terça-feira, 9 de agosto de 2011

QUARENTA ANOS DE TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO

QUARENTA ANOS DE TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO

.Teologia da Libertação celebra neste ano de 2011 40 anos de existiencia. Em 1971 Gustavo Gutiérrez publicana no Peru seu livro fundador “Teologia da Libertação.Perspectivas”. Eu publicava também em 1971 em forma de artigos, numa revista de religiosas – Grande Sinal – para escapar da repressão militar o meu Jesus Cristo Libertador, depois lançado em livro. Ninguém sabia um do outro. Mas estávamos no mesmo espírito. Desde então surgiram três gerações de teólogos e teólogas que se inscrevem dentro da Teologia da Libertação. Hoje ela está em todos os continentes e representa um modo diferente de fazer teologia, a partir dos condenados da Terra e da periferia do mundo.Aqui vai um pequeno balanço destes 40 anos de prática e de reflexão libertadoras.



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A Teologia da Libertação participa da profecia de Simeão a respeito do menino (Jesus): ela será motivo de queda e de elevação, será um sinal de contradição (Lc 2,34). Efetivamente a Teologia da Libertação é uma teologia incomprendida, difamada, perseguida e condenada pelos poderes deste mundo. E com razão. Os poderes da economia e do mercado a condenam porque cometeu um crime para eles intolerável: optou por aqueles que estão fora do mercado e são zeros econômicos. Os poderes eclesiásticos a condenaram por cair numa “heresia”prática ao afirmar que o pobre pode ser construtor de uma nova sociedade e também de outro modelo de Igreja. Antes de ser pobre, ele é um oprimido ao qual a Igreja deveria sempre se associar em seu processo de libertação. Isso não é politizar a fé mas praticar uma evangelilzação que inclui também o político. Consequentemente, quem toma partido pelo pobre-oprimido sofre acusações e marginalizações por parte dos poderosos seja civis, seja religiosos.

Por outro lado, a Teologia da Libertação representa uma benção e uma boa nova para os pobres. Sentem que não estão sós, encontraram aliados que assumiram sua causa e suas lutas. Lamentam que o Vaticano e boa parte dos bispos e padres construam no canteiro de seus opressores e se esquecem que Jesus foi um operário e pobre e que morreu em consequência de suas opções libertárias a partir de sua relação para com o Deus da vida que sempre escuta o grito dos oprimidos.

De qualquer forma, numa perspectiva espiritual, é para um teólogo e uma teóloga comprometidos e perseguidos uma honra participar um pouco da paixão dos maltratados deste mundo.



1. A centralidade do pobre e do oprimido



O punctum stantis et cadentis da Teologia da Libertação é o pobre concreto, suas opressões, a degradação de suas vidas e os padecimentos sem conta que sofre. Sem o pobre e o oprimido não há Teologia da Libertação. Toda opressão clama por uma libertação. Por isso, onde há opressão concreta e real que toca a pele e faz sofrer o corpo e o espírito ai tem sentido lutar pela libertação. Herdeiros de um oprimido e de um executado na cruz, Jesus, os cristãos encontram em sua fé mil razões por estarem do lado dos oprimidos e junto com eles buscar a libertação. Por isso a marca registrada da Teologia da Libertação é agora e será até o juizo final: a opção pelos pobres contra sua pobreza e a favor de sua vida e liberdade.

A questão crucial e sempre aberta é esta: como anunciar que Deus é Pai e Mãe de bondade num mundo de miseráveis? Este anúncio só ganhará credibilidade se a fé cristã ajudar na libertação da miséria e da pobreza. Então tem sentido dizer que Deus é realmente Pai e Mãe de todos mas especialmente de seus filhos e filhas flagelados.

Como tirar os pobres-oprimidos da pobreza, não na direção da riqueza, mas da justiça? Esta é uma questão prática de ordem pedagógico-política. Identificamos três estratégias.

A primeira interpreta o pobre como aquele que não tem. Então faz-se mister mobilizar aqueles que têm para aliviar a vida dos que não têm. Desta estratégia nasceu o assistencialismo e o paternalismo. Ajuda mas mantém o pobre dependente e à mercê da boa vontade dos outros. A solução tem respiração curta.

A segunda interpreta o pobre como aquele que tem: tem força de trabalho, capacidade de aprendizado e habilidades. Importa formá-lo para que possa ingressar no mercado de trabalho e ganhar sua vida. Enquandra o pobre no processo produtivo, mas sem fazer uma crítica ao sistema social que explora sua força de trabalho e devasta a natureza, criando uma sociedade de desiguais, portanto, injusta. É uma solução que ajuda favorece o pobre, mas é insuficiente porque o mantém refém do sistema, sem libertá-lo de verdade.

A terceira interpreta o pobre como aquele que tem força histórica mas força para mudar o sistema de dominação por um outro mais igualitário, participativo e justo, onde o amor não seja tão difícil. Esta estratégia é libertária. Faz do pobre sujeito de sua libertação. A Teologia da Libertação, na esteira de Paulo Freire, assumiu e ajudou a formular esta estratégia. É uma solução adequada à superação da pobreza. Esse é o sentido de pobre da Teologia da Libertação.

Só podemos falar de libertação quando seu sujeito principal é o próprio oprimido; os demais entram como aliados, importantes, sem dúvida, para alargar as bases da libertação. E a Teologia da Libertação surge do momento em que se faz uma reflexão crítica à luz da mensagem da revelação desta libertação histórico-social.



2.Teologia da Libertação e movimentos por libertação



Entretanto, só entenderemos adequadamente a Teologia de Libertação se a situarmos para além do espaço eclesial e dentro do movimento histórico maior que varreu as sociedades ocidentais no final dos anos 60 do século passado. Um clamor por liberdade e libertação tomou conta dos jovens europeus, depois norte-americanos e por fim dos latino-americanos.

Em todos os âmbitos, na cultura, na política, nos hábitos na vida cotidina derrubaram-se esquemas tidos por opressivos. Como as igrejas estão dentro do mundo, membros numerosos delas foram tomados por este Weltgeist. Trouxeram para dentro das Igrejas tais anseios por libertação. Começaram a se perguntar: que contribuição nós cristãos e cristãs podemos dar a partir do capital específico da fé cristã, da mensagem de Jesus que se mostrou, segundo os evangelhos, libertador? Esta questão era colocada por cristãos e cristãs que já militavam politicamente nos meios populares e nos partidos que queriam a transformação da sociedade.

Acresce ainda o fato de que muitas Igrejas traduziram os apelos do Concilio Vaticano II de abertura ao mundo, para o contexto latinoamericano, como abertura para o sub-mundo e uma entrada no mundo dos pobres-oprimidos. Deste impulso, surgiram figuras proféticas, nasceram as CEBs, as pastorais sociais e o engajamento direto de grupos cristãos em movimentos políticos de libertação. Para muitos destes cristãos e cristãs e mesmo para uma significativa porção de pastores não se tratava mais de buscar o desenvolvimento. Este era entenddo como desenvolvimento do subdsenvolvimento, portanto, como uma opressão. Demandava, portanto, um projeto de libertação.

Portanto, a Teologia da Libertação não caiu do céu nem foi inventada por algum teólogo inspirado. Mas emergiu do bojo desse movimento maior mundial e latino-americano, por um lado político e por outro eclesial. Ela se propôs pensar as práticas eclesiais e políticas em curso à luz da Palavra da Revelação. Ela comparecia como palavra segunda, crítica e regrada, que remetia à palavra primeira que é a prática real junto e com os oprimidos. Alguns nomes seminais merecem ser aqui destacados que, por primeiro, captaram a relevância do momento histórico e souberam encontrar-lhe a fórmula adequada, Teologia da Libertação: Gustavo Gutiérrez do Peru, Juan Luiz Segundo do Uruguai, Hugo Asmann do Brasil e Enrique Dussel e Miguez Bonino, ambos da Argentina. Esta foi a primeira geração. Seguiram-se outras.



3. Os muitos rostos dos pobres e oprimidos



A Teologia da Libertação partiu diretamente dos pobres materiais, das classes oprimidas, dos povos desprezados como os indígenas, negros marginalizados, mulheres submetidas ao machismo, das religiões difamadas e outros portadores de estigmas sociais. Mas logo se deu conta de que pobres-oprimidos possuem muitos rostos e suas opressões são, cada vez, específicas. Não se pode falar de opressão-libertação de forma generalizada. Importa qualificar cada grupo e tomar a sério o tipo de opressão sofrida e sua correspondente libertação ansiada.

Desmascarou-se o sistema que subjaz a todas estas opressões, construido sobre o submetimento dos outros e da depredação da natureza. Dai a importância do diálogo que a Teologia da Libertação conduziu com a economia políica capitalista. De grande relevância crítica foi a releitura da história da América Latina a partir das vítimas, desocultando a perversidade de um projeto de invasão coletivo no qual o colono ou o militar vinha de braço dado com o missionário. Esse casamento incestuoso produziu, segundo o historiador Oswald Spengler, o maior genocídio da história. Até hoje nem as potências outrora coloniais nem a Igreja institucional tiveram a honradez de reconhecer esse crime histórico, muito menos de fazer qualquer gesto de reparação.

Sem entrar em detalhes, surgiram várias tendências dentro da mesma e única Teologia da Libertação: a feminista, a indígena, a negra, a das religiões, a da cultura, a da história e da ecologia. Logicamente, cada tendência se deu ao trabalho de conhecer de forma crítica e científica seu objeto, para poder retamente avaliá-lo e atuar sobre ele de forma libertadora à luz da fé.



