militarmos num partido político, acredito que não tenha sido a intenção de ninguém transparecer para a hierarquia e para as comunidades que este era o posicionamento da PJ que é uma pastoral social, comprometida com a defesa da vida e o desenvolvimento do protagonismo juvenil.

Não que estivéssemos totalmente errados, mas aconteceram inúmeros problemas de comunicação de ambas as partes, poderíamos dizer que a conjuntura levava a crer que bastava apenas a ação e um pouquinho de formação pastoral que tudo se resolveria...Pagamos um preço muito caro, como assessores, como membros e representantes dos grupos de base, das paróquias, das áreas, das dioceses e dos regionais.

Muita gente se afastou, se retiraram da Igreja, se isolaram no partido político, não acreditaram mais na proposta salvífica do Reino. Tudo bem, o contexto era outro, as pessoas eram outras. Mas, o Evangelho, não era o mesmo de hoje?

Não consigo permanecer calado por isso pergunto: a fraqueza das CEBS e da PJ é a falta de oração?

E por favor, aqui não está se colocando em questão o que os movimentos religiosos fazem ou dizem ou acreditam que seja oração .

Este meu ponto de vista vem carregado de preocupação que tem seu fundamento: não sabemos orar?

Fomos ou somos bons no trabalho social, na ação, mas enquanto pessoas que procuram escutar a Deus através da oração...Aí precisamos parar e refletir para então assumir algum trabalho ou continuar a caminhada!

E isso, em nosso ministério da assessoria não temos percebido ou não queremos perceber. Mas que é óbvio, isto é!

Tenho observado em muitas reuniões, dentro da estrutura da PJ, o descaso, a rapidez, a pressa, a desorganização, a falta de silêncio, em alguns casos até o não fazer a oração .

Tenho observado em muitas reuniões, quando se reza o Ofício Divino das Comunidades, não se tem cuidado em colocá-lo dentro do tempo litúrgico, não há uma preparação prévia; o resultado é terrível.

Sinceramente, acredito que a reunião está fadada a fracassar e todas as pessoas ali reunidas saírem estressadas e magoadas.

Quando se lê um texto bíblico, por exemplo , não está se vivendo o que está sendo proclamado , portanto, não se transmite para os outros que escutam que é o próprio Jesus que nos fala. Isso é lamentável.

E nós, assessores, muitas vezes permanecemos insensíveis a tudo isto; muitas vezes deixamos o barco correr solto, empurramos com a barriga. Neste serviço que procuramos prestar, se faz necessário sugerir que tais ações dentro de uma reunião, começando, ou no meio e ou terminando, são belíssimas e são expressões deste Deus que se faz jovem, só acontecem em sua totalidade se forem antes de tudo preparadas com toda solenidade que merece e acima de tudo com todo amor.

É nossa obrigação dar este toque, quando isto acontece de forma que ninguém saia magoado.

Infelizmente, muitos assessores ainda não despertaram para a importância da oração cotidiana .

É comum em nossos discursos e explanações sobre a teologia da libertação, sobre a Espiritualidade da Libertação, que precisamos lutar para que a sociedade mude, que precisamos reivindicar nossos direitos enquanto cidadãos... Tudo isto é importantíssimo! Mas não atuaríamos melhor se tudo que acreditamos, fosse colocado nas mãos de Deus através da nossa oração comunitária também?

E que no silêncio e na nossa humildade pudéssemos escutar dEle algumas pistas e sugestões de como adaptá-las a este tempo de agora, nesta Igreja que a cada dia fecha um pouco as suas portas ao progresso pastoral e eclesial proposto pelo Concílio Vaticano II e que se volta para uma cristandade medieval.

Todas estas perguntas me faço cotidianamente. Toda esta argumentação apontada até aqui estão dentro do meu coração, me inquieta, me faz pesquisar e procurar uma resposta.

Temos uma enorme responsabilidade pela frente.

Somos seres humanos cabíveis de erros e acertos.

De todo coração , sei o quanto a oração ajuda a enfrentar as crises e os problemas que surgem durante a caminhada.

Acredito que as CEBS e a PJ possam se tornar de fato um novo jeito de ser Igreja não copiando o jeito dos outros rezarem, mas buscando em suas raízes, as características fundamentais de sua caminhada; entre elas estará a oração.

Oração que não aliena, mas que coloca a gente em contato com o Pai, com o Filho e com o Espírito Santo.

Abre a nossa visão para o mundo, para a Terra, fazendo-nos perceber o quanto somos amados e queridos, que somos dotados de inteligência para escolher proteger ou acabar com a vida. Oração é oração. Nada mais!

Que possamos conversar e debater um pouco mais nos grupos de assessores, junto às coordenações.

Um assessor que faz sua oração cotidiana tem coragem de dar a vida pelas causas do Reino nas causas do Povo .

Há três grandes virtudes que devem estar presentes em um assessor, sem que pra isso ele tenha que falar ou mostrar:

1a. DIAKONIA – o serviço humilde, discreto e silencioso, que faz por si o questionamento em relação à sociedade que oprime e exclue.

2a. KOINONIA – a comunhão com a juventude , com os pobres, sendo o menor entre eles.

3a. MARTÍRIA – doar a vida pela opção preferencial pelos pobres e pelos jovens, defendendo-a e anunciando-a sem medo, pois se há perseguição é por que se está no verdadeiro caminho.

São atitudes que são adquiridas com o caminhar junto à juventude, junto as comunidades. Se planto oração, colherei oração.

Espero que árvores frutíferas possam nascer e crescer.

Escutar é o verbo que mais se usa neste itinerário .

Escutar, escutar, escutar...

Você, assessor, já fez sua oração de hoje?

Sim ou sim?



Emerson Sbardelotti
Mestre em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo


BÍBLIA E LITURGIA: REFLEXÕES DA CAMINHADA III

BÍBLIA E LITURGIA: REFLEXÕES DA CAMINHADA III

"Mas o Senhor espera para ter piedade de vós, agüenta para se compadecer de vós porque o Senhor é um Deus reto: felizes os que nele esperam" (Is 30,18).

Foi numa assessoria sobre Liturgia Jovem, que a profecia de Isaías e a de João Batista chamou a atenção daquela juventude reunida em retiro.
Expliquei que nas leituras do tempo do Advento, Isaías é o personagem que apresenta textos messiânicos e escatológicos, que irão se complementar nos textos evangélicos referentes a João Batista, também personagem típico do Advento, uma vez que este fala e aponta o Messias (cf. Is 40,1-11; Lc 3,1-20).
A realização das profecias na história, aparece como desenvolvimento do desígnio da salvação na qual a chave é o Cristo. Assim, redescobrimos a centralidade de Cristo na história da salvação, ontem, hoje e amanhã.
Através da leitura atenta das Sagradas Escrituras, poderá se perceber e escutar os passos da Palavra que se aproxima da história da humanidade.
É em cada profecia realizada, é na fidelidade comprovada que se manifesta a fidelidade do Pai, o protagonista do Primeiro Testamento, aquele que Jesus vem revelar com a sua encarnação no Segundo Testamento e em nosso meio.
Uma jovem perguntou: - "Há uma ligação íntima entre Isaías, João Batista e Jesus?"
Respondi: - "Há! A profecia de João, a de Jesus, só fará sentido se for lida e inculturada a partir da profecia de Isaías; a profecia de um sendo ponto de chegada e de saída da profecia dos outros!"
O profeta Isaías é chamado de "protoevangelista" , pois, com seus oráculos anuncia os sinais dos tempos messiânicos; suas profecias revelam o rosto escondido do Ungido (Messias - palavra hebraica / Cristo - palavra grega = UNGIDO).
João Batista, o Precursor, aquele que vem antes para preparar o caminho, o último dos profetas, aquele que indica e mostra o Cordeiro que tira o pecado do mundo; aquele que recebe a resposta do Mestre à sua pergunta: - "És Tu aquele que devia vir ou devemos esperar outro?" e Jesus responde: - "Ide informar a João sobre o que ouvi e vedes: cegos recobram a visão, coxos caminham, leprosos são purificados, surdos ouvem, mortos ressuscitam, pobres recebem a boa notícia; e feliz daquele que não tropeça por minha causa" (Mt 11,1-6).
A partir das profecias na vida do povo, a liturgia do Advento desenvolveu na Igreja uma autêntica espiritualidade, que tem seu foco na espera do Senhor. Advento é a celebração alegre da espera do Senhor.
Encontramos no tempo do Advento algumas palavras chaves: "espera, esperança, atenção, vigilância, acolhida e partida".
A espera por Cristo deve ser aquela do(a) amigo(a) que há muito tempo não encontramos, não vemos!
O limite da espera é o encontro!
O limite do encontro é o abraço, o beijo fraterno!
Vem, Senhor Jesus!