4. Como fazer uma teologia de libertação



Aqui cabe uma palavra sobre o como fazer uma teologia que seja libertadora, quer dizer, cabe abordar o método da Teologia da Libertação. O método seja talvez uma de suas contribuições mais notáveis que este modo de fazer teologia trouxe ao quefazer teológico universal. Parte-se antes de mais nada de baixo, da realidade, a mais crua e dura possível, não de doutrinas, documentos pontifícios ou de textos bíblicos. Estes possuem a função de iluminação mas não de geração de pensamento e de práticas.

Face à pobreza e à miséria, a primeira reação foi, tipicamente, jesuânica, a do miserior super turbas, de compaixão que implica transportar-se à realidade do outro e sentir sua paixão. É aqui que se dá uma verdadeira experiência espiritual de encontro com aqueles que Bartolomeu de las Casas no México e Guamán Poma de Ayala no Peru chamavam de os Cristos flagelados da história. Há um encontro de puro espírito com o Cristo crucificado que quer ser baixado da cruz. Esta experiência espiritual de compaixão só é verdadeira se der origem a um segundo sentimento o de iracundia sagrada que se expessa: “isso não pode ser, é inaceitável e condenável; deve ser superado”.

Destes sentimentos surge imediatamente a vontade de fazer alguma coisa. É nesse momento que entra a racionalidade que nos ajuda a evitar enganos, fruto da boa vontade mas sem crítica. Sem análise corre-se o risco do assistencialismo e do mero reformismo que acabam por reforçar o sistema. O conhecimento dos mecanismos produtores da pobreza-opressão nos mostra a necesidade de uma transformação e libertação, portanto de algo novo e alternativo. Em seguida, buscam-se as mediações concretas que viabilizam a libertação, sempre tendo como protagonista principal o próprio pobre. Aqui entra a funcionar outra lógica, aquela das metas, das táticas e estratégias para alcançá-las, das alianças com outros grupos de apoio e da avaliação da correlação de forças, do juizo prudencial acerca da reação do sistema e de seus agentes e da possibilidade real de avanço. Alcançada a meta, vale a celebração e a festa que congraçam as pessoas, lhes conferem sentimento de pertença e do reconhecimento da própria força transformadora. Então constatam empiricamente que um fraco mais um fraco não são dois fracos, mas um forte, porque a união faz a força histórica transformadora.

Resumindo: estes são os passos metodológicos da Teologia a Libertação: (1) um encontro espiritual, vale dizer, uma experiência do Crucificado sofrendo nos crucificados. (2) uma indignação ética pela qual se condena e rejeita tal situação como desumana que reclama superação;(3) um ver atento que implica uma análise estrutural dos mecanismos produtores de pobreza-opressão; (4)um julgar crítico seja aos olhos da fé seja aos olhos da sã razão sobre o tipo de sociedade que temos, marcada por tantas injustiças e a urgência de transformá-la; (5) um agir eficaz que faz avançar o processo de libertação a partir dos oprimdiso; (5) um celebrar que é um festejar coletivo das vitórias alcançadas.

Esse método é usado na linguagem do cotidiano seja pelos meios populares que se organizam para resistir e se libertar, seja pelos grupos intermediários dos agentes de pastoral, de padres, bispos, religiosos e religiosas e leigos e leigas cujo discurso é mais elaborado, seja pelos próprios teólogos que buscam rigor e severidade no discurso.



5. Contribuições da Teologia da Libertação para a teologia universal



A Teologia da Libertação, por causa da perspectiva dos pobres que assumiu, revelou dimensões diferentes e até novas da mensagem da revelação. Em primeiro lugar, ela propiciou a reapropriação da Palavra de Deus pelos pobres. Em suas comunidades e círculos bíblicos aprenderam comparar página da Bíblia com a página da vida e dai tirar consequências para sua prática cotidiana. Lendo os Evangelhos e se confrontando com o Jesus de Nazaré, artesão, factotum e campones mediterrâno, perceberam a contradição entre a condição pobre de Jesus e a riqueza da grande instituição Igreja. Esta está mais próxima do palácio de Herodes do que da gruta de Belém. Com respeito aprenderam a fazer suas críticas ao exerício centralizado do poder na Igreja e ao fechamento doutrinal face a questões importantes para a sociedade como é a moral familiar e sexual.

A Teologia da Libertação nos fez descobrir Deus como o Deus da vida, o Pai e Padrinho dos pobres e humildes. A partir de sua essência, como vida, se sente atraido pelos que menos vida têm. Deixa sua transcendência e se curva para dizer:”ouvi a opressão de meu povo…desci para libertá-lo”(Ex 3,7). A opção pelos pobres encontra seu fundamento na própria natureza de Deus-vida.

Revelou-nos também a Jesus como libertador. Ele é libertador, não porque assim o chamam os teólogos da libertação, mas por causa do testemunho dos Apóstolos. Ele libertou do pecado mas também da doença, da fome e da morte. Jesus não morreu. Foi assassinado porque viveu uma prática libertária que ofendia as convenções e tradições da época. Anunciou uma proposta – o Reino de Deus – que implicava uma revolução em todas as relações; não apenas entre Deus e os seres humanos, mas também na sociedade e nos cosmos. O Reino de Deus se contrapunha ao Reino de César, o que representava um ato político de lesa-majestade. O Imperador revindicava para si o título de Deus e até de “Deus de Deus”, coisa que o credo cristão mais tarde atribuirá a Cristo. A ressurreição, ao lado de outros significados, emerge como a inauguração do “novissimus Adam”(1Cor 15,45), como uma “revolução na evolução”.

Permitiu-nos identificar em Maria, não apenas aquela humilde serva do Senhor que diz fiat mas a profetiza que clama pelo Deus Go’El, o vingador dos injustiçados, aquele que derruba dos tronos os poderosos e eleva os humildes (Lc 1, 51-52). Ela clarificou também a missão da Igreja que é atualizar permanentemente, para os tempos e lugares diferentes, a gesta libertadora de Jesus e manter vivo seu sonho de um Reino de Deus que começa pelos últimos, os pobres e excluidos e que se estende até à criação inteira será finalmente resgatada, onde vige a justiça, o amor incondicional, o perdão e a paz perene.



6. A Teologia da Libertação como revolução espiritual



As reflexões que acabamos de fazer nos permitem dizer: a Teologia da Libertação produziu uma revolução teológico-espiritual. Não houve muitas revoluções espirituais no Cristianismo. Mas sempre que elas ocorrem, se resignificam os principais conteúdos da fé, como assinalamos acima, emerge uma nova vitalidade e a mensagem cristã libera dimensões insuspeitadas, gerando vida e santidade.

É a primeira teologia histórica que nasceu na periferia do cristianismo e distante dos centros metropolitanos de pensamento. Ela denota uma maturação inegável das Igrejas-filhas que conseguem articular, com sua linguagem própria, a mensagem cristã, sem romper a unidade de fé e a comunhão com as Igrejas-mães.

Nunca na história do cristianismo os pobres ganharam tanta centralidade. Eles sempre estiveram ai na Igreja e foram destinatários dos cuidados da caridade cristã. Mas aqui se trata de um pobre diferente, que não quer apenas receber mas dar de sua fé e inteligência. Trata-se do pobre que pensa, que fala, que se organiza e que ajuda a construir um novo modelo de Igreja-rede-de-comunidades. Os pastores de estilo autoritário não temem o pobre que silencia e obedece. Mas tremem diante do pobre que pensa, fala e participa na definição de novos rumos para a comunidade. São cristãos com consciência de sua cidadania eclesial.

A irradiação da Teologia da Libertação alcançou o aparelho central da Igreja Católica, o Vaticano. Influenciadas pelos setores mais conservadores da própria Igreja latinoamericana e das elites políticas conservadoras, as instâncias doutrinárias sob o então Card. Joseph Ratzinger reagiram, em 1984 e 1986, com críticas contra a Teologia da Libertação.

Mas se bem repararmos, não se fazem condenações cerradas. Tais autoridades chamam a atenção para dois perigos que acossam este tipo de teologia: a redução da fé à política e o uso não-crítico de categorias marxistas. Perigos não são erros. Evitados, eles deixam o caminho aberto e nunca invalidam a coragem do pensamento criativo. Apesar das suspeitas e manipulações que se fizeram destes dois documentos oficiais, a Teologia da Libertação pôde continuar com sua obra.

Por esta razão entendemos que o Papa João Paulo II, com mais espírito pastoral que doutrinal, tenha enviado uma Mensagem ao Episcopado do Brasil no dia 6 de abril de 1986 na qual declara que esta a Teologia da Libertação, em condições de opressão, “não é somente útil mas também necessária”.

Mas sobre a figura do então Card. Joseph Ratzinger pesa uma acusação irremissivel, que seguramente passará negativamente para a história da teologia: a de ter-se revelado inimigo da inteligência dos pobres e de seus aliados e de ter condenado a primeira teologia surgida na periferia da Igreja e do mundo que conferia centralidade à dignidade dos oprimidos.

Efetivamente, proibiu que mais de cem teólogos de todo o Continente elaborassem uma coleção de 53 tomos- Teologia e Libertação – como subsídio a estudantes e a agentes de pastoral que atuavam na perspectiva dos pobres. Mais que um erro de governo, foi um delito contra a eclesialidade e um escárneo aos pobres pelos quais deverá responder diante de Deus. Também para ele vale o dito: na tarde sua vida, os pobres serão seus juizes dos quais esperamos que tenham para com o Cardeal mais misericórdia que severidade, diante de tanta ignorância e arrogância de quem se poderia esperar apoio entusiasmado e acompanhamento diligente.