Emerson Sbardelotti
Mestre em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

sexta-feira, 20 de junho de 2008

VELHO CANTOR DE BLUES

VELHO CANTOR DE BLUES

outro dia
numa rua qualquer
o velho cantor de blues
confunde a poesia
com o céu azul
a rouca voz
encanta a multidão
que atenta aos tropeços do mundo
ouve a profética canção
uma mensagem de paz
mensagem de amor
tudo em transformação
ao som de uma gaitas
e encontra a perfeição
num outro dia
num outro dia
canta o velho cantor de blues
confunde a fantasia
com o mesmo céu azul

Emerson Sbardelotti

segunda-feira, 16 de junho de 2008

OFÍCIO DIVINO DA JUVENTUDE

OFÍCIO DIVINO DA JUVENTUDE

O caminho percorrido:

Era dezembro de 1988, quando foi publicado no Brasil, pelas Edições Paulinas, hoje pela Paulus Editora, o Ofício Divino das Comunidades, o que vinha a ser uma versão popular da Liturgia das Horas para as Comunidades Eclesiais de Base. Uma das primeiras pastorais da Igreja Católica Apostólica Romana a rezar e a celebrar o Ofício Divino das Comunidades foi a Pastoral da Juventude, hoje, as outras Pastorais da Juventude (PJE, PJMP e PJR) experimentam deste banquete litúrgico-fontal.

Com tantos anos de caminhada, o Ofício Divino das Comunidades não é conhecido o bastante nos mais variados meios da sociedade e da Igreja.
Nasceu para as comunidades e se espalhou para todo o Brasil, mas falta ainda muita coisa a ser dita e vivida.

O Ofício Divino das Comunidades não é um livro, é sobretudo, um jeito novo de rezar, é um sopro anterior à própria Igreja, oriundo da oração e da experiência judaica: rezado com salmos, a liturgia com louvor e intercessão nas horas do dia (manhã / tarde).
O sol nascia = era a vinda do sol da justiça.
O sol se punha = entrega do trabalho para Deus.
Para os judeus-cristãos:
Pela manhã = a ressurreição.
Pela tarde = a memória, a paixão, a cruz de Jesus.

De forma simples, o Ofício Divino das Comunidades devolve ao povo o que dele foi tirado: a tradição da Igreja; a caminhada latino-americana de rezar com os pés no chão e a piedade popular.

O Ofício Divino das Comunidades é a oração dos batizados, não depende do ministro ordenado. Nele, o grande valor é a questão dos salmos: se não convivemos com os salmos, perdemos sua beleza litúrgica. Nos salmos cantamos para Deus. Jesus e seus amigos e amigas cantavam todos os dias os salmos. Os salmos eram a oração cotidiana daquele grupo e por conseguinte de todo o povo de Israel.

O Ofício Divino das Comunidades deve ser concebido como um útero: o útero de Deus.

Modo popular de rezar, modo de tornar o mundo a casa comum: a Pacha-Mama, onde estamos permanentemente na presença de Deus, que nos gera a cada manhã e tarde! Somos insistentemente criados e recriados por Deus.

E por falar no Ofício Divino da Juventude:

Nasceu em 2004, teve uma segunda edição em 2006 e agora em 2014 está em sua sexta edição e comemorando dez anos de sua criação. Foi organizado  por Cajueiro - centro de formação, assessoria e pesquisa em juventude, Fraternidade do Mosteiro da Anunciação do Senhor – Goiás – GO, Diocese de Goiás.
Além do Ofício Divino da Juventude você pode encontrar também um material didático para a capacitação e um subsídio musical do mesmo, fazendo o pedido pelo sítio: www.cajueiro.org.br ou pelo telefone: (62) 8285-4436.

Irmã Penha Carpanedo, capixaba, da Revista de Liturgia, uma das parteiras do Ofício Divino das Comunidades, me disse uma vez que o Ofício Divino pode ser rezado individualmente, sem nenhum rito. Entretanto, sendo uma ação litúrgica, tem um caráter marcadamente comunitário e celebrativo. O louvor de Deus se realiza na comunhão das irmãs e dos irmãos, por meio da Palavra e dos gestos simbólicos, por isso é interessante observar o sentido dos elementos que compõem o Ofício Divino:

CHEGADA

O Ofício Divino introduziu o elemento da chegada, para que cada pessoa disponha interiormente para o louvor, curtindo a presença do Senhor, reunindo o coração de modo que a oração comunitária se apoie na oração pessoal. O refrão meditativo ou o mantra neste momento, não pode ser mais um elemento que se introduz e que se usa de uma maneira mecânica. Ele é sugerido em função da oração pessoal que antecede o Ofício. O clima deste momento é estabelecido pelo silêncio e pela quietude. Não devemos passar mecanicamente do refrão meditativo à abertura ou transformar este momento num rito de abertura antes da abertura.

ABERTURA

O Ofício nunca começa com um comentário, nem com um cântico catequético. Começa com a Assembléia se colocando de pé e quem coordena entoa os versos bíblicos de invocação de Deus, convidando para o seu louvor e todos repetem.

RECORDAÇÃO DA VIDA

A liturgia celebra fatos, não celebra idéias. Não é reflexão de um tema, é memorial da história de Deus com seu povo. Na reflexão privilegiamos a atividade da mente que pesquisa, reflete, assimila informação, adquire conhecimento. No memorial, o objetivo é buscar o sentido da vida e da história, reanimar o coração, retomar o caminho da aliança com Deus. Sentar para recordar a vida, trazê-la de volta ao coração, partilhar lembranças e preocupações é ajudar a tornar a oração verdadeira.

HINOS

Não é um salmo, nem um cântico bíblico, ainda que inspirado na bíblia…é destinado ao louvor de Deus, expressando o sentido da hora, ou festa, ou tempo. São hinos da caminhada.

SALMO

Com os salmos a gente aprende a rezar ligado à história do povo de Deus, de ontem e de hoje, à luz do acontecimento maior, a páscoa de Jesus.

LEITURA BÍBLICA

O Oficio foi pensado para comunidades que não tem missa todos os dias. Se recomenda para todos os tempos a leitura do dia conforme o lecionário dominical e cotidiano.

MEDITAÇÃO

É tempo para deixar que a Palavra caia no coração mais profundamente e se encontre com a nossa experiência de vida. Não se trata de debater ou discutir, mas de acolher a Palavra do Senhor viva e atual. O fundamental na meditação é descobrirmos juntos a boa nova que nos vem por meio desta palavra e o que ela pede de nós.

CÂNTICO EVANGÉLICO

É costume antigo da Igreja cantar, no ofício da manhã, o cântico de Zacarias, ao despontar para nós o Sol da Justiça; à tarde, o cântico de Maria, dando graças ao Pai por sua manifestação na história, e, à noite, o cântico de Simeão, na grata e serena alegria de quem viu a salvação acontecer.

PRECES, PAI-NOSSO E ORAÇÃO

Alguém faz o convite e propõe a resposta, de preferência cantada. No final, todos recitam ou cantam o Pai-Nosso Ecumênico. Se concluem as preces como uma breve oração.

BÊNÇÃO

O Ofício se conclui com uma benção. Depois da benção, quem coordena despede a assembléia convidando a prolongar o louvor nos afazeres da vida.

Nos perguntamos: O que é brasileiro ou latino-americano no Ofício Divino?

Quanto ao conteúdo teológico – litúrgico, expressa:

a) O mistério pascal atuante na resistência dos pobres e em suas lutas por libertação social, política e cultural.
b) A aliança de Deus que fez opção pelos pobres.
c) A relação liturgia/vida (pessoal, comunitária, social).
d) A missão profética e sacerdotal do povo de Deus.
e) A dimensão cósmica e ecológica da fé.
f) A dimensão feminina em Deus
g) A igualdade entre homens e mulheres baseada no batismo.
h) A sensibilidade ecumênica e ao diálogo com outras tradições espirituais.

Quanto à expressão ritual:

a) Salmos e cânticos em linguagem verbal e musical popular.
b) Atenção a ritualidade (atitudes corporais, danças, ações simbólicas) – assume símbolos e gestos orantes da piedade popular (bandeira, beijar fita de santos, oferecer flores e velas…) e expressões celebrativas da Igreja da caminhada (cruz tosca representando a resistência de lavradores, terra, carteira de trabalho, carrinhos dos catadores de papel…).
c) Usa expressões afetivas, tanto na relação com Deus, como entre as pessoas participantes.
d) Valoriza o silêncio e cria espaço para a dimensão orante (fervor, devoção) e lúdico-contemplativa, própria do catolicismo popular (congadas, folias…).
e) No calendário, leva em conta os santos populares e os mártires da caminhada.
f) Une criatividade e tradição viva.

Quanto à organização eclesial e pastoral:

a) É espaço de oração comunitária, com a participação ativa de todos, alternativa para as rezas de antigamente e também às missas durante a semana.
b) É uma liturgia leiga, no sentido de que não depende da presença e presidência do clero.
c) Os ministérios são diversificados e partilhados ou assumidos em rodízio por homens e mulheres.
d) Leva em consideração a cultura oral do povo, pode ser organizada de tal forma que apenas uma pequena equipe coordenadora necessite acompanhar no livro.
e) Tem sido usado também, principalmente por ministérios leigos, em ocasiões pastorais como: encontros pastorais, bênção da casa, velório, visita a doentes…

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CARPANEDO, Maria da Penha. OS ELEMENTOS DO OFÍCIO DIVINO DAS COMUNIDADES. Apostila. São Paulo: 2003.
FACHIN, Teresinha. OFÍCIO DIVINO – ORAÇÃO DO POVO DE DEUS. Apostila, Vitória: 2003.
OFÍCIO DIVINO DA JUVENTUDE. 2ª. ed. Goiânia: 2006.
TAVARES, Emerson Sbardelotti. O MISTÉRIO E O SOPRO – roteiros para acampamentos juvenis e reuniões de grupos de jovens. Brasília: CPP, 2005.


Emerson Sbardelotti
Mestre em Teologia Sistemática pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

domingo, 15 de junho de 2008

EXPERIMENTAR DEUS

EXPERIMENTAR DEUS

Experimentar Deus no ar puro que entra no quarto.
Experimentar Deus nas dores da mulher durante o parto.
Experimentar Deus quando nada mais dá certo.
Experimentar Deus observando as sombras no teto.
E quem irá julgar o nosso futuro?
O presente já se tornou passado...
Seguiremos um caminho torto e errado,
no final um beijo de adeus.
Experimentar Deus saboreando o leite derramado.
Experimentar Deus no banheiro pelado.
Experimentar Deus quando se tem alguém ao lado.
Experimentar Deus no abraço apertado.
Experimentar Deus quando não se quer experimentar.
Experimentar Deus quando não se quer acreditar.
Experimentar Deus quando não se quer aceitar,
que somos humanos, apenas humanos.
Experimentar Deus na tristeza.
Experimentar Deus na canção.
Experimentar Deus rezando.
Experimentar Deus dormindo de vez.
E quando eu for embora,
levarei a lembrança daquelas que amo.
E quando eu for embora,
não olharei para trás.


Emerson Sbardelotti 

ESPIRITUALIDADE E MÍSTICA I

ESPIRITUALIDADE E MÍSTICA I

A Pastoral da Juventude trabalha a espiritualidade e a mística dos grupos de base a partir da realidade em que estão inseridos: uma realidade pé no chão!
O que diferencia a espiritualidade e a mística da PJ da dos Movimentos Religiosos?
Os Movimentos Religiosos trabalham a espiritualidade e a mística sem um compromisso com a realidade do grupo de jovens, com o que esteja acontecendo ao redor, é uma espiritualidade e mística de fora para dentro da Igreja, de portas fechadas!
A PJ trabalha a espiritualidade e a mística a partir da experiência do(a) jovem, na base, no bairro, no município, no estado, no país, no continente e no mundo, um abraço no Planeta Terra como ser vivente, leva em consideração tudo o que acontece ao redor, é mística e espiritualidade da libertação, começa de dentro para fora da Igreja, sempre de portas abertas, como nos pede sempre o Papa Francisco.

A palavra espiritualidade tem sua raiz na palavra ESPÍRITO (ruah - em hebraico - Gn 2,7).
A palavra mística tem sua raiz na palavra MISTÉRIO (mysterion - em grego - Mc 4,11; 1Cor 2,1.7; Cl 1,27; Ef 1,9).

Espírito e Mistério são palavras que se completam, e no nosso caso, estão estritamente ligadas ao Mistério Pascal de Jesus e ao Espírito Santo de Deus que nos impulsiona e encoraja na caminhada cotidiana, de conversão, de recuos e avanços.
Espiritualidade e mística, se não forem sentidas e bem usadas, se tornam fuga.
E o que mais acontece hoje em dia é a fuga.
A juventude se deixa induzir por várias correntes de pensamento, pela mídia, pelos Movimentos Religiosos a não mais assumir compromissos no campo político e social, em não mais defender a justiça e anunciar a vida. É uma juventude que prefere esperar no seu canto, alienada, erguendo e balançando as mãos, que outros jovens e até mesmo, os adultos, resolvam por eles, problemas que possam surgir, na maioria das vezes, transferem para Deus esta responsabilidade. É a fuga!

MAS AFINAL, ,O QUE É ESPIRITUALIDADE E MÍSTICA?

O teólogo Leonardo Boff parafraseando Sua Santidade, O Dalai Lama diz: "Espiritualidade é aquilo que produz dentro de nós uma mudança. O ser humano é um ser de mudanças..."

Tenho dito nos grupos em que presto assessoria que: "Mística é o fio condutor, uma linha invisível que une a memória e os sonhos, que une a história e a utopia, que une o passado e o futuro e que faz do presente uma grande festa. Uma grande celebração".

Seguindo os passos de Jesus, tento lançar as redes em águas mais profundas e ousando olhar para a frente, penso em um Programa de Espiritualidade e Mística que aborde:

PROJETO 01: FORMAÇÃO E VIVÊNCIA BÍBLICA E LITÚRGICA.

* Incentivar o uso da Bíblia (primeiro a de linguagem popular pastoral depois a de estudo).
* Realizar o método da Leitura Orante da Bíblia.
* Incentivar e fortalecer a formação sistemática, aproveitando as experiências.
* Realizar escolas, oficinas, encontros em parceria com entidades como o CEBI e a REDE CELEBRA.

PROJETO 02: EXPRESSÕES E VIVÊNCIAS DA ESPIRITUALIDADE E DA MÍSTICA.
* Celebrar a memória dos mártires e das lutas populares.
* Incentivar e valorizar o Ofício Divino das Comunidades (com grupos de jovens: Ofício Divino da Juventude).
* Preparar e realizar acampamentos juvenis inspirados em temas bíblicos.

PROJETO ESPECÍFICO:
PROJETO O1:
* Formação Litúrgica (incentivar a continuação das escolas litúrgicas e outras atividades: oficinas, cursos).

PROJETO O2:
* Formação Bíblica (divulgar e fortalecer as escolas bíblicas, organizar cursos referentes ao estudo de introdução ao Primeiro e Segundo Testamento, para iniciantes e para quem está na caminhada.

Mas quais são os passos para fazer um itinerário na espiritualidade e na mística da PJ?


* Primeiro passo: FAZER SILÊNCIO.
- O(a) jovem deve perceber que é no silêncio que Deus se revela a nós e nós nos revelamos a Ele; entender que ao calarmos nossas vozes interiores e exteriores, todo o nosso ser se cala e aguçam-se nossos sentidos na escuta daquele que vem.

* Segundo passo: PEDIR HUMILDEMENTE A AJUDA DO ESPÍRITO SANTO.
- É necessário pedir ao Pai que mande o seu Espírito. Pois, sem esta ajuda do Espírito de Deus, não é possível descobrir o sentido que a Palavra de Deus tem para o seu povo hoje.

* Terceiro passo: A LEITURA ORANTE DA BÍBLIA.
O(a) jovem deve subir os degraus:
- primeiro degrau: A LEITURA - o que o texto diz em si?
- segundo degrau: A MEDITAÇÃO - o que o texto diz para mim, para você?
- terceiro degrau: A ORAÇÃO - o que o texto me faz dizer a Deus?
- quarto degrau: A CONTEMPLAÇÃO - ver o mundo em que vivemos com os olhos de Deus, saboreando o jeito de ser e agir de Deus; o quanto Ele é bondoso e o que faz para nós.

* Quarto passo: A REZA DO OFÍCIO DIVINO DAS COMUNIDADES.

* Quinto passo: O CONTATO COM A LITERATURA ESPECIALIZADA SOBRE O TEMA .
- Indico algumas obras importantes para o crescimento pessoal e grupal:

BOFF,Leonardo. Espiritualidade - Um Caminho de Transformação. 2a. ed. Rio de Janeiro: Sextante, 2001.
BOFF,Leonardo, BETTO,Frei. Mística e Espiritualidade. 4a. ed. Rio de Janeiro: Rocco, 1994.
CASALDÁLIGA,Pedro, VIGIL,José Maria. Espiritualidade da Libertação. 4a. ed. Rio de Janeiro: Vozes, 1996.
CASALDÁLIGA,Pedro. Juventude com Espírito. São Paulo: CCJ, 1996.
___________________. Nossa Espiritualidade. São Paulo: Paulus, 1998.
GALILEA, Segundo. Caminho de Espiritualidade. São Paulo: Paulus, 1981.
GUTIÉRREZ,Gustavo. Beber em seu próprio poço. São Paulo: Loyola,2000.
SBARDELOTTI, Emerson. Espiritualidade da Libertação Juvenil. São Leopoldo: CEBI, 2015.
TAVARES, Emerson Sbardelotti. O Mistério e o Sopro - roteiros para acampamentos juvenis e reuniões de grupos de jovens. Brasília: CPP, 2005.

Emerson Sbardelotti
Mestre em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

VOAR



VOAR
(para Maurício Barros)

caminhando sozinho
por ruas desertas
chutando lata

tantas janelas abertas
a liberdade tem um preço
saber voar leva tempo
meu blues não tem idade
mas inunda o coração
com pequenos gestos
sorrisos e sinceridade
saber voar leva tempo
a liberdade tem um preço


Emerson Sbardelotti

Membro do grupo de assessores da PJ da Arquidiocese de Vitória do Espírito Santo
Autor de O MISTÉRIO E O SOPRO - ROTEIROS PARA ACAMPAMENTOS JUVENIS E REUNIÕES DE GRUPOS DE JOVENS. Brasília: CPP, 2005.
Autor de UTOPIA POÉTICA. São Leopoldo: CEBI, 2007.

JUNTOS

JUNTOS


Solo le pido a Dios,
que en los caminos de la Patria Grande,
sigamos juntos,
llorando, sonriendo, abrazando:
llevando dentro de nuestros corazones,
el toque de nuestras manos,
el cariño que insiste...a pesar de la distancia...
aumentar la saudade.
Solo le pido a Dios:
Gracias a la vida.