Ao contrário, muitos teólogos foram postos por ele sob vigilância, advertidos, marginalizados em suas comunidades, acusados, proibidos de exercer o ministério da palavra, afastados de suas cátedras ou submetidos a processos doutrinários com “silêncio obsequioso”. Esta rigidez não dminuiu ao fazer-se Papa, mas continuou com renovado fervor. Et est videre miseriam.

A Teologia da Libertação devolveu dignidade e relevância à tarefa da Teologia. Conferiu-lhe um inegável caráter ético. Os teólogos desta corrente, sem renunciar ao estudo e à pesquisa, se associaram à vida e a causa dos condenados da Terra. No apoio a seus movimentos correram riscos. Muitos conheceram a prisão, a tortura e outros o martírio. Ousamos dizer que a Teologia da Libertação junto com a Igreja da Libertação que lhe subjaz é um dos poucos movimentos eclesiais que no século XX conheceu o martírio, curiosamente praticados por cristãos repressores, atingindo leigos e leigas, religosas e religiosos, pastores, teólogos e teólogas não poupando mesmo bispos como Dom Angelelli da Argentina e Dom Oscar Arnulfo Romero de El Salvador. É o sinal da verdade desta opção pelos pobres.

Por fim, a Teologia da Libertação chama as demais teologias à sua responsabilidade social no sentido de colaborarem na gestação de um mundo mais justo e fraterno. Sua missão não se esgota numa diligência ad intra, ao espaço eclesial. Se ela não quiser escapar da indiferença e do cinismo deve se deixar mover pelo grito dos oprimidos que sobe das entranhas da Terra. Poucos são os que escutam esse clamor. Uma teologia que silencia diante do tragédia dos milhõs de famélicos e condenados a morrer antes do tempo, não tem nada a dizer sobre Deus ao mundo.



7. A Teologia da Libertação como revolução cultural



Por fim, a Teologia não representou apenas uma revolução espiritual. Ela significou também uma revolução cultural. Contribuiu para que os pobres ganhassem visibilidade e consciência de suas opressões. Gestou cristãos que se fazeram cidadãos ativos e a partir de sua fé se empenharam em movimentos sociais, em sindicatos e em partidos no propósito de dar corpo a um sonho, que tem a ver com o sonho de Jesus, o de construir uma convivência social na qual o maior número possa participar e todos juntos possam forjar um futuro bom para a humanidade e para a natureza.

É mérito da Igreja da Libertação com sua Teologia da Libertação subjacente ter contribuido decididamente na construção do Partido dos Trabalhadores, do Movimento dos Sem Terra, do Conselho Indigenista Missionário, da Comissão da Pastoral da Terra, da Pastoral da Criança, dos Hansenianos e dos portadores do virus HIV que foram os instrumentos para praticar a libertação e assim realizar os bens do Reino. Aqui o cristianismo mostrou e mostra a primazia da ortopraxis sobre a ortodoxia e a importância maior das práticas sobre as prédicas.

Nascida na América Latina, esta teologia se expandiu por todo o terceiro mundo, na Africa, na Asia, especialmente naquelas Igrejas particulares que penetraram no universo dos pobres e oprimdos e em movimentos dos paises centrais ligados à solidariedade internacional e ao apoio às lutas dos oprimidos, na Europa e nos Estados Unidos. De forma natural, ela se associou ao Forum Social Mundial e encontrou lá visibilidade e espaço de contribuição às grandes causas vinculadas ao um outro mundo possível e necessário, articulando o discurso social com o discurso da fé.

Em todas as questões abordadas, a preocupação é sempre essa: como vai a caminhada dos pobres e dos oprimdos no mundo? Como avança o Reino com seus bens e que obstáculos encontra pela frente, vindos da própria instituição eclesial, não raro tardia em tomar posições e insensível aos problemas do homem da rua e aqueles derivados principalmente das estratégias dos poderosos, decididos em manter invisíveis e silenciados os oprimidos para continuarem sua perversa obra de acumulação e dominação.



8. O futuro da Teologia da Libertação



Que futuro tem e terá a Teologia da Libertação? Muitos pensam e lhe interessa pensar assim que ela é coisa dos anos 70 do século passado e que já perdeu atualidade e relevância. Só mentalidades cínicas podem alimentar tais desejos, totalmente alienadas com o que passa com o planeta Terra e com o destino dos pobres no mundo. O desafio central para o pensamento humanitário e para a Teologia da Libertação é exatamente o crescente aumento do número de pobres e o acelerado aquecimento global e a opressão dos pobres. Lamentavelmente, cada vez menos pessoas, grupos e igrejas estão dispostos a ouvir seu clamor canino que se dirige ao céu. Uma Igreja e uma teologia que se mostram insensíveis a esta paixão se colocam a quilômetros luz da herança de Jesus e da libertação que ele anunciou e antecipou.

A Teologia da Libertação não morreu. Ela é atualmente mais urgente do que quando surgiu no final dos anos 60 do século XX. Apenas ficou mais invisível pois saiu do foco das polêmicas que interessam a opinião pública. Enquanto existirem neste mundo pobres e oprimidos haverá pessoas, cristãos e Igrejas que farão suas as dores que afligem a pele dos pobres, suas as angústias que lhes entristecem a alma e seus os golpes que lhes atingem o coração. Estes atualizarão os sentimentos que Jesus teve para com a humanidade sofredora.

No contexto atual de degradação da Mãe Terra e da devastação continuada do sistema-vida, a Teologia da Libertação entendeu que dentro da opção pelos pobres deve incluir maximamente a opção pelo grande pobre que é o Planeta Terra.

Ele é vítima da mesma lógica que explora as pessoas, subjuga as classes, domina as nações e devasta a natureza. Ou nos libertamos desta lógica perversa ou ela nos poderá levar a uma catástrofe social e ecológica de dimensões apocalípticas, não excluída a possibilidade até da extinção da espécie humana. A inclusão desta problemática, quiça, a mais desafiante de nosso tempo, fez nascer uma vigorosa Ecoteologia da Libertação. Ela se soma a todas as demais iniciativas que se empenham por um outro paradigna de relação para com a natureza, com outro tipo de produção e com formas mais sóbrias e solidárias de consumo.

Que futuro tem a Teologia da Libertação? Ela tem o futuro que está reservado aos pobres e oprimidos. Enquanto estes persistirem há mil razões para que haja um pensamento rebelde, indignado e compassivo que se recusa aceitar tal crueldade e impiedade e se empenhará pela libertação integral.

Ela não terá lugar dentro do atual sistema capitalista, máquina produtora de pobreza e de opressão. Ela só poderá existir na forma de resistência, sob perseguições, difamações e martírios. Mesmo assim, porque nenhum sistema é absolutamente fechado, ela poderá colocar cunhas por onde o pobre e o oprimido construirão espaços de liberdade. Por isso, a Teologia da Libertação possui uma clara dimensão política: ela quer a mudança da sociedade para que nela se possam realizar os bens do Reino e os seres humanos possam conviver como cidadãos livre e participantes.

Que futuro tem a Teologia da Libertação denro do tipo de Igreja-instituição que possuimos? Mantido o atual sistema, cujo eixo estruturador é a sacra potestas, o poder sagrado, centralizado somente na hierarquia, ela só poderá ser uma teologia no cativeiro e relegada à marginalidade. Ela é disfuncional ao pensamento oficial e ao modo como a Igreja se organiza hierarquicamente: de um lado o corpo clerical que detém o poder sagrado, a palavra e a direção, e do outro, o corpo laical, sem poder, obrigado a ouvir e a obedecer. Na esteira do Concílio Vaticano II, a Teologia da Libertação se baseia num conceito de Igreja comunhão, rede de comunidades Povo de Deus e poder sagrado como serviço.

Esta visão de Igreja foi nos últimos decênios praticamente anulada por uma política curial de volta à grande disciplina e pelo reforço à estrutura hierárquica de orgnização eclesial.

Assim se fecharam as portas à conciliação tentada pelo Concílio Vaticano II entre Igreja Povo de Deus e Igreja Hierárquica, entre Igreja-poder e Igreja-comunhão. O difícil equilíbrio alcançado foi logo rompido ao se entender a comunhão como comunhão hierárquica, o que anula o conteúdo inovador deste conceito que supõe a participação equânime de todos e a hierarquia funcional de serviços e não a hiierarquia ontológica de poderes. A burocracia vaticana e os Papas Wojtyla e Ratzinger nterpretaram o Vaticano II à luz do Vaticano I centralizando novamente a Igreja ao redor do poder do Papa e esvaziando os poucos órgãos de colegialidade e participação.

Não devemos ocultar o fato de que ao optar pelo poder a Igreja institituição optou pelos que também têm poder, numa palavra, os ricos. Os pobres perderam centralidade. A eles está reservada a assistência e a caridade que nunca faltaram. Mas quem opta pelo poder fecha as portas e as janelas ao amor e à misericórdia. Lamentavelmente ocorreu com o atual modelo de Igreja, burocrático, frio e nas questões concernentes à sexualidade, a homoafetividade, à AIDS e ao divórcio, sem misericórdia e humanidade.

Nestas condições, não há como fazer uma Teologia da Libertação como um bem da Igreja local e universal que toma a sério a questão dos pobres e da justiça social. Ela subverte a ordem estabelecida das coisas. Seu destino será a deslegitimação e a perseguição. Não será exagero dizer que ela vive e viveu o seu mistério pascal: sempre rejeitada, sempre sepultada e também sempre de novo ressuscitada porque o clamor dos pobres não permite que ela morra.

Mas na Igreja instituição, apesar de suas graves limitações, sempre há pessoas, homens e mulheres, padres, religiosos e religiosas e bispos que se deixam tocar pelos crucificados da história e se abrem ao chamado do Cristo libertador. Não apenas socorrem os pobres mas se colocam do lado deles e com eles caminham buscando formas alternativas de viver e de expressar a fé.

Qual o futuro da Teologia da Libertação? Ecumênica desde seus inícios, ela vicejará naquelas Igrejas que se remetem ao Jesus dos evangelhos, àquele que proclamou benaventurados os pobres e que se encheu de compaixão pelo povo faminto e que, num gesto de libertação, multiplicou os pães e os peixes. Estas Igrejas ou porções delas, ousadamente mantem a opção pelos pobres contra a sua pobreza. Entenderão esta opção como um imperativo evangélico e a forma, talvez a mais convincente, de preservar o legado de Jesus e de atualizá-lo para os nossos tempos.



9.Onde encontrar hoje a Teologia da Libertação



Qual será o futuro da Teologia da Libertação? Está em seu presente. Ela continua viva e cresce, com caráter ecumênico, na leitura popular da Bíblia, nos círculos bíblicos, nas comunidades eclesiais de base, nas pastorais sociais, no movimento fé e política e nos trabalhos pastorais nas periferias das cidades e nos interiores do paises. Neste nivel e por sua natureza ecumênica e popular esta teologia, de certa forma, escapa da vigilância das autoridades doutrinárias.

Ela é a teologia adequada àquelas práticas que visam a transformação social e a gestação de um outro modo de habitar a Terra. Se alguém quiser encontrar a Teologia a Libertação não vá às faculdades e institutos de teologia. Ai encontrará fragmentos e poucos representantes. Mas vá às bases populares. Ai é seu lugar natural e ai viceja vigorosamente. Ela está reforçando o surgimento de um outro modelo de Igreja mais comunitário, evangélico, participativo, simples, dialogante, espiriual e encarnado nas culturas locais que lhe conferem um rosto da cor da população, em nosso caso, indio-negro-latinoamericano.

Alçando a vista numa perspectiva universal, tenho uma como que visão. Vejo a multidão de pobres, de mutilados, aqueles que o Apocalipse chama “de sobreviventes da grande tribulação” (7,14) cujas lágrimas são enxugadas pelo Cordeiro, organizados em pequenos grupos erguendo a bandeira do Evangelho eterno, da vida e da libertação. Seguidores do Servo sofredor e do Profeta perseguido e ressuscitado a eles está confiado o futuro do Cristianismo, disseminado no mundo globalizado em redes de comunidades, enraizado nas distintas culturas locais e com os rostos dos seres humanos concretos. Deixando para trás a pretensão de excepionalidade que tantas separações trouxe, se associarão a outras igrejas, religiões e caminhos espirituais no esforço de manter viva a chama sagrada da espiritualidade presente em cada pessoa humana.

Dentro deste tipo comunional e de mútua aceitação das diferentes igrejas, a Teologia da Libertação terá um lugar natural. Ela recolherá reflexivamente os esforços dos cristãos pelo resgate da dignidade dos pobres e da dignidade e dos direitos da Terra e animará a caminhada da humanidade rumo a um mundo que ainda não conhecemos mas que cremos estar alinhado àquele que Jesus sonhou.

Então, Teologia da Libertação terá cumprido a sua missão. Comprenderá que no binômio Teologia da Libertação, o decisivo não é a Teologia mas a Libertação real e histórica, porque esta e não aquela é um dos bens do Reino de Deus.



Leonardo Boff em 09.08.2011

Leonardo Boff, 1938, doutorado em teologia e filosofia, foi durante mais de 20 anos professor de teologia sistemática no Instituto Teológico Franciscano de Petrópolis e depois professor de ética, filosofia da religião e de ecologia filosófica na Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Foi professor visitante em várias universidades estrangeiras e galardoado com vários dr.h.c. Escreveu mais de 80 livros nas várias áreas teológicas e humanísticas e sempre se entendeu no âmbito da Teologia da Libertação.




quinta-feira, 23 de junho de 2011

TdL em Mutirão: ESPIRITUALIDADE, TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO & JUVENTUDE

ESPIRITUALIDADE, TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO & JUVENTUDE

No princípio:

O objetivo principal deste texto e dos outros que virão é explicar, é esclarecer, para a juventude que participa das comunidades eclesiais de base o que é a Espiritualidade da Libertação (EdL) e a Teologia da Libertação (TdL), quem são seus principais teóricos e pensadores, e como elas e eles ajudam na caminhada e na construção da Civilização do Amor.

A EdL e a TdL se originaram da e na experiência das primeiras comunidades cristãs na divulgação do Evangelho do Moreno de Nazaré, passando pela iniciativa da Ação Católica Geral e Especializada até se tornarem um movimento extraordinário na segunda metade do século XX na América Latina. Começam a germinar de fato nos desdobramentos do Concílio Ecumênico Vaticano II (1962 – 1965), com a abertura da Igreja Católica à modernidade, se afirmavam termos como: a Igreja dos Pobres, aggiornamento, sinais dos tempos. O grande nome do Concílio Vaticano II foi o arcebispo de Recife e Olinda: D. Hélder Pessoa Câmara, que alguns anos antes havia criado a CNBB e o CELAM; o arcebispo não fez nenhum discurso, seu trabalho era de articulação e organização nos bastidores, ou melhor, nas catacumbas. D. Hélder foi um dos mentores do Pacto das Catacumbas, uma declaração de extrema beleza, ternura e despojamento, assinado por bispos, que tinham como maior objetivo servirem humildemente, sem nenhuma pompa, honrarias ou benefícios o Povo Santo de Deus.

Na América Latina, o ateísmo nunca foi o principal problema. O problema de ontem e de hoje é a pobreza institucionalizada (econômica e politicamente), que é uma afronta ao Deus Abbá de Jesus de Nazaré; a vivência religiosa irá exigir nos anos seguintes ao Concílio uma gradual e radical transformação da sociedade.

Os novos ares soprados pelo Concílio chegaram na América Latina e deram frutos saborosos com a Conferência dos Bispos em Medellín (1968 – Colômbia). Estava jogada no chão adubado com sangue de Nossa América, as sementes da EdL e da TdL.

Em 1971, o padre Gustavo Gutiérrez escreve a obra fundante: Teologia da Libertação – Perspectivas; dando início a uma série de novos e intensos escritos a partir e sobre a EdL e a TdL. Do lado protestante, os primeiros escritos nesta direção brotam do coração de Rubem Alves. Em 1972, o franciscano Leonardo Boff escreve Jesus Cristo Libertador, iniciando no Brasil todo o debate em torno da EdL e de sua TdL. Em 09 de abril de 1986, o Beato João Paulo II escreveria a CNBB uma carta com estas palavras: “Na medida em que se empenha por encontrar aquelas respostas justas – penetradas de compreensão para com a rica experiência da Igreja neste País, tão eficazes e construtivas quanto possível e ao mesmo tempo consonantes e coerentes com os ensinamentos do Evangelho, da Tradição viva e do perene Magistério da Igreja – estamos convencidos, nós e os Senhores, de que a Teologia da Libertação é não só oportuna mas útil e necessária. Ela deve constituir uma nova etapa – em estreita conexão com as anteriores – daquela reflexão teológica iniciada com a tradição apostólica e continuada com os grandes padres e doutores, com o magistério ordinário e extraordinário e, na época mais recente, com o rico patrimônio da Doutrina Social da Igreja, expressa em documentos que vão da Rerum novarum à Laborens exercens.”



Emerson Sbardelotti

Estudante de Teologia, Historiador, Turismólogo

Coordenador Teológico do Instituto João Maria Vianney - Teologia para Leigos e Agente de Pastoral Leigo da Paróquia Nossa Senhora da Conceição Aparecida – Cobilândia, Vila Velha - ES

terça-feira, 26 de abril de 2011

ENTREVISTA: EMERSON SBARDELOTTI - blog chat nacional da PASTORAL DA JUVENTUDE

Neste domingo, 24 de abril de 2011, o Blog Chat Nacional da Pastoral da Juventude entrevistou o poeta, escritor e assessor Emerson Sbardelotti Tavares...ele falou da sua caminhada na PJ, novos projetos, sonhos e alegrias... você encontra esta entrevista clicando aqui e no link: http://chatpjnacional.blogspot.com/

Emerson Sbardelotti Tavares


Cidade: Vila Velha

Estado: Espírito Santo

Idade: 38 anos

Email: emersonpjbes@hotmail.com ou sbardelotti@gmail.com

Msn: emersonpjbes@hotmail.com

Orkut: ® Emerson Sbardelotti ®

Facebook: Emerson Sbardelotti

Blog: http://omisterioeautopia.blogspot.com/

Twitter: @poetaemerson

Outro(s): http://clube-ccac.ning.com/profile/EmersonSbardelotti

Estado Civil: solteiro


Quais suas principais características?

Gosto da minha barba que está quase toda branca.Tenho um sorriso acolhedor e um olhar misterioso. Sou carinhoso, atencioso, muito direto e verdadeiro em tudo na vida. Mas sei pedir desculpa quando erro, peço na hora, não deixo para depois.

Sou de festejar todas as minhas vitórias, por menores que elas sejam.

Tenho uma personalidade forte: 8 ou 80 – ou me ama ou me odeia. Não sou de levar desaforo para casa. Não gosto de conviver com gente dissimulada e mentirosa. Verdade pra mim é tudo. Tenho um temperamento que já foi difícil, explosivo, mas hoje, é tratado à base do diálogo e do encontro, penso muito antes de falar qualquer coisa, acredito que encontrei a ternura de viver.