Emerson Sbardelotti Tavares
tradução e foto de Mayra Rodriguez (Guatemala)
3a. Jornada Ecumênica Internacional - Mendes/RJ, julho de 2005

BÍBLIA E LITURGIA: REFLEXÕES DA CAMINHADA II

BÍBLIA E LITURGIA: REFLEXÕES DA CAMINHADA II

"Pois andando e observando vossos lugares de culto encontrei um altar com esta inscrição: "AO DEUS DESCONHECIDO". Pois bem, eu vos anuncio aquele que venerais sem conhecer". (At 17,23)

Numa conversa descontraída, com alguns jovens da Prelazia de São Félix do Araguaia/MT, durante uma assembléia, em janeiro de 2003, discutíamos sobre o retorno do sagrado!
O sagrado retorna a partir de uma situação de desespero, depressão, fracasso, doença, morte, separação, amor não correspondido, corrupção, instabilidade político-econômica...crises...
É muito comum o sagrado aparecer com força, porque, na medida em que os dias e a história passam, e não trazem as respostas que queremos ouvir, começa a se apelar para o sobrenatural.
É a partir da crise da "pós-pós-modernidade" que os deuses retornam com imenso poder. Eles haviam sido banidos no começo do mundo moderno, com o Iluminismo; hoje porém, ressurgem com a força de águas represadas.
E aparecem deuses para tudo quanto é gosto!
As redes de televisão não cansam de mostrá-los todos os dias. Com o apoio da mídia surgem e crescem as catedrais do deus Consumo, e as catedrais do deus Mercado.
Deus retorna por alto, mas não é Deus que retorna, são os deuses. E aí é que está o problema! Deuses, no plural, costuma-se a equivaler a ÍDOLOS!
Nessa proliferação de deuses, qual é o Deus verdadeiro?
Diferentemente da Europa, aqui no Brasil, e na América Latina, o problema não é a falta de Deus, é o excesso de Deus.
Nós, dos grupos de jovens da PJ, no meio desse turbilhão de informações, por vezes destorcidas, nos sentimos como Paulo em Atenas, onde se tinha uma grande variedade de deuses; mas se tem o altar AO DEUS DESCONHECIDO!
É deste Deus que o apóstolo quer falar e que nós devemos falar sempre.
Porque deuses conhecidos são deuses feitos para nossa imagem e semelhança. Porque deuses conhecidos são deuses perigosos. Neles, os seres humanos transferem as suas responsabilidades. Quando se conhece muito a Deus, é sinal que deixou de ser Deus, passa a ser um mero produto em nossas mãos; o Deus verdadeiro é sempre desconhecido. É aquele que se descobre no sofrimento humano, é aquele que se descobre na observação da Natureza, do Outro; é aquele que se descobre quando se faz silêncio, pois no silêncio experimentamos o Deus desconhecido.
O Deus desconhecido não é o deus dos espetáculos e das soluções imediatas.
O Deus desconhecido de Jesus se sente vivendo a pobreza do povo nas causas do Reino.

Emerson Sbardelotti
Mestre em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

BÍBLIA E LITURGIA: REFLEXÕES DA CAMINHADA

BÍBLIA E LITURGIA: REFLEXÕES DA CAMINHADA

"Abriram-se os olhos e o reconheceram. Mas Ele desapareceu de sua vista" (Lc 24,31)


Num retiro para 150 jovens, falávamos sobre Mística e Espiritualidade da Pastoral da Juventude.
Um dos textos trabalhados foi o que fala do Caminho de Emaús.
Aquela juventude animada entrava em contato, a maioria pela primeira vez, com os degraus da Leitura Orante da Bíblia.
Individualmente, saíram para estudar o texto. No meio das descobertas e dúvidas, surgiu uma intrigante pergunta:
- "Para onde havia ido Jesus após desaparecer?"
O silêncio dominou o ambiente!
Alguns minutos depois, tímidas respostas foram aparecendo:
- "foi para junto de Deus!"- "foi para o céu!"- "foi para o paraíso!"- "foi ao encontro de Maria!"- "foi ao encontro dos discípulos!"- "voltou para a Galileia!"
Pude observar que tais respostas não saciavam o que o grupo estava sentindo. Aqueles corações se abrasavam.
Mas, a resposta ideal, ainda não havia sido dada.
Sugeri que todos(as) se levantassem e que de dois em dois caminhassem em silêncio, pelas dependências da casa, depois conversassem e meditassem sobre aquele trecho da leitura.
Ao retornarem, notei, que estavam muito emocionados(as) com a experiência e pedi que dessem a tão esperada resposta. Foi quando uma garota, uma das mais novas, com seus 14/15 anos, disparou:- "Jesus foi para dentro deles!"
Mais uma vez, o silêncio dominou o ambiente. Não se precisou dizer mais nada: os abraços e os aplausos falaram mais forte!
Jesus foi para dentro deles e para dentro de cada um de nós; nos anima a caminhar sempre!
Em nossas Comunidades Eclesiais de Base, em nossos grupos da PJ, ter esta clareza é estar no caminho que leva ao Reino. E este caminho passa pelo Inferno do Sofrimento Humano:
- a exclusão, a marginalização, a discriminação, a injustiça, a miséria e a fome.
Jesus mesmo, para chegar ao Pai, passou por este caminho, por isso cumpriu a missão pela qual viveu.
Não perder a dignidade e a coragem para lutar é sinal que verdadeiramente a Salvação está dentro de cada um de nós. Ter força para voltar e anunciar aos outros, tudo o que o Ressuscitado falou e fala durante a caminhada é colocar mais um tijolo na casa comum: a Civilização do Amor!
É ter esperança e acreditar que somos parte do terreno fértil da transformação que virá!

Emerson Sbardelotti
Mestre em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

sábado, 14 de junho de 2008

O VIAJANTE CAMINHONEIRO

O VIAJANTE CAMINHONEIRO

despedida sim,
mas tristeza não.
quem sabe o amanhã,
o que suporta o coração,
que diz sempre sim ou não,
para o amor ou a paixão.

se da vida nada tenho,
nada posso deixar aqui,
por que somos da terra um convênio,
na partida de todos,
os que vivem na esperança:
de encontrar um mundo novo.


é rebelde o tempo,
que nos desgasta a envelhecer,
e triste a recordar o passado,
quando tudo podemos,
é o hoje no futuro...
é só lembranças que guardamos
e o ecoar da negação,
que sozinhos terminamos.

por ser a sombra dos meus pensamentos,
é muito triste acordar,
mas as lembranças que ainda existem,
vivem no tempo a me acompanhar...
por ser a força do destino,
eu já não posso evitar essa cruz
de todo o caminho,
que a gente leva devagar.

e bem distante ele pára no posto,
seu corpo cansado pedindo para descansar,
se embala no travesseiro,
por ser o companheiro,
que no amanhã irá te despertar.

assim,
em lembranças e saudades...
que bate forte no peito...
o viajante segue sempre em frente,
no retorno a saudade
e a alegria por poder sempre retornar.
Clauzira Ghisolfi (minha madrinha)

* Autor da Foto: Warllem Soares

MORRER AOS POUCOS


MORRER AOS POUCOS *
(Letra e música: Emerson Sbardelotti)

estou morrendo aos poucos

minha carteira está no bolso

assinada não está

e o que importa? o que é que há?

os políticos e os ladrões

são todos da mesma laia

uns matam mais do que os outros

mas é sempre uma grande farra

estou sentindo fome

estou sentindo sede

já não tenho onde dormir

vendi minha rede

vendi minha enxada e o meu facão

e já faz tempo que a terra sangra

sou mais um a chorar

sou mais um a tombar no chão

no chão da impunidade

onde o rico tem razão

o Brasil é uma grande ilha

onde o pobre não tem perdão

estou morrendo aos poucos

mas já não sei o que mata mais:

a aids, a corrupção, o desemprego

ou a procura pela paz

paz ainda distante

alimentos estragados

no estoque nacional

pessoas passando mal

estou morrendo aos poucos

sem trabalho, com fome,

sem terra, sem casa,

minha dignidade some

* Autor da Foto (Crucificação): Warllem Soares

SONETO DO CHÃO

SONETO DO CHÃO *

desde que aqui cheguei

nunca abri mão do meu amor

pela vida, pelos pobres, pelo povo

posso ser um sonhador, nunca um bobo

bobo é aquele que se diz esperto

pois não quer a estrada mais longa

não quer servir e abraçar devagar

quer correr e chegar bem perto

para depois fugir ao invés de ficar

do lado dos despossuídos da nação

que com fome, caem pelo chão

chão encharcado de sangue inocente

chão que muito conheço bem

e que sempre tira o sono de alguém


Emerson Sbardelotti Tavares

Membro do grupo de assessores da PJ da Arquidiocese de Vitória do Espírito Santo
Autor de O MISTÉRIO E O SOPRO - ROTEIROS PARA ACAMPAMENTOS JUVENIS E REUNIÕES DE GRUPOS DE JOVENS. Brasília: CPP, 2005.
Autor de UTOPIA POÉTICA. São Leopoldo: CEBI, 2007.

* Autor da Foto (Pai de Warllem voltando de um dia de trabalho): Warllem Soares

O RIO CORRE SEMPRE PRO MAR


O RIO CORRE SEMPRE PRO MAR *

eu tenho um poder nas mãos:

eu sinto o perfume das manhãs,

eu sei votar, eu sou pé-no-chão,

eu sei ser um jovem cidadão!

a juventude está sendo enganada

por um sistema que exclui;

por um sistema que aliena;

por um sistema que mata

a mais doce esperança:

de um outro mundo possível,

do novo aqui e agora...

o mais doce sorriso de criança!

eu vejo a multidão que segue:

são com ovelhas sem pastor...

e todos os dias se criam deuses,

que pregam o dinheiro, - "não ao amor"!

eu vejo e não posso acreditar

que política e cidadania não sejam religião!

que a vida é menor do que a morte!

que o canto é heresia e abominação!

mas tenho no peito

a sábia loucura dos poetas:

o rio corre sempre pro mar...

esta deve ser a meta!


Emerson Sbardelotti

Membro do grupo de assessores da PJ da Arquidiocese de Vitória do Espírito Santo
Autor de O MISTÉRIO E O SOPRO - ROTEIROS PARA ACAMPAMENTOS JUVENIS E REUNIÕES DE GRUPOS DE JOVENS. Brasília: CPP, 2005.
Autor de UTOPIA POÉTICA. São Leopoldo: CEBI, 2007.

* Autor da Foto: Warllem Soares.

PENHA: MENSAGEM DA VIDA

PENHA: MENSAGEM DA VIDA *
(Letra: Emerson Sbardelotti / Música: Emerson Sbardelotti & Fabiano Martins)

Penha, vim aqui,

fazer uma oração!

Penha, toco sim,

a luta no violão!

(a vida no violão!)


crianças abandonadas

não entram nas escolas

meninas prostituidas

andam cheirando coca

João foi despedido

sem nenhuma explicação

Maria e os filhos em casa

não comem mais feijão

Tem ladrão no poder

que não consegue ver a luz

vai enganando o povo...

o rosto simples de Jesus

interceda por nós ó Mãe

pela divina criação...

isso é um canto sussurrado

praticando a salvação


* Autor da Foto de Nossa Senhora da Penha (imagem peregrina): Warllem Soares

VIDA DE CANTADOR

VIDA DE CANTADOR *

dizem que além do horizonte

o vento sopra sem cessar

e digo que aqui, dentro do coração

a Palavra ecoa sem parar

no silêncio escuto a Deus

e sinto todo o meu ser falar

na harmonia com a Terra

uma paz inquieta a brotar


e no caminho faço a missão

fazendo e deixando amigos

chorando, abraçando e sorrindo

e por não estar sozinho

vou enfrentando os perigos

e por carregar a minha cruz

vou seguindo Jesus


dizem que ser profeta

é não se calar

e lembro de Hélder, Paulo e Pedro

do barulho e da mansidão no olhar

e por ser poeta menor

humildemente cantando vou

histórias da cidade e do interior

histórias de vida de um cantador


Emerson Sbardelotti


Membro do grupo de assessores da PJ da Arquidiocese de Vitória do Espírito Santo

Autor de O MISTÉRIO E O SOPRO - ROTEIROS PARA ACAMPAMENTOS JUVENIS E REUNIÕES DE GRUPOS DE JOVENS. Brasília: CPP, 2005.

Autor de UTOPIA POÉTICA. São Leopoldo: CEBI, 2007.


* Autor da Foto do Padre Zezinho com Zé Vicente: Warllem Soares

AO CANTADOR DO SERTÃO DE ORÓS

AO CANTADOR DO SERTÃO DE ORÓS
(para Zé Vicente) *

25 anos de sonhos e cantoria.

faz tempo que bateu suas asas,

foi para o teatro e saiu do ninho.

25 anos em que a palavra é singela poesia.

25 anos de encontros e fantasia!

uma felicidade brotada

das entranhas de Suzana e Zezinho.

50 anos desfrutando a fé e a luta,

mesmo quando o canto só foi de lamento,

mesmo quando precisou seguir sozinho.

50 anos saboreando a vida,

mesmo quando o canto só foi de alegria.

e se o Brasil inteiro cantou e dançou,

é porque sua humildade e simpatia

a todos(as) contagiou e contagia!

simplicidade feita de mistérios,

acordes que expressam a cotidiana utopia.

sorriso que nos leva a dançar o baião...

é poesia profética germinando

por causa do Reino, do Povo e do Chão!

para serenar o coração:

mas, não há mais o que dizer...

as palavras se completam

com o som do seu violão...

tudo vem do amor,

o que há de fazer?

e se estas lhe fazem chorar ou sorrir,

é porque, com certeza,

nos encontraremos por aí...

a você, cantador do sertão de Orós:

um abraço apertado, um cheiro arretado...

deste poeta menor e de todos(as) nós!


Emerson Sbardelotti Tavares

Membro do grupo de assessores da PJ da Arquidiocese de Vitória do Espírito Santo
Autor de O MISTÉRIO E O SOPRO - ROTEIROS PARA ACAMPAMENTOS JUVENIS E REUNIÕES DE GRUPOS DE JOVENS. Brasília: CPP, 2005.

Autor de UTOPIA POÉTICA. São Leopoldo: CEBI, 2007.


* Autor da Foto do Zé Vicente: Warllem Soares

YVY MARÃ EI (A TERRA SEM MALES)

YVY MARÃ EI (A TERRA SEM MALES)
Releitura do Éxodo 3: enquanto vejo Tupiniquins e Guaranis sendo mortos pela Aracruz Celulose

– Prêmio Páginas Neobíblicas da Agenda Latinoamericana Mundial 2003 – primeiro lugar.

Muito tempo depois morreu o Imperador do Mal, e os Filhos do Sol, gemendo sob o peso da escravidão e da extinção, clamavam, e do fundo da escravidão e da extinção o seu clamor subiu até Tupã.

E Tupã ouviu os seus lamentos e gemidos; Tupã lembrou-se do dia em que dançou com os grandes caciques, com os grandes pajés, com os grandes xamãs com os grandes anciãos. Tupã viu o os Filhos do Sol e os conheceu e se compadeceu.

Eis que caçava e pescava Galdino, Pataxó Hã-Hã-Hãe, as margens do Araguaia, próximo aos Karajás, num território que já não pertencia a ele, nem aos seus semelhantes, muito menos aos seus antepassados e isso aumentava ainda mais o sofrimento que trazia em sua alma.

E Tupã lhe apareceu no meio dos toros. Os toros originaram o Quarup. E os toros dançavam, como se estivessem vivos e estavam. E os toros dançavam ao som do canto dos pássaros da floresta, ao som de tambores que Galdino nunca tinha ouvido antes.

E Galdino disse: “Darei uma volta e verei este fenômeno estranho, verei por que os toros dançam, como se vivos estivessem, como se guerreiros fossem”.

E Tupã viu que Galdino deu uma volta para ele ver.

E Tupã o chamou: “Galdino, Pataxó Hã-Hã-Hãe”.

Galdino respondeu: “Eis-me aqui”.

Tupã disse: “Eis a Criação! Dance! Dance para te aproximar. Eis a Pacha Mama de teus antepassados, eis a Grande Gaia! Eu sou Tupã! Eu sou Tupã!”

E Galdino dançou, e ouviu os cantos dos pássaros e dos tambores. E dançou ao redor dos toros onde estava Tupã.

E disse Tupã: “Eu vi, eu vi a miséria do meu povo que está nesta terra continental. Ouvi o seu clamor, o seu lamento por causa dos opressores; pois eu conheço as suas angústias. Por isso desci a fim de liberta-lo da mão do Mal, e para faze-lo subir desta terra a uma terra boa e vasta, terra onde se pesca e caça, onde se planta e colhe, terra onde não existe a morte, onde não há extinção, terra em que não há exclusão. Agora o clamor dos Filhos do Sol chegou até a mim, e também sinto a opressão com que o Mal está oprimindo. Vai, agora, pois eu te enviarei para subir desta terra e ir para o lugar que se chama Yvy marã ei, onde dançaremos a feliz dança da vida”.

Então Galdino disse a Tupã: “Como farei sair os Filhos do Sol para a terra sem males?”

“Eu estarei contigo”, disse Tupã.

E disse ainda: “Vai, reúne os caciques e anciãos e diga-lhes: “Tupã, o Deus de nossos pais, de nossas mães, me apareceu dizendo: “Subirão todos para Yvy marã ei, e dançarão a dança da vida”.

Mas disse Galdino: “Não nos deixarão sair. Seremos assassinados... Destruirão nossa cultura. Nos queimarão vivos enquanto dormimos!”

E disse Tupã: “Estenderei minha mão e ferirei aquele que se diz poderoso. Neste dia a onça pintada não sairá para caçar, o jacaré não entrará no rio, as piranhas não se alimentarão, os pássaros não irão voar nem cantarão, pois Tupã ferirá a casa d’Aquele que se diz poderoso. Se ouvirá em toda a floresta, vale ou campina, na praia ou sertão, o som da guerra em favor do meu povo. E quando todo o povo indígena partir, uma vida nova estará nascendo por essa nova estrada em que caminham os meus guerreiros, as minhas guerreiras.Eis a terra que lhes dou: Yvy marã ei!”

E Galdino saiu da presença de Tupã com seu espírito fortalecido.

Sentira agora, coisas que o sofrimento apagara de seu coração guerreiro.

Correndo pela floresta fez a experiência plena na certeza da vitória, pois Tupã desceu e se fez indígena no meio do seu povo.


Emerson Sbardelotti
Mestre em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

sexta-feira, 13 de junho de 2008

ORAÇÃO PARA UM MUNDO MELHOR!

ORAÇÃO PARA UM MUNDO MELHOR!