Quais as origens da sua família?

Por parte de pai, vim ao mundo do encontro de negros com portugueses. Meu avô paterno foi tataraneto de escravos que foram levados para Aracajú – SE. Quando meu pai veio com meu avô de Sergipe, moraram no norte do Estado do Espírito Santo, interior, município de João Neiva, meu avô fazia sinos para a Igreja. Por parte de mãe, vim ao mundo do encontro de italianos (meu avô) com alemães (minha avó). Meus avôs eram descendentes de imigrantes, foram morar em Vargem Alta, depois, Alto Caldeirão, e depois em Santa Tereza, cidades do interior do ES, só depois já na década de 60 vieram morar na capital, Vitória. Meu avô era um dos melhores pedreiros e carpinteiros da região. Minha avó era do lar.

Estudante? Qual o Curso?

Sim. Teologia – no Instituto de Filosofia e Teologia da Arquidiocese de Vitória do Espírito Santo

De que forma você relaciona sua opção "profissional" com sua caminhada pastoral? Em sua opinião, há algum ponto em comum entre elas?

Meu primeiro curso superior foi Turismo, atuei em hotéis, pousadas, trabalhei em eventos, desde 2008 leciono no Curso Técnico em Turismo e Hospedagem. Fiz uma complementação pedagógica que me licenciou em História, curso que adoro e que leciono no pré-vestibular popular que coordeno desde 1998. Agora estudando Teologia, posso colaborar ainda mais na Paróquia Nossa Senhora da Conceição Aparecida, de Cobilândia, que é a que patrocina o meu estudo; sem essa confiança, eu não conseguiria nunca fazer este curso superior.

Sempre procurei unir todos os cursos que fiz na minha trajetória profissional com a minha caminhada pastoral. Há muitos pontos em comum, pois tudo o que aprendi na Comunidade Eclesial de Base e na Pastoral da Juventude levei para dentro da Academia, inclusive essa caminhada, me fez ser diferente dos outros estudantes, pois o fato de estar sempre envolvido com temas sociais, facilitou na hora de defender uma tese, partilhar uma idéia, ou até mesmo apresentar um trabalho na frente da turma.

Com quais atividades você ocupa seu tempo?

No momento estou começando a fazer a minha monografia que tem como tema: ECOTEOLOGIA: DO GRITO DOS POBRES AO GRITO DA TERRA, NA PERSPECTIVA DA TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO EM LEONARDO BOFF! Portanto, estou lendo vários livros, fazendo anotações, escrevendo para pessoas que possam ler o que escrevo.

Tenho participado dos ensaios da banda Utópicos Urbanos, banda cover oficial do Barão Vermelho no Estado do Espírito Santo, onde sou o vocalista. Leciono as matérias: Segundo Testamento e Cristologia, no Instituto João Maria Vianney – Teologia para Leigos – Paróquia de Cobilândia. Sábado e domingo, quando não tenho shows, estou à disposição das comunidades de base da Paróquia, assessorando e ou fazendo a homilia/partilha da Palavra.

Algum dom artístico?

Sou vocalista, letrista, tenho várias composições pé-no-chão (que estão no meu site acima citado), conto piada, tenho dois livros publicados: o primeiro é O Mistério e o Sopro – roteiros para acampamentos juvenis e reuniões de grupos de jovens. O segundo livro: Utopia Poética.


O que gostaria que todos soubessem sobre sua Historia?

Nasci no dia 13 de setembro de 1972, Vitória – Espírito Santo. Minha atuação sempre foi com Juventude: Pastoral da Juventude, Crisma, Música.Faço conferências nas áreas de Espiritualidade e Mística, Juventude, Bíblia e Liturgia.Sou adepto da Teologia da Libertação.Do passado, só me arrependo de não ter feito tudo o que fiz melhor.


 
Onde, com quem, como você conheceu a Pastoral da Juventude?

Comecei minhas atividades pastorais em 1980, quando fiz a Primeira Eucaristia na Igreja Matriz, depois de alguns anos fui servir na equipe de catequese da comunidade eclesial de base Nossa Senhora do Magnificat. Conheci a Pastoral da Juventude em 1985, nas comemorações do Ano Internacional da Juventude, no Ginásio Dom Bosco-Salesiano, Vitória-ES. Participei de todas as instâncias da PJ: grupo, paróquia, área pastoral, coordenação arquidiocesana, fui secretário arquidiocesano na passagem dos anos 80 para 90, e micro-capixaba (as quatro dioceses capixabas) ou Sub-Regional Leste II. Participei da equipe que elaborou o projeto Momento Novo – projeto de formação de lideranças jovens; da equipe que planejou o projeto Germinando – projeto de formação para coordenadores paroquiais e de grupos de jovens.

E hoje? Participa de algum grupo de base? Qual?

Estou re-começando a acompanhar alguns grupos de jovens na Paróquia de Cobilândia, que sentiram vontade de conhecer o trabalho da PJ, que havia desaparecido da região depois do afastamento espontâneo de várias lideranças. Fui convidado para falar sobre a Realidade Histórica da PJ: sua proposta e mística. Estou chegando bem devagar, pois já tive pressa, vou levando um sorriso, pois já chorei demais. Estou indo nas reuniões apenas para ouvir, fico no meu canto, anotando as conclusões, os desejos, as insatisfações e rezando para que não desistam do caminho pedregoso que querem seguir. Acredito que participo de todos estes grupos, levando o meu abraço e caminhando junto.

Quais as principais atividades do grupo onde você participa?

Os grupos que comecei a acompanhar ainda estão na fase de nucleação da PJ, pois a experiência anterior eram de grupos do EJC + Oração, portanto, a caminhada será longa, mas eles estão animados com a novidade: PJ (mística, pedagogia, proposta libertadora).

As atividades principais destes grupos são todas voltadas para ajudar as equipes nas comunidades onde estão inseridos. Alguns estão na equipe de Crisma, outros nas equipes de Liturgia e Música. Não há uma equipe de coordenação paroquial, nem se comenta sobre isso ainda.

Cite um momento marcante do grupo!

A criação do GRUAL – Projeto Rumo a Universidade, inteiramente grátis, para pessoas de baixa renda e oriundas do ensino público.

A apresentação teatral da música PELOS CAMINHOS DA AMÉRICA num show do Zé Vicente.

Sabemos que a Pastoral já teve importante papel na história, politicamente. E hoje, de que forma você acredita que a PJ vem contribuindo com a sociedade?

Nas dioceses em que o Setor Juventude, realmente assumiu o seu papel, de acordo com o documento 85 da CNBB: Evangelização da Juventude; o trabalho da PJ na esfera sócio-política tem dado bons frutos. Veja as campanhas que são encabeçadas pela PJ, é trabalho sério, de gente séria. Mas isso ainda é pouco, pois enquanto existir a pobreza, a exclusão, a discriminação, a fome, não estaremos na herança do Reino.

Como diria meu amigo D. Pedro Casaldáliga: Na vida tudo é política... “Todo es politico. Aunque lo político no lo es todo (Tudo é político. Mesmo que o político não seja tudo)”.

É claro que há várias lideranças dentro da Igreja e algumas, infelizmente, dentro da própria PJ, que sempre irão virar a cara para as ações e atividades que a PJ realiza, pois ainda possuem aquele velho pensamento de que a PJ é uma tendência do Partido dos Trabalhadores, que não possui espiritualidade, que não reza, que só serve para animar festa de comunidade. Generalização não leva a nada.

E o que fazer nesta hora de desânimo? Levantar, tirar a poeira dos pés e seguir em frente.

A PJ não tem hoje a mesma visibilidade que tinha nas décadas de 80 e 90, mas sua estética evangélica, sua adesão popular, sua profecia itinerante, não pode se calar diante às forças da morte, que imperam no Brasil. A pior violência a ser enfrentada pela PJ é a violência política: o mal enraizado nas esferas de poder: municipal, estadual e federal. Digo isso, pois a cada dia, sempre é aprovado um projeto, uma lei que favorece a elite deste país, e aumenta ainda mais o estado de miséria da população. Não há leis no país que protejam de fato as juventudes. Os estatutos são dúbios, respondem a interesses não muito claros, dão margem a várias interpretações, menos aquela que deveria de fato resguardar a dignidade humana das juventudes.


 
Além da Pastoral da Juventude, dentro da Igreja Católica você tem algum outro tipo de engajamento?

Tenho me dedicado ao Instituto João Maria Vianney, lecionando Primeiro Testamento, Cristologia, História da Igreja. Em assessorar as equipes de serviço da Paróquia de Cobilândia. Em conhecer o povo das comunidades, para sempre mais falar como o povo e viver como o povo vive. Quando faço isso, um pouquinho que seja, sinto Deus em todo o meu corpo, em todo o meu ser...só consigo entender o mundo assim, pois sinto Deus nestas pessoas da Paróquia.

E fora? Está envolvido em algum outro movimento?

Estou envolvido na legalização enquanto ONG e depois OSCIPE do INSTITUTO CAPIXABA DE JUVENTUDE – ESPÍRITO SANTO (ICJ-ES), que era um sonho meu e de mais uns sete militantes da PJ que hoje atuam em outras equipes dentro e fora da Igreja. A primeira ação concreta foi o pré-vestibular popular COMUNA (Comunidade Ativa) que atende 30 jovens oriundos da rede pública estadual, onde todos os professores são voluntários e são da Paróquia e que todos os anos colocam de 7 a 10 jovens na UFES e alguns em outras instituições de ensino superior.

O ICJ-ES tem além do pré-vestibular popular, uma parceria com a Banda de Congo São Benedito da Glória, o projeto Criança Congo, onde crianças de rua aprendem a fazer instrumentos do Congo e a cantar e a dançar.

De que forma gostaria de ser lembrado pela posteridade?

Eu queria ser lembrado como um poeta pé-no-chão, um humilde trabalhador do Reino... e neste momento, me sentindo como o salmista que, pensando em si e para si mesmo sentenciava: “Considerando os dias passados, tenho os olhos voltados para a eternidade!”

Ou então, por aquela fala antiga: “E quando chegar a hora, a hora suprema do encontro, que me perguntarás, ó meu Deus? Pouco importa o que dirás. Silencioso. Apenas mostrarei as mãos deformadas pelo trabalho. E abrirei o coração cheio dos nomes que amei!”


 
Que mensagem gostaria de deixar para as pejoteiras e pejoteiros que estão lendo tua entrevista agora?

Não desistam de seus sonhos, por menores que sejam.

Não desistam da Paz militante do Reino da Vida.

Não desistam do martírio e nem brinquem com o sangue dos mártires.

Não desistam da unidade, mesmo que todos falem o contrário.

Não abram mão de serem apenas vocês mesmos, com todos os erros e acertos que possam caber dentro de vocês.

Não abram mão de amarem e serem amados.

Não abram mão do estudo, da leitura e do escrever.

Não abram mão do diálogo e do encontro, pessoal e real, pois a virtualidade nos afasta mais do que nos aproxima.

Não abram mão da coletividade, do comunitário.

Não sofram por antecedência, vivam a cada dia, a cada segundo, sabendo que Deus é Abbá, que Deus tem entranhas.

Não sofram demais pelas derrotas, mas vibrem muito por cada pequena ou grande vitória na caminhada de vocês.

Não se esqueçam que as pedras estão no caminho apenas para lembrar que problemas foram feitos para serem vencidos.

Não deixe nunca de sorrir, não há arma melhor do que um lindo sorriso.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

LOGOMARCA 01 DA PJ CAPIXABA


Logomarca da PJ Capixaba:
Emerson Sbardelotti (Paróquia Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Cobilândia, Vila Velha-ES - assessor e agente de pastoral leigo) pegou a bandeira do Estado do Espírito Santo, e mostrou para Thiesco (Secretário Nacional da PJ) que a montou uma cruz estilizada a partir da logomarca oficial da PJ.
Nascia assim, no dia 10 de janeiro de 2011 a Logomarca da PJ Capixaba dentro das cores da bandeira do Estado do Espírito Santo.

 

LOGOMARCA 02 DA PJ CAPIXABA


Logomarca da PJ Capixaba:
Emerson Sbardelotti (Paróquia Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Cobilândia, Vila Velha-ES - assessor e agente de pastoral leigo) pegou a bandeira do Estado do Espírito Santo, e mostrou para Thiesco (Secretário Nacional da PJ) que a montou uma cruz estilizada a partir da logomarca oficial da PJ.
Nascia assim, no dia 10 de janeiro de 2011 a Logomarca da PJ Capixaba dentro das cores da bandeira do Estado do Espírito Santo.

terça-feira, 29 de março de 2011

COMBLIN...O PADRE JOSÉ DAS CEBS!

Sobre o Padre José Comblin, saudade e satisfação em poder ter tido a oportunidade de ouví-lo e abraçá-lo.

Nunca foi apenas um teórico pesquisador, muito menos se considerava um profeta, mas sua teoria e profecia, nascia da prática cotidiana no meio do Povo de Deus.

Suas polêmicas tinham o doce sabor da rebeldia não violenta aprendida e experimentada no Moreno de Nazaré, e com o povo a quem pastoreava em suas aulas, nas paróquias por onde passou.

Quando esteve aqui em Vitória - ES, por duas vezes, tive a oportunidade de ver este, que sem dúvida é, era, um dos maiores Teólogos (sim, com T maiúsculo, pois tem uns aí que não deveriam ser chamados de teólogos) da Libertação e da Igreja, que eu conheci,  e o povo simples, neste estou presente, sempre o chamei de Padre José.

Uma perda para as Cebs, uma perda para o Povo de Deus.

Padre José Comblin era um  inquieto, sem medo das perseguições sofridas pelos poderosos deste país. Saiu quando foi preciso sair, voltou quando foi preciso voltar, mas sua voz nunca se calou.

Essa é a missão de um grande missionário e discípulo, que se fazia o menor entre todos os outros.

Estamos testemunhando, nestes 10 anos do século XXI, o fim da grande geração de Teólogos da Libertação. Fim, não somente porque estão atingindo uma maior idade, mas porque quem chega da academia, não está preocupado em escrever, em experimentar esta Teologia que é afrolatíndia americana. E quem irá levar para frente o legado construído durante esses últimos 40 anos?

Folheando as páginas de alguns livros que tenho do padre Comblin, vejo que apesar dos seus bem vividos 88 anos, ele estava muito além do nosso tempo, sem contudo, perder a ternura e o amor com os pobres do Reino.

Comblin, querido Padre José, muito obrigado, por não se calar e por ensinar a não nos calar.



Emerson Sbardelotti

Coordenador do Instituto Capixaba de Juventude do Espírito Santo

Vila Velha-ES

domingo, 27 de março de 2011

JOSÉ COMBLIN? - PRESENTE!

Teólogo da libertação José Comblin morre aos 88 anos na BA



O sacerdote belga José Comblin, um dos mais importantes representantes da Teologia da Libertação e que chegou a ser expulso do Chile e do Brasil por suas ideias, morreu neste domingo, aos 88 anos, na Bahia por causas naturais, informaram fontes eclesiásticas. Comblin, um estudioso da Igreja da América Latina e autor de obras como Teologia da Libertação e Ideologia da Segurança Nacional, morreu na cidade de Simões Filho, onde lecionava um curso na comunidade de base.



O sacerdote, que tinha problemas cardíacos e usava marca-passo, foi encontrado morto no quarto no qual estava hospedado por outros religiosos que o esperavam para a oração matinal e que estranharam sua demora. O corpo do religioso belga será velado neste domingo em Salvador e sepultado na Paraíba, segundo seus desejos, disseram porta-vozes da Arquidiocese de Barra, onde residia.



Comblin foi um dos seguidores e principais assessores do bispo brasileiro Hélder Câmara, o defensor dos Direitos Humanos e da opção da Igreja pelos pobres que chegou a ser conhecido durante a ditadura brasileira como o "bispo vermelho".

domingo, 6 de março de 2011

UTOPIA POÉTICA


UTOPIA POÉTICA
EDITORA: CEBI (pedidos pelo http://www.cebi.org.br/)
R$ 13,00 + FRETE
APRESENTAÇÃO: ZÉ VICENTE
AUTOR: EMERSON SBARDELOTTI TAVARES
ANO: 2007

O MISTÉRIO E O SOPRO - ROTEIROS PARA ACAMPAMENTOS JUVENIS E REUNIÕES DE GRUPOS DE JOVENS


O MISTÉRIO E O SOPRO - ROTEIROS PARA ACAMPAMENTOS JUVENIS E REUNIÕES DE GRUPOS DE JOVENS
EDITORA: CPP (pedidos pelo site http://www.cpp.com.br/)
PREÇO: R$ 3,00 + FRETE
APRESENTAÇÃO: D. PEDRO CASALDÁLIGA
AUTOR: EMERSON SBARDELOTTI TAVARES
ANO: 2005

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

DIMENSÕES DA FORMAÇÃO INTEGRAL

INTRODUÇÃO

As Dimensões da Formação Integral na Pastoral da Juventude, nasceram de uma necessidade natural de mulheres novas e homens novos, chamadas, chamados a serem discípulas, discípulos, missionárias e missionários, a partir de um Processo de Educação na Fé, neste Brasil marcado por contrastes, desigualdades, discriminação, exclusão, violência e extermínio das juventudes.
A Pastoral da Juventude, desde a década de 1980, do século XX, vem amadurecendo no Brasil, um projeto em conjunto com as Comunidades Eclesiais de Base – CEBs, com uma Espiritualidade e Teologia da Libertação, que adquiriu um almejado equilíbrio entre as várias dimensões da formação humana, superando inúmeras vezes a fácil tentação de absolutizar uma dimensão em detrimento da outra.
Muitas estradas foram percorridas desde então. Quem se formou, hoje está doando seu tempo na formação de outros novos seres humanos. Mas ainda há muitas pedras, espinhos e perigos.
As Dimensões da Formação Integral só acontecem com plenitude, quando as juventudes estão reunidas em pequenos grupos, inseridos nas suas comunidades eclesiais de base, comprometidos de fato com a caminhada da sua Igreja local, impulsionados pelo Sopro Divino trazido a partir da novidade do evento Jesus de Nazaré e, partilhado nos meios específicos onde há a utopia e a construção da Civilização do Amor e, portanto, da Nova Sociedade.
“Mais que a uma reflexão, somos chamados a uma maior proximidade do mundo juvenil, para que a partir da própria juventude, descubramos caminhos novos na evangelização, contemplando seus reais anseios e apresentando-lhes a pessoa de Jesus Cristo, com seu rosto verdadeiro, capaz de encantar e atrair, para que os jovens o conheçam, o sigam e encontrem nele uma resposta convincente; consigam acolher uma mensagem e tornarem-se seus discípulos [...]. A evangelização da juventude não se justifica apenas pela preocupação da Igreja em aumentar os seus membros, ou garantir seu futuro. O empenho na evangelização da juventude nasce da consciência da própria Igreja de sua missão evangelizadora, de sua fidelidade ao mandato recebido e pela convicção da riqueza presente na juventude, e que, sem ela, a Igreja seria fartamente empobrecida” (Homilia de D. José Mauro Pereira Bastos na 44ª. Assembléia Geral da CNBB).
A Pastoral da Juventude com sua metodologia, mística, alegria e proposta de formação integral é hodierna, necessária e fundamental para toda a Igreja.
Acompanhar a juventude, dar oportunidade para que se encontrem, reflitam, se conheçam, aprofundem seus conhecimentos, se decidam enquanto seres humanos e se comprometam com as propostas de Jesus de Nazaré, com uma comunidade eclesial de base e com a defesa da vida deve pontuar a leitura daqui em diante.

1. DIMENSÃO DA DESCOBERTA DO GRUPO (PERSONALIZAÇÃO)

O objetivo dessa dimensão é favorecer o autoconhecimento e a valorização da pessoa humana a partir da história de cada um, de cada uma, percebendo a importância dessa história na construção da identidade pessoal, destacando as qualidades e os defeitos, relacionando na medida do possível as principais virtudes que uma pessoa deve viver, acolhendo o Projeto de Vida de Deus no ambiente do pequeno grupo de jovens da Cebs, da realidade em que está inserida.
Personalização é a dimensão da relação do jovem consigo mesmo, também chamada de dimensão psicoafetiva. Ela tenta responder as necessidades do amadurecimento afetivo e da formação positiva da personalidade. É a busca constante da resposta à pergunta fundante: Quem sou eu?
O documento 85 da CNBB: Evangelização da Juventude – desafios e perspectivas pastorais assim diz a respeito:
“[...] As perguntas de fundo são: Quem sou eu? Qual é a relação comigo mesmo? São perguntas importantes para o autoconhecimento e para a construção da personalidade do jovem. Sem a capacidade de autoconhecimento e autocrítica, o jovem é incapaz de analisar as situações com objetividade, de administrar os conflitos e de se relacionar com outros de uma maneira equilibrada. Sem esta dimensão torna-se difícil o silêncio interior e o encontro com Deus na oração e a verdadeira conversão.”
É nessa etapa da vida que a juventude deve acolher a própria vida, ela se descobre enquanto pessoa e entende que não nasce pronto, mas vai se construindo cotidianamente. Dando estes passos, se descobre e começa a construir um projeto de vida interligado ao projeto de vida do Moreno de Nazaré.

2. DIMENSÃO DA INTEGRAÇÃO COMUNITÁRIA

O objetivo dessa dimensão é despertar para a importância e a necessidade do diálogo verdadeiro, em qualquer tipo de relacionamento, principalmente numa amizade ou durante um namoro, percebendo o que é, como ser e como ter um verdadeiro amigo, despertando o valor do grupo, da comunidade, da paróquia, levando a juventude a perceber o grande valor que é a família que cada um tem na vida de todos, enquanto jovens e enquanto pessoa.
Integração é a dimensão que corresponde à convivência social, da descoberta do outro como ser diferente e do grupo como lugar de encontro, também chamada de dimensão psicossocial. Ela gera crescimento, exercita a crítica e a autocrítica como meio de superar-se pessoalmente e colaborar no crescimento dos demais, levando a juventude a uma progressiva abertura para as relações interpessoais reconhecendo nos outros, valores, diversidades e limites. A educação na fé que será gerada será caminho a ser percorrido na comunidade. Nessa dimensão busca-se responder: Quem é o outro?
O documento 85 da CNBB diz: “[...] As perguntas de fundo são: Quem é o outro? Como relacionar-me com ele? Como tratar as relações de gênero? Como entender o relacionamento virtual hoje existente? Essa dimensão acentua a importância das relações entre as pessoas que acontecem, por exemplo, nas amizades, nos grupos, na vida em comunidade, na família, no meio ambiente. A felicidade do jovem depende da sua capacidade de comunicar-se com os outros, num diálogo que considera e respeita a cultura. [...] Há necessidade de descer ao nível da afetividade, de viver relações de fraternidade voltadas para o discipulado. [...] Comunidade pressupõe amizade, calor humano, a aproximação afetiva e um projeto de vida em comum. [...] Essa dimensão busca motivar o jovem para o envolvimento na comunidade eclesial. A sexualidade, dom de Deus, é uma dimensão constitutiva da pessoa humana, que nos impulsiona para a realização afetiva no relacionamento com o outro. ”
A pessoa humana é por natureza, um ser social, na medida em que vai se relacionando com outras pessoas, se torna mais pessoa; ao contrário, se há um fechamento em si mesma, vai se tornando menos gente, menos pessoa.

3. DIMENSÃO TEOLÓGICA E ESPIRITUAL (TEOLÓGICA-TEOLOGAL)

O objetivo dessa dimensão é mostrar a juventude a importância da Trindade como base fundamental da fé em nossa vida, conscientizando-a sobre o verdadeiro sentido da fé em confronto com a vida, refletindo a necessidade diária da oração na vida de cada um, de cada uma, e a mudança que ela faz na nossa vida, tendo para tanto os pés no chão da realidade que nos cerca, reconhecendo a pessoa, a pedagogia e a pratica libertadora de Jesus de Nazaré, levando-a a uma identificação com seu jeito de ser.
Teológica e Espiritual é a dimensão que trata da experiência, da vivência e da fundamentação da fé da juventude, e do encontro com a pessoa de Jesus Cristo, sua prática, seu projeto e seguimento em comunidade. É também chamada de Teológica Teologal e ou dimensão da mística. Nesse encontro com Jesus Cristo a juventude descobre nele o sentido da sua existência humana, pessoal e social. Nasce deste contato a experiência de fé que o faz viver como cristão autêntico. A pergunta essencial é: Quem é Deus e qual meu relacionamento com Ele?
O documento 85 da CNBB diz: “[...] As perguntas de fundo são: Qual é a minha relação com Deus? De onde vim? Para onde vou? Qual é o sentido da minha vida? Qual o sentido da morte? Qual o sentido do sofrimento? [...] A dimensão teológica é cultivada no estudo, na catequese e no aprofundamento dos dados básicos da fé. Desse aprofundamento faz parte a iniciação à leitura da Palavra de Deus, do conhecimento de Jesus Cristo e da Igreja. A dimensão espiritual corresponde à experiência de Deus. Isso pode ser feito através de retiros, da vivência sacramental, da oração e do serviço aos pobres. Não basta estudar Deus; é necessário também ter uma experiência de Deus. A relação com Deus está também presente nas outras dimensões e as ilumina. Os aspectos teológico e espiritual não só caminham juntos mas também se complementam.”
A juventude descobrirá um Deus libertador, que ouve o clamor do seu povo. A Igreja Primitiva aparece como fonte de inspiração e espiritualidade.

4. DIMENSÃO DA CONSCIENTIZAÇÃO SOCIOPOLÍTICO – ECOLÓGICA

O objetivo dessa dimensão é compreender a relação existente entre fé, política e ecologia, como ela acontece no dia a dia e de que maneira se pode participar da transformação da sociedade, entendendo como está organizada e como influencia o viver das pessoas, procurando apresentar argumentos e elementos fundamentais, de crítica consciente e usual na realidade em que se vive.
Conscientização Sociopolítico-Ecológica é a dimensão que busca inserir a juventude na sociedade. Trata-se da convivência social com relações de justiça e solidariedade, com igualdade de direitos e deveres. Capacita-a para ser cidadã consciente, sujeito de sua própria e nova história, em favor da justiça e da defesa da vida, digna para todos. É conhecida como dimensão de participação-conscientização. Essa experiência comunitária que a juventude saboreia a faz confrontar com problemas cuja solução exige convergência de esforços e vontade política. A pergunta que não se cala é: Como se organizar em sociedade? Como viver em e na sociedade?
O documento 85 da CNBB diz: “[...] As perguntas de fundo são: Qual minha relação com a sociedade ao meu redor? Como organizar a convivência social? Podemos mudar a sociedade? Como me percebo como “ser” integrado à natureza? A consciência da cidadania faz ver que todo poder emana do povo e em seu nome é exercido. Essa dimensão abre o jovem para os problemas sociais locais, nacionais e internacionais. [...] Não se pode pregar um amor abstrato que encobre os mecanismos econômicos, sociais e políticos geradores da marginalização de grandes setores de nossa população. Aqui há necessidade de formar o jovem para o exercício da cidadania e direitos humanos à luz do ensino social da Igreja. Há necessidade de conectar a fé com a vida, a fé com a política.”
A promoção do bem comum e a construção de uma nova ordem social, política, econômica, ecológica, humana, justa e solidária dependerá da compreensão que se tem do poder, de como ele é exercido na sociedade.

5. DIMENSÃO DA CAPACITAÇÃO TÉCNICA

O objetivo dessa dimensão é refletir sobre o ser jovem e a sua condição juvenil, compreendendo a si mesmo e a outros jovens a partir de experiências grupais: as diversas formas de expressão simbólica e afetiva da juventude e sua importância na integração de sua identidade individual e grupal, possibilitando a participação dessa nos espaços eclesiais, buscando a construção de uma Igreja participativa, a partir da comunidade do Moreno de Nazaré, com eficácia e eficiência.
Capacitação Técnica é a dimensão do processo de aprender a fazer bem feito aquilo que se deve fazer. Não se trata da técnica pela técnica. Só terá sentido em vista de um objetivo concreto. No caso da Pastoral da Juventude é a construção do Reino da Vida, a Civilização do Amor, mediante a transformação da sociedade atual numa sociedade justa, igualitária e fraterna. É um processo que tem início no momento mesmo do ingresso da jovem, do jovem em um grupo e se tornará treinamento permanente. Consiste em reaprender, aprender a comunicar-se, viver em grupo, trabalhar em equipe, participar da decisão, execução e revisão da ação. Essa capacitação tem seu lugar natural na participação mesma do grupo de base, como grupo de ação-reflexão, mas necessita do reforço de atividades complementares: cursos, seminários, leituras, treinamentos etc. É também conhecida como processo metodológico. A pergunta: Afinal, porque estamos aqui?
O documento 85 da CNBB diz: “[...] As perguntas de fundo são: Qual é a minha relação com a ação? Como trabalhar? Como me organizar através de um consistente projeto pessoal de vida? Como administrar meu tempo? Como organizar as estruturas de coordenação que facilitam o acompanhamento sistemático, a comunicação, o aprofundamento e a continuidade? Como montar um curso? Como planejar e avaliar a ação evangelizadora? As habilidades são necessárias para acompanhar as estruturas de apoio para o processo de evangelização dos jovens. Sem estas habilidades, os projetos pastorais não caminham.”

Não basta ter um objetivo ou grande ideal, é preciso saber realizá-lo.

BIBLIOGRAFIA

CENTRO DE Capacitação Cristã. Dimensões da formação integral da PJ. São Paulo: CCC, 1988.

CNBB. Evangelização da Juventude – desafios e perspectivas pastorais. São Paulo: Paulinas, 2007.

INSTITUTO DE Formação Juvenil do Maranhão. Guarnicê: organizando a juventude para o compromisso e a fraternidade. São Luiz: IFJ, 2005.

PASTORAL DA Juventude. Caminhando e Crescendo – encontros para formação de grupos de jovens. São Paulo: Paulus, 5 volumes, 2010.

REDE BRASILEIRA de Institutos de Juventude. Na trilha do grupo de jovens. São Paulo: CCJ, 6 volumes, 2010.


Emerson Sbardelotti
Turismólogo, Historiador
Estudante do Curso Superior de Teologia pelo Instituto de Filosofia e Teologia da Arquidiocese de Vitória do Espírito Santo
Autor do livro O Mistério e o Sopro - roteiros para acampamentos juvenis e reuniões de grupos de jovens. Brasília: CPP, 2005 (pedidos pelo site http://www.cpp.com.br/).
Autor do livro Utopia Poética. São Leopoldo: CEBI, 2007 (pedidos pelo site http://www.cebi.org.br/).

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

SÓ PRA TE AMAR MAIS UMA VEZ

só pra te amar mais uma vez


é que vou viver muito mais feliz


só pra te amar mais uma vez


é que vou fazer o que não fiz



te abraçar quando o sol chegar

e inundar o nosso ninho de amor

te beijar quando a sua blusa cair

e experimentar todo o seu calor



te pegar no colo e lhe ver sorrir

e voltar a ser uma ingênua criança

te ensaboar quando me abraçar

e ser um só corpo, uma só lembrança



te puxar para juntinho de mim

e dançar um xote até a noite chegar

te mostrar que sou um porto seguro

e mais uma vez te amar...te amar



Emerson Sbardelotti

20 de janeiro de 2011

21:11

*direitos reservados*

FIZ ESSA CANÇÃO

FIZ ESSA CANÇÃO


eu estava quieto no meu canto

eu estava sem saber se sorria

ou se causava espanto

mesmo assim consegui sorrir

enquanto a chuva caia

eu escutava Zeca Baleiro

cantando suas poesias

tudo aquilo tão maneiro

e parti atrás do sonho

de vencer e cantar para o povo

sem perder a humildade e a razão

talvez nem apareça na televisão

e sai todo ensopado

com aquelas cantigas todas

fazendo revolução

na minha cabeça, em meu coração

fiz essa canção

lembrando do seu sorriso

lembrando do quanto te preciso

enfim...nossa canção.



Emerson Sbardelotti


* direitos reservados *

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

ENCANTO

ENCANTO



chegamos de todos os lugares

com sonhos, utopias, aspirações

com um sorriso em cada rosto

com o peito cheio de canções



a vida é o grande desafio

a vida é a grande solução

vermelho é o sangue em nossas veias

de mesma cor as nossas sombras no chão



Emerson Sbardelotti

10.01.2011

Curso de Verão - SP - Tuca/PUC

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

ENTREVISTA COM JOÃO BATISTA LIBÂNIO

ENTREVISTA COM JOÃO BATISTA LIBÂNIO

EM ABRIL DE 2002



João Batista Libânio, padre jesuíta, teólogo, educador e escritor, Belo Horizonte/MG

Esta entrevista foi concedida ao Jornal ESPERANÇA JOVEM, da Pastoral da Juventude, da Paróquia Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Cobilândia, Vila Velha-ES.

Entrevistado por Emerson Sbardelotti Tavares



EMERSON – O que é a Teologia da Libertação? É a única teologia da América Latina? É a melhor?

LIBÂNIO: A Teologia da Libertação é, antes de tudo, uma libertação da Teologia. Ela quer ser uma teologia para a nossa situação e não simples xerox da teologia de outros países. Ao querer ser uma teologia para a América Latina, ela parte dos problemas da América Latina. Ora o maior problema que nós vivemos é a situação de opressão, de exploração das grandes massas populares. E a única maneira de superar uma situação de dominação é lutar pela libertação. Queremos, como cristãos, embarcar nessa luta pela libertação dos pobres, motivados e iluminados pela nossa fé.

A TdL é a teologia que motiva e ilumina o cristão na luta pela libertação. Por isso se chama Teologia da Libertação. Ela não organiza, nem faz a libertação. Isso fazem os homens e mulheres que estão lutando. Ela quer simplesmente ajudar esses homens e mulheres, que são cristãos, a verem o que a sua fé diz sobre tal luta, motivando-a, iluminando-a, criticando-a nos pontos em que possa ter entrado algo de anti-cristão. O papel da TdL é muito importante para sustentar a fé do cristão comprometido. Pois vimos com tristeza no passado muitos cristãos que, ao engajarem-se na luta, perderam a oposição entre fé e política, entre fé e luta libertadora, entre fé e compromisso social. Mostrar isso é uma das maiores tarefas da TdL.

Ela não é a única teologia da América Latina, mas aquela que nasceu aqui e se orienta para a nossa situação. Não se trata de comparar mas de ver sua relevância e pertinência para nossa situação latino-americana.


EMERSON – As CEBs são ainda um fenômeno ou não representam mais um novo jeito de ser Igreja?

LIBÂNIO: As CEBs são ainda verdadeiro jeito de ser Igreja. Mas há vários tipos de CEBs. Há aquelas que amadureceram. Há outras que fraquejaram e outras que desapareceram.
As CEBs têm manifestado uma capacidade criativa no campo da liturgia precisamente lá onde o ministro ordenado não chega regularmente. Elas continuam revelando um compromisso libertador, firme e decidido, sem talvez a aura militante de outras décadas, mas não menos sério e eficiente. Enfim, aí esta a vida das CEBs em sua beleza simples e corajosa.

EMERSON – Num mundo globalizado e globalizante, qual é o cenário de Igreja que sobressai atualmente na América Latina e Brasil?

LIBÂNIO: Predomina ainda na Igreja Católica, o cenário da Instituição. A preocupação interna com sua estrutura ainda é muito acentuada. No entanto, há sinais de um forte sopro carismático que vivifica toda a Igreja e flexibiliza suas instituições. Há crescente apreço à Palavra de Deus, às liturgias da Palavra, ao estudo da fé. E também ainda permanece animador em muitos setores da Igreja um entusiasmo no compromisso com o processo libertador dos pobres.

EMERSON – O que deve representar o estudo da teologia para a PJB? E o que a PJB deve representar para a teologia?

LIBÂNIO: Muito. A teologia é a busca de intelecção de fé. Na idade jovem se é mais exigente quanto as razões para crer. Deixa-se de ser criança que freqüenta a religião pelas mãos dos pais. Agora o jovem anda com suas pernas. Em termos de fé, significa aprofundá-la. E para fazê- lo, nada melhor que a teologia. E, por sua vez, a teologia também deve levar em consideração as perguntas que os/as jovens lhe levantam. Eles/as são como a febre do organismo da sociedade. Revelam a existência da infecção sem talvez apontar para qual ela seja exatamente. E a teologia percebendo tal aviso e alarme mergulha no problema e aprofunda.

EMERSON – Qual a mensagem que o sr. daria para os nossos grupos de base da PJB?

LIBÂNIO: Num mundo de desesperança e desânimo, ser um sinal de coragem e engajamento. Num mundo que só valoriza o presente, acreditar no futuro, forjando utopias. Num mundo hedonista, mostrar que o verdadeiro prazer está na entrega de si aos outros. Num mundo de corrupção política, exercer vigilante controle sobre a administração pública para evitar a malversação dos bens públicos. Num mundo de violência, revelar a liberdade e transparência acolhedora da tolerância e do amor. Enfim, anunciar em palavras e ações que é possível criar uma sociedade alternativa a esta que aí está, começando já no seu meio juvenil o ensaio do mundo futuro de fraternidade, igualdade, acolhida, paz e amor.

EMERSON – Pe. Libânio, nas comemorações de 75 anos de tua existência só temos agradecer a sua valiosa contribuição para o crescimento de nossos jovens, de nossas jovens na caminhada de PJB. Muito obrigado!

Esta entrevista é uma homenagem para GERALDA PROCÓPIO, Secretária das CEBs e do Intereclesial de CEBs em Minas Gerais, na diocese de Itabira/Coronel Fabriciano que recentemente precisou viajar para junto de Deus.

13/11/2003