Ó Deus da Vida,
bondoso e misericordioso,
fortalece suas filhas e filhos,
comprometidas, comprometidos com as causas do Povo,
nas causas do Teu Reinado.
Fortalece a caminhada
de todas, de todos que trabalham pela paz,
que trabalham pela inculturação,
que lutam pela construçãode uma sociedade justa e fraterna...
Inspira em nós as possibilidadesde um outro mundo,
sem exclusões e guerras.
Abraça-nos com o teu amor de Mãe!
Agora e sempre.
Amém.Axé. Awerê. Aleluia!


TAVARES. Emerson Sbardelotti, UTOPIA POÉTICA. São Leopoldo: CEBI, 2007.

SE

SE

Se os olhos não alcançam os abraços
se os abraços não acolhem os beijos
se os beijos são frios demais
nunca se estará em paz
se os passos não fazem o caminho
se o caminho não conduz ao fim
se o fim está longe demais
nunca se estará em paz
pra que chorar sem sofrer
pra que sofrer sem tentar
cada acerto é o resultado do erro
que se pode ou não realizar


TAVARES. Emerson Sbardelotti, UTOPIA POÉTICA. São Leopoldo: CEBI, 2007.

ouça e baixe a música no site da Trama: http://tramavirtual.uol.com.br/mp3PlayerW.jsp?id_musica=204364

A MÍSTICA DE UM ASSESSOR!

A MÍSTICA DE UM ASSESSOR!

• Qual é o papel do assessor?

• Qualquer um pode ser assessor?

• É preciso ter vocação?

• Quem escolhe o assessor? O grupo de base, as coordenações paroquiais, áreas, dioceses, regionais?

• Tem que fazer curso?

• Tem que pertencer a algum partido político?

• Assessor tem que fazer opções?

Estas perguntas são constantes e não querem calar.

Bom para jovens e adultos que alcançaram uma militância e almejam contribuir com os grupos de base da Pastoral da Juventude a partir do MINISTÉRIO DA ASSESSORIA.

É sempre importante lembrar que, assessoria não é etapa que deve ser cumprida e ou vencida na caminhada da PJ; não acontece por acaso. Faz parte de um discernimento. De um processo de educação na fé.

Espero poder responder tais perguntas com serenidade e com o pouco que vivo enquanto assessor nestes anos todos de militância; não sou o dono da verdade, portanto, todas as críticas construtivas ajudarão no entendimento do tema aqui proposto.

Tenho refletido que o papel de um assessor se dá no acompanhamento ao grupo de base, no desenvolvimento de uma temática, na valorização e exaltação do protagonismo juvenil, nas dicas e sugestões para possíveis projetos de vida, na silenciosa humildade de descobrir e despertar novas lideranças e sobretudo escutá-las. O acompanhamento nas estruturas que surgem depois é resultado de um excelente trabalho na base.

Para ser assessor é preciso ter vocação; portanto, nem todo mundo ou qualquer pessoa pode ser assessor. Há um caminho a ser percorrido. Exige tempo, escuta de si mesmo, testemunho na e da comunidade, perseverança e humildade, compromisso com o Povo no meio em que está inserido.

O assessor não está aí para mandar; está para escutar e levar uma palavra de aconchego e acalanto nas horas de crise e nos momentos de dor; levar o abraço, o sorriso e a festa nos momentos de alegria e nas horas de conquistas. Deve, junto com o grupo, agradecer pelos erros e bendizer pelos acertos.

Na maioria das vezes, num processo democrático, o assessor é indicado, seja pelo grupo, pelas coordenações paroquiais, de área, diocesanas, regionais, conforme a necessidade de cada um.

São observados inúmeros detalhes, os mais comuns são: tempo de caminhada na PJ, disponibilidade, compromisso com os pobres, idade, etc. É feita uma lista, onde os nomes indicados são consultados; após uma resposta positiva dos mesmos se começa a preparação. Muitos falam de curso, eu prefiro a palavra capacitação.

Esta capacitação dentro de um planejamento, aí pelos regionais e ou pelas dioceses, pode durar de um à três anos. Nem todos os indicados irão exercer o ministério da assessoria junto às coordenações de área, diocesanas e regionais; poderão exercê-lo na base: grupo e paróquia. O que é um trabalho que requer muito mais atenção, carinho e cuidado por parte do assessor, estará ajudando a formar novas lideranças. Sem esse trabalho da assessoria nas bases, fica difícil manter uma estrutura. A preparação e a capacitação são necessárias, precisamente estando dentro das cinco dimensões da pessoa humana.

Sinceramente, penso, se é para pertencer a algum partido, que se pertença aquele que defenda a Vida; principalmente a vida dos Pobres, e no caso em questão: a Vida do Jovem!

Ultimamente, com todos os problemas que os partidos de esquerda e de direita estão enfrentando e criando, se faz necessária uma reflexão muito profunda na hora de se filiar à algum deles.

Já fui filiado ao Partido dos Trabalhadores, a militância na PJ me levou a isto; hoje por uma questão de liberdade de expressão e imparcialidade, prefiro estar do lado de fora, pois acredito que um outro mundo é possível, pois acredito no que está escrito em At 2, 44-46: “...Os fiéis estavam todos unidos e possuíam tudo em comum; vendiam bens e posses, e os repartiam segundo a necessidade de cada um. Diariamente acorriam fielmente ao templo; em suas casas partiam o pão, compartilhavam a comida com alegria e simplicidade sincera”.

O partido político não é o único caminho para a construção de uma sociedade mais humana e fraterna.

É claro, que quem pertence a algum partido, e o faz com dignidade e ética, já é um bom começo. Mas não é o que tenho visto por aí...Política e Religião andam juntas a muito tempo, e há momentos que não se consegue separá-las.

O assessor tem que fazer opções sim! E bem claras! Principalmente aquele que irá trabalhar com os grupos de base da PJ.

E a opção primeira de um assessor da PJ é o seguimento radical de Jesus de Nazaré.

É o ponto fundante de sua mística: seguir Jesus de Nazaré!

Já dizia Monseñor Romero: “...El seguimiento radical de Jesús significa seguir lo en los pobres. “Todo lo que hacen a uno de estos mis hermanos pequeños a mí me lo hacen” (Mt 25). En el rostro sufriente de los pobres encontramos hoy el rostro de Cristo. La verdadera espiritualidad cristiana tiene su piedra de toque en la opción preferencial por los pobres...”

No seguimento a Jesus de Nazaré precisamos ter na mente e no coração as últimas palavras de João Batista no Evangelho de João: “Ele deve crescer, eu diminuir” (Jo 3,30).Esta frase deve nortear a caminhada do assessor no serviço de acompanhamento aos grupos de base ou na explanação de temáticas. É para toda a Vida!Ao viver esta frase, o assessor nunca irá se deixar levar pela tentação de ser “o maioral”, “o chefe”, “o sabe-tudo”, “aquele que tem a última palavra”.

O assessor tem que ser um verdadeiro profeta.

O profeta do Reino é aquele que em nome de Deus anuncia a vida, denuncia a morte e ameaça quem produz  corrupção, violência e extermínio.

E todo profeta antes de falar, ele escuta; esta é a grande virtude de um profeta. Esta é a maior virtude de um assessor.

Os falsos profetas não escutam a voz de Deus, muito menos a voz do Povo, a voz dos Jovens, a voz dos Pobres.

O falso assessor não escuta ninguém, carrega o grupo nas costas, não assume a defesa da Vida.

A mística e a espiritualidade de um assessor da PJ não se dá apenas no trabalho pastoral, mas preferencialmente na oração cotidiana.

Oração é oração.

Oração não é mística.

Oração não é espiritualidade.

Oração é oração.

O assessor tem que ser uma pessoa de oração, de fé e vida, de íntima ligação com as causas do Reino.

Mais uma vez cito Monseñor Romero: “... La verdadera oración consiste em pedirle a Dios la fuerza de su Espíritu para hacer lo que debemos hacer: quitar el pecado del mundo, destronar la injusticia, derribar los ídolos opresores, sembrar las semillas del reino de Dios. Es nuestra tarea.(...) Dios nos escucha en la oración si colaboramos con él en la construcción de su reino.(...) Si, oración, mucha oración, pero una oración que nos haga consecuentes como el samaritano:Por eso insisto yo, mucha oración. Oremos, pero no con una oración que nos aliene, no con una oración que nos haga fugarmos de la realidad. Jamás vayamos a la iglesia huyendo de nuestros deberes de la tierra. Vayamos a la iglesia a tomar fuerzas y claridad para retornar a cumprir mejor los deberes del hogar, los deberes de la politica, los deberes de la organización, la orientación sana de estas cosas de la tierra. Estos son los verdaderos liberadores”.

Os verdadeiros libertadores ensinam a libertar caminhando junto, fazendo junto as ações e as orações.

Como deveria ser a oração diária de um assessor?

Pessoalmente, costumo rezar o Ofício Divino das Comunidades e mais recentemente a Oração das Horas, mas o método da Leitura Orante da Bíblia é indispensável neste itinerário místico.

Frei Carlos Mesters diz que “ao iniciar a Leitura Orante da Bíblia, você não vai estudar; não vai ler a Bíblia para aumentar conhecimentos nem preparar algum trabalho apostólico; não vai ler para ter experiências extraordinárias. Vai ler a Palavra de Deus para escutar o que Deus lhe tem a dizer, para conhecer a Sua Vontade e viver melhor o Evangelho de Jesus Cristo”.

Mas qual deveria ser o texto bíblico a ser lido (1o. passo), meditado (2o. passo), orado (3o. passo) e contemplado (4o. passo)?

Tenho alguns textos que venho meditando, ruminando, percebendo a profundidade de cada um e tentando vivê-los no dia à dia. A tarefa é árdua; os textos que sugiro, um para cada dia da semana, não haverá problema em mudar a ordem:

• Jo 3, 22 – 30 (domingo)

• Sl 25 (segunda)

• Is 50, 4 – 8 (terça)

• Jo 8, 1 – 11 (quarta)

• Lc 24, 13 – 35 (quinta)

• Jo 21, 1 – 17 (sexta)

• Mt 21, 23 – 32 (sábado)

Quatro perguntas que devem estar na mente e no coração sempre que usar o método da Leitura Orante da Bíblia:

A - O que diz o texto? (leitura)

B – O que o texto me diz? (meditação)

C – O que o texto me faz dizer a Deus? (oração)

D – O que Deus me diz para fazer? (contemplação)
O assessor sem oração não serve para ser assessor.Se não reza um pouco por dia, não serve para a assessoria.

D. Pedro Casaldáliga, um dia em sua casa, me disse que “o caminho se faz caminhando, e no caminho se tem a oração, que dá força para caminhar.”

E todos os dias quando eu me levantava e ia me banhar, lá estava ele, sentado num banquinho, aproveitado de um tronco de árvore, na capela, do quintal de sua casa, concentrado, de olhos fechados, rezando e aguardando o povo se ajuntar para a reza do Ofício Divino das Comunidades. Isso me marcou muito!

Ele talvez não saiba, mas me inspiro muito nele e em seu testemunho de radicalidade no seguimento à Jesus Cristo, na defesa da Vida, e na opção preferencial pelos pobres.

Rezo por ele e sei que quando pode reza por mim também.

Aprendi a ser um ser humano melhor, um assessor melhor, escutando e rezando junto com D. Pedro Casaldáliga; acredito que esta seja a mística da caminhada: escutar a Deus para que Ele cresça e eu diminua.


Emerson Sbardelotti
Mestre em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

CANTOR DO POVO (para os cantores da fé, do martírio e do povo)

CANTOR DO POVO(para os cantores da fé, do martírio e do povo)

quem pode não quer ajudar
o nosso povo precisa viver
com dignidade, na verdade
um cantor nunca deve se calar

frente aos problemas e desafios
frente aos fundamentalismos da religião
frente à violência sempre assassina
frente à falta de amor e a corrupção


POIS O SEU CANTO É UMA DÁDIVA PODEROSA
QUE POR VEZES AMENDRONTA E SACODE
POIS SUA VOZ É SUAVE E TEM SABOR
MAS QUEM FAZ O MAL: ELA INCOMODA

há tantos caminhos, tantos corações
um deles é o mais estreito
há tantos cantores, tantas canções
o cantar de Jesus é o mais perfeito

e por causa dele continuo a missão
e por causa dele canto tudo de novo
já diria o profeta: "Se me matam, vou ressuscitar
na luta do meu povo!"

"a morte não tem poder
sobre aqueles que entregam
a vida pelo povo!"
é por isso que eu canto tudo de novo
é por isso que sou um cantor do povo


Emerson Sbardelotti
MISSÃO DE CANTADOR

o cantador sabe onde o seu canto pode chegar
o cantador entende quando é hora de seguir ou de parar
nada é mais bonito do que a esperança no olhar
e a paz só se faz quando se entende o verbo amar


a missão do cantador é anunciar e denunciar
através do corpo e da voz as injustiças e o desamor
a missão do cantador é seguir sem saber onde irá dormir
indo de casa em casa, em cada palmo de chão...por aí


e eu vou sem saber o dia de voltar
e eu vou sem saber quem ali irá estar
me esperando, com sorrisos e lágrimas
pois do cantador o que se espera é cantar


e canta a vida e canta o chão
e canta a natureza e canta a cruz
caminhos que se encontram
caminhos brotados da luz


luz divina, luz que ilumina
estes atalhos todos que a poesia trilha
estas estradas tantas que o martírio ensina
e com sangue dos mártires não se brinca


Emerson Sbardelotti

EU SOU UM DT (DESIGNAÇÃO TEMPORÁRIA)

EU SOU UM DT(DESIGNAÇÃO TEMPORÁRIA)

Está chegando mais um dia
o dia do pagamento é sagrado
eu me visto com a melhor roupa
e rezo para não ser assaltado
eu vim aqui contar a minha história
eu vim aqui mostrar o que não se vê
eu sou um deve tudo
eu sou um DT
fico sonhando com o abono
fico fazendo planos
para lhe encontrar e bebermos
os nossos desencontros
eu conto os dias que faltam
não aguento mais tanta confusão
por mim já estariam todos em casa
mas ainda tem a recuperação
e o que mais se pode fazer
se não há mais como ajudar
o menino está de NOA
a menina não pára de chorar

TAVARES, Emerson Sbardelotti. UTOPIA POÉTICA. São Leopoldo: Cebi, 2007.

COMO ESTÁ A MÍSTICA DO GRUPO DE JOVENS?

COMO ESTÁ A MÍSTICA DO GRUPO DE JOVENS?

Pra início de conversa: todo grupo de jovens reza, ora!
Se não o faz, não é grupo de jovens, muito menos da Pastoral da Juventude (PJ)!

Toda oração é um diálogo sincero com Deus. É um diálogo em que nós o escutamos em plenitude. Orar a Deus é silenciar o ser.

O membro de grupo de jovens que não reza pelo menos meia-hora por dia, não serve para estar na Pastoral da Juventude.

Não existe ação sem oração. E olha, tem muita oração por aí a fora que também não é oração. É falação!

Tem muita gente falando, falando...Se esquecendo de escutar o Pai.

Como está a mística no grupo de jovens que você participa?

Você sabe o que é mística?

Existe no seu grupo, na sua comunidade, na Igreja, alguma pessoa que possa ser considerada um místico?

Vamos a algumas respostas:

Não possuo a verdade, apenas indico algumas em que acredito:

MÍSTICA: é um fio condutor, uma linha invisível que une a memória e os sonhos, que une a história e a utopia, que une o passado e o futuro e que faz do presente uma grande festa. Uma grande celebração.

Ao falarmos de mística estamos nos referindo ao mistério que nos faz viver.

Este mistério está relacionado ao Mistério Pascal de Jesus de Nazaré,portanto um mistério encarnado no cotidiano do povo: o mistério que nos faz viver.

Se o grupo de jovens não bebe deste Mistério Pascal de Jesus e o coloca em prática, na vida mesmo, de nada vale se reunir em grupo, é perda de tempo.

Se faz necessário perguntar: como está a minha oração diária? Após um diálogo franco e aberto com Deus como atuo na comunidade? O que posso fazer para a cada dia ser mais místico?

Emerson Sbardelotti
Mestre em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

quarta-feira, 11 de junho de 2008

UM OUTRO MUNDO POSSÍVEL

UM OUTRO MUNDO POSSÍVEL

Um outro mundo possível:
quando todos os seres humanos,
não mais morrerem de fome.
um outro mundo possível:
quando todos os seres humanos,
não mais morrerem nas guerras.
um outro mundo possível:
quando todos os seres humanos,
se derem as mãos.
um outro mundo possível:
quando todos os seres humanos,
cantarem a mais linda canção.
um outro mundo possível:
quando todos os seres humanos,
não forem mais escravos do FMI.
do Banco Mundial,
da OMC,
do Império Norte-Americano.
um outro mundo possível:
quando todos os seres humanos,
voltarem a ser esperança.
um outro mundo possível:
quando todos os seres humanos
se tornarem globalização solidária.
um outro mundo possível:
quando todos os seres humanos,
tiverem suas próprias casas.
um outro mundo possível:
quando todos os seres humanos,
viverem em harmonia com o Planeta.
um outro mundo possível:
quando todos os seres humanos,
forem mais seres humanos.
um outro mundo possível:
quando todos os seres humanos,
respeitarem direitos e deveres.
um outro mundo possível:
quando todos os seres humanos,
forem livres:
das injustiças,
das exclusões,
do machismo,
do feminismo,
do ciúme,
do egoísmo.
um outro mundo possível:
quando todos os seres humanos,
forem humildes e servirem o Povo!
um outro mundo possível
quando todos os seres humanos
se tornarem Paz!

TAVARES, Emerson Sbardelotti. UTOPIA POÉTICA. São Leopoldo: CEBI, 2007.

terça-feira, 10 de junho de 2008

ESPIRITUALIDADE: CAMINHO E LIBERTAÇÃO!

ESPIRITUALIDADE: CAMINHO E LIBERTAÇÃO!

Todo grupo de base da Pastoral da Juventude (PJ) deve estar em sintonia: entre os membros, com a comunidade e com Deus.
Esta harmonia faz com que a caminhada seja fortalecida nos mínimos detalhes e a libertação possa ir florescendo, fincada no chão da realidade.

A palavra ESPIRITUALIDADE tem sua raiz na palavra ESPÍRITO: "Então YHWH modelou o ser humano com a argila do solo, insuflou em suas narinas um hálito de vida e o ser humano se tornou um ser vivente" (Gn 2,7) = "ser vivente" corresponde ao vocábulo nefesh, que designa o ser animado por um sopro vital - manifestado também pelo "espírito" = ruah = sopro, vento, (cf. Dicionário Hebraico - Português, Paulus).

O que é Espírito?

Somos morada deste Espírito?

Espírito e espírito! Há diferenças?

Essas e outras respostas podem ser dadas se você puder ler a obra monumental de Pedro Casaldáliga e José Maria Vigil: ESPIRITUALIDADE DA LIBERTAÇÃO , da editora Vozes.

Neste livro, os autores exprimem de forma salutar e objetiva, os caminhos que se podem seguir.

Onde está centrada a nossa Espiritualidade?

Está centrada no Cristo Jesus, encarnado - ressuscitado.

Sempre recordo as palavras de Sua Santidade, o Dalai-Lama quando este diz a Leonardo Boff: "Espiritualidade é aquilo que faz no ser humano uma mudança interior".

Aquilo que transforma nosso ser, nos leva a transformar a sociedade, se não o faz, não é espiritualidade, é espírito de porco!

Espiritualidade é um caminho a seguir: a partir do estudo da Sagrada Escritura, o CEBI está aí para ajudar, a partir do estudo da Sagrada Liturgia,a Rede CELEBRA está aí para ajudar.

Entrar em contato com Deus é conhecer as suas ações no meio dos povos que compõe o seu povo escolhido.

Espiritualidade da libertação é sem dúvida a libertação da espiritualidade.

Sem oração não há libertação.

Se os membros do grupo não oram, não podem se tornar caminho de libertação, não podem participar do banquete.

Emerson Sbardelotti
Mestre em Teologia Sistemática pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

MÍSTICA EM TEMPO DE CRISE PASTORAL

MÍSTICA EM TEMPO DE CRISE PASTORAL

Na última década do século XX e nestas primeiras décadas do século XXI estamos acompanhando, muitas vezes com certa indignação e apatia, os rumos que a Igreja Católica tem tomado em relação ao trabalho pastoral em suas comunidades, que já não possuem características de comunidades eclesiais de base.

Estamos pecando por omissão quando não nos pronunciamos frente aos desmandos políticos, frente à morte cada dia mais violenta em nossas cidades urbanas e rurais.

Estamos deixando a profecia de lado para apenas repetirmos gestos congelados pelo tempo de estagnação e de retrocesso que sugere o atual cenário de Igreja...a profecia de hoje está presa dentro das paredes da Igreja...o que está do lado de fora da Igreja, parece não mais ser importante. E é preciso sair para fora da sacristia e ir em direção de quem está humilhado, esquecido, excluído.

É um tempo de crise!

Crise ética, moral, política, social, da fé e da humanidade.

A busca do imediatismo se faz presente em todos os momentos e setores da vida cotidiana.

Nada é construído com um projeto de vida, a longo prazo...o importante é a satisfação plena do e no agora…o individualismo se tornou global e local, arrastando e atraindo tudo para si.

Como falar da mística que nos faz viver em tempo de crise pastoral?

Não estamos em crise com o Pastor que é Jesus de Nazaré, mas estamos numa crise de identidade pastoral, numa crise de discernimento pastoral, numa crise tão profunda que não sabemos onde iremos aportar nosso pequeno barco, já que o mar não está para peixe pequeno.

Há uma crise de identidade. Estamos misturando características de movimentos eclesiais nas pastorais sociais. Essa bagunça não faz bem, pois a pessoa não viverá bem nenhuma das duas e o vazio existencial será bem maior, levando-a inclusive ao afastamento da Igreja.

Quando falamos de mística estamos nos referindo ao mistério que nos faz viver.

É o mistério que comunica, é o sentido que tende a construir uma fraternura na Terra: harmonia com a Natureza, com as coisas, entre nós, com Deus.

Mística: a palavra tem sua raiz na palavra MISTÉRIO (mysterion – em grego; cf. Mc 4,11; 1Cor 2,1.7; Cl 1,27; Ef 1,9).

Qual é o mistério que nos faz viver?

Qual é o mistério que nos fortalece na caminhada?

Qual é o mistério que há na mística?

O que é mistica?

Mística é o fio condutor, uma linha invisível que une a memória e os sonhos, que une a História e a utopia, que une o passado e o futuro e que faz do presente uma grande festa, uma grande celebração.

No atual cenário de Igreja se apresenta algum motivo para se celebrar?

Pense muito bem antes de responder a esta pergunta, afinal, nossa reflexão quer sugerir um afastamento do imediato.

A palavra mística é muito usada hoje em dia em relação a algumas palavras como globalização, liberalismo, protecionismo. São palavras que despontam nos momentos históricos.

Quando uma palavra desponta, precisamos começar a desconfiar.

Hoje, mais do que nunca, as pessoas estão buscando as razões do existir, do nosso existir, as motivações mais profundas.

Este, sem dúvida, é o potencial mais profundo da palavra mística.

O risco que corremos é que pode significar fuga. Ao contrário, a mistica busca mais o sentido da vida!

Todos nós carregamos nas costas uma pergunta fundamental: qual é o sentido da minha , da nossa existência?

Essa pergunta ganha um contorno novo quando uma crise se abate sobre a humanidade, sobre a sociedade, sobre a Igreja, sobre a família, sobre a Pastoral da Juventude.

Em situações de crise, de instabilidade político-econômica, se começa a perguntar pela identidade.

Numa situação dessa o sagrado retorna!

Em situações de crise é comum o sagrado aparecer com força, porque na medida em que o cotidiano e a história não trazem as respostas que queremos ouvir, começa-se a apelar para o sobrenatural.

A crise da pós-modernidade faz com que os deuses retornem com toda força.

Os deuses foram banidos no começo do mundo moderno com as idéias iluministas; hoje, eles retornam com a força de águas represadas. E aparecem deuses para tudo quanto é lado e gosto.

É a lei do mercado! Deus retorna por alto! Não é Deus que retorna, são os deuses mediáticos que retornam, e aí é que está o problema!

Deuses, no plural, costuma a equivaler a ídolos!

Então qual é o Deus verdadeiro?

Como apontar se este ou aquele deus é que fará a comunidade caminhar e nela suas pastorais que ainda sobrevivem sem apoio dos bispos, padres e religiosas, que preferem apenas orar…e o mais triste ensinam o povo a orar mal.

Um orar sem a ação não é ação nem orar. Não é nada. É você balbuciando um monte de palavras vazias que não ultrapassam as paredes de concreto da Igreja.

O Deus verdadeiro é sempre o Deus desconhecido.Deuses conhecidos são deuses perigosos. Foram feitos para nossa imagem e semelhança.

Quando se conhece muito Deus, é sinal que deixou de ser Deus, passou a ser um produto em nossas mãos.

O Deus verdadeiro é sempre desconhecido.

É simplesmente outro, pois interpela, questiona e chama para caminhar.

Deuses conhecidos chamam apenas para sentar e acomodar-se, isto é o grande perigo e o que está na raiz da crise pastoral.

E com isso um outro fenômeno vai tomando mais espaço entre as comunidades e entre os seres humanos: a fé mágica.

É a busca do milagrismo, de um Jesus exorcista e milagreiro.

É onde se começa a dizer: “Deus vai dar um jeito na minha vida. Em algum momento Ele vai aparecer para mim e dará um jeito…”, “estou nessa porque Deus quer assim!”

O que é isso?

É a transferência da responsabilidade dos seres humanos para Deus.

Quando não se transfere para Deus, se joga culpa no diabo; mas, quem afinal criou o diabo?

Pense bem antes de responder a esta pergunta, dela não depende sua fé, mas, em todo caso, é melhor ruminar bastante antes de dar uma resposta ligeira.

Por causa da situação caótica, transferimos para Deus a responsabilidade de mudança.

O caminho a seguir, então, é o do espetáculo, o show, o evento de massa! É você diluindo sua dor na multidão.

Este alívio conseguido é momentâneo e enganoso. A realidade é bem diferente: o papel da mídia é vender um Jesus sem Evangelho, branco, cabelos cacheados, olhos azuis, de uma pureza ariana sem igual, um Jesus de consumo, um produto que rende muito dinheiro, que está ligado à sociedade do espetáculo, um Jesus genérico, um Jesus pirateado, um Jesus para ser guardado na prateleira, a qualquer momento poderá ser usado como poderoso medicamento…deixa de ser Jesus com J, para ser Gesus com G, G de Genérico.

Mística em tempo de crise pastoral é refazer o caminho que leva às fontes: a história pessoal e comunitária de cada um/a de nós!

De que adianta a Evangelização da Juventude se tornar um estudo e um documento e continuar na prateleira…será esquecido, ou como já está sendo comprovado, usado da pior maneira.

A mística aponta alguns símbolos que devem ou deveriam ser trabalhados quando se tenta entender e viver um compromisso com o Reino:

• A figueira (Lc 13, 6-9).

• O poço (Jo 4,5-42).

• A casa (Lc 19, 1-10).

• O caminho (Jo 14, 4-7).

• A mesa (Mt 9, 9-13).


Este artigo se propõe apenas em ser mais uma ferramenta para reflexão de nossos grupos de jovens, coordenações paroquiais e diocesanas que estão se reorganizando, organizando e para aqueles e aquelas que já estão na caminhada já algum tempo.

Na Paz militante do Reino da Vida.

Emerson Sbardelotti
Mestre em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo