domingo, 30 de novembro de 2008

LITURGIA EM MUTIRÃO II - CNBB - FICHA O3

FORMAÇÃO LITÚRGICA EM MUTIRÃO II - CNBB
FICHA 03 - 20 DE AGOSTO DE 2007


OS “COMENTÁRIOS” NA LITURGIA DA PALAVRA

Pe. Carlos Gustavo Haas

É comum em nossas celebrações o uso de subsídios, mais conhecidos como “folhetos” para orientar e ajudar as comunidades a bem celebrar. Além dos “comentários” no início da celebração, na preparação das oferendas, na comunhão e no final (sobre eles falaremos em outra oportunidade), alguns folhetos apresentam um “comentário” para cada uma das leituras enquanto que outros apresentam apenas um comentário geral, no início da Liturgia da Palavra. Qual a maneira correta?
Na celebração litúrgica, as “introduções”, os “comentários”, prestam o serviço de “iniciar”, despertar, dispor a assembléia para a ação litúrgica que irá acontecer. Para usarmos um termo dos Meios de Comunicação Social, estas “introduções” poderiam ser comparadas às “chamadas” que anunciam e preparam a assembléia para a escuta do Senhor.
No caso específico da Liturgia da Palavra, não é absolutamente necessário um “comentário”. Poderia muito bem ser dispensado. Mas muitas comunidades sentem a necessidade de uma pequena “motivação” ou introdução. Neste caso, é conveniente fazer apenas um comentário para introduzir a Liturgia da Palavra, com a finalidade de preparar e dispor os fiéis a ouvirem atentamente as três leituras (1a. leitura, 2a. leitura e Evangelho).
Porquê? Desta forma, daremos mais valor à Palavra proclamada. Esta não pode ser interrompida ou intercalada com comentários e explicações que quebrem sua unidade e o ritmo da celebração. A explicação e a atualização da Palavra devem ser feitas em seu local próprio, a homilia.
A assembléia litúrgica não é apenas destinatária da ação litúrgica, mas é protagonista, povo sacerdotal, não dependendo de “palavras de ordem” para participar. A liturgia não é apenas “palavra” mas uma ação ritual-simbólico-sacramental. Por isso, muito mais do que um “comentário”, é a atitude do leitor, do salmista, do diácono ou do presidente da assembléia que vai ajudar para que a Palavra seja ouvida e acolhida. Neste contexto, para uma frutuosa proclamação e acolhida da Palavra, adquirem muita importância o ambão, sua localização e sua ornamentação; um bom microfone; a veste litúrgica própria dos leitores, um refrão orante.
Observemos o que dizem dois documentos litúrgicos:
a) Sacrosanctum Concilium, 35: “Procure-se também inculcar, por todos os modos, uma catequese mais diretamente litúrgica, e prevejam-se nas próprias cerimônias, quando necessário, breves esclarecimentos, feitos só nos momentos mais oportunos, pelo sacerdote ou ministro competente, com palavras prescritas ou semelhantes às prescritas”.
b) Instrução Geral ao Missal Romano, 31: “Da mesma forma cabe ao sacerdote, no desempenho da função de presidente da assembléia, proferir certas admoestações previstas no próprio rito. Quando estiver estabelecido pelas rubricas, o celebrante pode adaptá-las um pouco para que atendam à compreensão dos participantes; cuide, contudo, o sacerdote de manter sempre o sentido da exortação proposta no livro litúrgico e a expresse em poucas palavras. Pode, com brevíssimas palavras, introduzir os fiéis na missa do dia, após a saudação inicial e antes do rito penitencial, na liturgia da palavra, antes das leituras; na Oração eucarística, antes do Prefácio, nunca, porém, dentro da própria Oração; pode ainda encerrar toda a ação sagrada antes da despedida” .
Seria interessante retomar tudo o que o Missal Romano prevê para a celebração da Liturgia da Palavra, com destaque aos momentos de silêncio após cada leitura (cf. IGMR, 128-134). Aí está claro que os “comentários” não têm a finalidade de dar informações catequéticas ou moralistas, mas devem ser mistagógicos, isto é, conduzir a assembléia à plena participação da ação litúrgica. Devem ser convites de cunho espiritual, sempre discretos, orantes, a serviço do diálogo entre Deus e seu povo reunido, portanto, sem interrupção do fluxo do rito. Vale lembrar um dos princípios na ação litúrgica: “que as nossas palavras na Liturgia não neguem a Palavra, mas a sirvam”.
Seria igualmente interessante não mais usar a palavra “comentarista” ou “comentário” em nossos folhetos, visto que não é este o espírito das monições apresentadas. Muitos usam a palavra “animador” que, mesmo não sendo a ideal, é a que mais se aproxima da função litúrgica exercida por esta pessoa.


Perguntas para os grupos:

1. Como percebemos os “comentários” em nossas celebrações? Lemos dos “folhetos”? Preparamos textos próprios? Em que momentos os fazemos?
2. Qual a importância e a função da pessoa que exerce o ministério de animador(a) da celebração?
3. Proposta: sem consultar os “folhetos litúrgicos”, vamos preparar juntos o que será dito pelo(a) animador(a) da celebração do próximo domingo?

LITURGIA EM MUTIRÃO II - CNBB - FICHA O2

FORMAÇÃO LITÚRGICA EM MUTIRÃO II - CNBB -
FICHA 02 - 13 DE AGOSTO DE 2007


LITURGIA E VOCAÇÃO

Frei José Ariovaldo da Silva, OFM
(Artigo publicado na Revista de Liturgia, n. 60, nov.dez , ano 1983,.p.22)

O que é liturgia? Segundo o Pequeno Di­cionário da Língua Portuguesa, liturgia é: "Complexo de cerimônias eclesiásticas; rito". Mas, se formos analisar etimologicamente a pa­lavra (do grego: leitl de laós = povo + ourgía/­de ergon = ação, dá liturgia), descobriremos que ela significa: "ação, serviço que se presta ao povo, ao público, à coletividade, à comuni­dade, serviço público, serviço fraterno". E aí já vemos que liturgia é bem mais do que pura e simplesmente "rito" ou "cerimônia eclesiásti­ca". É servir. É serviço. Liturgo é aquele que ser­ve, que ama, que se doa pelo bem dos de­mais. . .
Sabemos que não foi em primeiro lugar para fazer "cerimônias" no deserto que o povo de Israel foi libertado da escravidão do Egito. O povo foi libertado do Egito para, no deserto, es­cutar a voz de Deus, isto é, aprender a fazer como Deus faz (= amar!) e ser fiel ao seu amor. Veja a respeito o que dizem os profetas: Amós 6, 21-25; Isaías 1,11-17; Jeremias 7,22-23. Não foi em primeiro lugar para "oferecer sacrifícios" (culto ritual) que Deus chamou o ser humano. Deus o chamou (vocação!) para um culto muito maior. Deus o chamou para cultivar (culto!) aquilo que Deus é: amor, serviço, doação, litur­gia. Esta é a vocação do homem: ser liturgo (= serviçal). E só assim é que o homem será feliz, realizado, porque só assim o homem se fará "homem de Deus" (cf. Jr 7,23).
Não foi isso que Jesus Cristo fez? Ao má­ximo! Radicalmente! Jesus se doou totalmente. Fazendo em tudo a vontade do Pai, serviu até o fim ao ser humano. E o máximo de seu serviço (li­turgia) ao Pai e ao Homem se dá na Cruz, onde realmente acontece a máxima entrega. Ofere­ceu assim um "único sacrifício", um único cul­to agradável ao Pai, o único culto (serviço) que foi capaz de ligar novamente o Homem com Deus (of. Hb 10,4-14). Por que? Porque es­teve até o fim no cultivo (culto) da vontade do Pai (of. Jo 4,34; Lc 2,49; 4,1-13) e do serviço ao homem (of. Mc 10,45; Lc 22,27; Jo 13,15ss). Por­isso ele vive e é exaltado como Senhor (of. f1 2,5-11). Cristo aparece, pois, como Liturgo por excelência, não fazendo "ritos" e "cerimônias" no templo, mas oferecendo-se a si mesmo, doando-se até a morte e morte de Cruz em res­gaste de uma multidão. Nele cumpre-se a su­prema vocação do homem: liturgia, serviço. Nele e por ele que vive em nós (cf. Gl 2,20), cumpre-se nossa única vocação (chamado) que nos tornará felizes e realizados: liturgia no sen­tido mais originário da palavra.
Lembro-me daquela palavra de Paulo aos romanos, falando da verdadeira religião. Qual é a verdadeira religião? Paulo responde: "Que apresenteis vossos corpos como hóstia viva, santa e agradável a Deus, à maneira de um cul­to espiritual. Não vos acomodeis a este mundo, mas reformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que saibais aquilatar qual é a von­tade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito" (Rm 12,1-2; cf. F1 2,1-11; Ef 5,1-2; Tg 1,27). Aliás, na própria Liturgia cele­brada (Eucaristia), onde Cristo perpetua a sua doação total, nós dizemos: "Que ele faça de nós uma oferenda perfeita. . ." (Oração Eu­carística III). Ou: "que. . . nos tornemos em Cristo um sacrifício vivo.. ." (Oração Eucarística IV).
Ora, a vocação religiosa: o que é? Doa­ção de si a serviço da comunidade humana. Ninguém torna-se religioso para si! A pessoa coloca todas as suas potencialidades a serviço de uma multidão. "Oferenda perfeita". "Sa­crifício vivo". Liturgia viva! Vocação religiosa: possibilidade da máxima vivência litúrgica! Culto realmente agradável ao Pai. Destes ado­radores é que o Pai quer...
E a Missa, como é que fica? Não devemos então fazer "cerimônias" e "ritos"?... O caso é que a Missa não é pura e simplesmente "ceri­mônia", "rito". Ela, no rito é muito mais: é pre­sença do Liturgo Cristo. "Fazei isto em memó­ria de mim", diz o Liturgo. "Isto" o quê? Este ri­to! Que rito? Esta ceia! Este pão e este vinho! Aí proclamareis a minha presença viva doando-­me como "Pão que alimenta e que dá vida" e como "Vinho que. . . salva e dá coragem". Por­tanto: a Missa, mais do que pura e simplesmen­te "rito", é, no rito, o lugar da presença máxima da vocação do homem realizada em Cristo como doação-serviço-liturgia (= Redenção/Li­bertação). Conseqüentemente é na Liturgia eu­carística (serviço atual de Cristo ao homem) que a nossa vocação cristã (litúrgica) encontra sua máxima expressão. . . É ali que sempre de novo a liturgia do homem se encontra com a Liturgia de Deus. A vocação do homem se encontra com o chamado salvífico de Deus proclamando ao mundo que a morte foi vencida pela Vida.

Perguntas para os grupos:

1. Qual a ligação que existe entre Liturgia e Vocação?
2. Como celebrar na Liturgia as diversas vocações que existem na Igreja?
3. É possível viver uma vocação sem viver profundamente a Liturgia?



LITURGIA EM MUTIRÃO II - CNBB - FICHA O1

FORMAÇÃO LITÚRGICA EM MUTIRÃO II - CNBB
FICHA 01 - 06 DE AGOSTO DE 2007


ESTUDAR PARA PARTICIPAR

Dom Joviano de Lima Júnior,sss
Arcebispo de Ribeirão Preto
Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia

Participar e participar bem! Outro não tem sido o objetivo da rede de comunicação que se estabeleceu com o “Liturgia em Mutirão”. Uma iniciativa feliz que tem ajudado muito nossas comunidades a celebrar, com beleza e dignidade, o mistério de Cristo.
O amor aproxima as pessoas. A liturgia é o amor que salva. A liturgia nos envolve, mas o seu grande protagonista é o Senhor ressuscitado, que mediante o seu Espírito, no santifica e nos leva a glorificar o Pai.
A ação litúrgica é um processo participativo que requer conhecimento do mistério celebrado e compromisso com a vivência da fé celebrada.
Os colaboradores do “Liturgia em Mutirão” oferecem temas e sugestões para serem estudados em equipe. A razão disso é muito simples, sendo a ação litúrgica uma experiência de vida partilhada, cada pessoa que toma parte no grupo de estudos é estimulada a comunicar sua vivência de fé na liturgia. Deste modo, o tema proposto, ao iluminar as práticas litúrgicas de nossas comunidades, provoca uma avaliação das mesmas e suscita a criatividade, conforme nos diz o Apóstolo: “Que tudo se faça como convém e em boa ordem”. (1Cor 14,40)
O sucesso do “Liturgia em Mutirão” pode ser creditado à maneira dos seus colaboradores e colaboradoras estabelecerem uma circularidade entre a prática celebrativa na comunidade e a visão teológica e espiritual da liturgia que a Igreja nos propõe. Busca-se, cada vez mais, uma compreensão unitária do mistério de Cristo: a sua encarnação, o seu ministério, sua morte, ressurreição e glorificação, na expectativa da sua segunda vinda.
Com esperança e alegria, prossigamos a caminhada.
Semanalmente, vamos disponibilizar do site da CNBB um artigo de formação litúrgica, preparado com carinho por nossos assessores e direcionado para as equipes de pastoral litúrgica. O texto poderá ser livremente usado pelas equipes, dando atenção às perguntas que estão no final do texto e que servem para aprofundar e aplicar o tema estudado na prática de nossas comunidades.

Perguntas para os grupos:

1. Como estamos valorizando a formação litúrgica em nossas reuniões?
2. Quais os assuntos que mais sentimos necessidade de aprofundar?
3. Quais os assuntos tratados no subsídio Liturgia em Mutirão (I) que poderíamos retomar?
4. Como vamos nos organizar para estudar os artigos do Liturgia em Mutirão (II)?

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

PUEBLA: 30 ANOS DA OPÇÃO PREFERENCIAL PELOS JOVENS

PUEBLA: 30 ANOS DA OPÇÃO PREFERENCIAL PELOS JOVENS

Graças ao Concílio Ecumênico Vaticano II (1962 - 1965), iniciado e continuado, pelos Santos Padres - Os Papas - João XXIII e Paulo VI (santos de verdade, na melhor interpretação da palavra), aos bispos latino-americanos, que no final da década de 1960, profeticamente instituiram a Conferência de Medellin (1968) e 11 anos depois instituiram a Conferência de Puebla (1979), levando a juventude latino americana e caribenha a construir e fortalecer as raízes da fé e da vida, do compromisso com os pobres do Reino, da identidade que estava germinando, brotando, criando assim folhas, galhos, flores, e mais tarde frutos: a Pastoral da Juventude.
Mas passados 30 anos da Opção Preferencial pelos Pobres e pelos Jovens (esta última o centro de nosso artigo), como está, como estão, nossa juventude, nossos grupos de jovens? Será que possue, possuem uma rara idéia do que seja, do que foi a Opção Preferencial?
De 27 de janeiro a 13 de fevereiro de 1979, na cidade de Puebla de los Angeles, México, nascia por intermédio dos bispos latino-americanos, inspirados pelo Espírito Santo, nas páginas 359 - 368, no documento oficial publicado pela CNBB naquele ano e com comentários valiosos do jesuita João Baptista Libânio (essa versão é raríssima, quem tiver e puder me enviar uma cópia, agradeceria de coração) aquela que seria à luz dos Evangelhos, a fonte de toda mística e espiritualidade, de todo planejamento e organização, de todo despojamento e missão: a Opção Preferencial pelos Jovens, com citações diretas e profundas para a Pastoral da Juventude de todo a Nossa América.
Os bispos, embebecidos pelo Transcendente, profetizavam, com línguas de fogo pairando sobre suas cabeças, sinceramente desejosos de "apresentar aos jovens o Cristo vivo, como único Salvador, para que evangelizados, evangelizem e contribuam, como em resposta de amor a Cristo, para a libertação integral do ser humano e da sociedade, levando uma vida de comunhão e de participação.(...) A juventude da América Latina não pode ser considerada em abstrato.(...) A Igreja vê na juventude uma enorme força renovadora, símbolo da própria Igreja.(...) O serviço prestado com humildade à juventude deve fazer com que mude na Igreja qualquer atitude de desconfiança ou incoerência para com os jovens.(...) O jovem deve experimentar Cristo como amigo pessoal que nunca falha, caminho de total realização. Com ele e pela lei do amor, o jovem caminha em direção do Pai comum e dos irmãos. Com isto, sente-se verdadeiramente feliz."
Tais palavras soam forte no coração daquele, daquela jovem, que já tem um certo tempo de caminhada, ou pelo menos deveria soar.
Quanto aqueles e aquelas que estão chegando na comunidade eclesial de base, nada mais satisfatório e prazeroso do que começar e terminar a conversa no grupo de jovens com a leitura da Sagrada Escritura, pois esta não está estática, esta evolui, normalmente quando a juventude se coloca na posição de escuta do Senhor. Ouvir qualquer pessoa pode; escutar a Deus leva tempo e silêncio. Coisa anormal para qualquer jovem nestes dias midiáticos-globalizantes. Hoje ainda, se consegue escutar a Deus por meio da Opção Preferencial pelos Jovens.
Em algumas assessorias que realizo, e em conversas com amigos e amigas de caminhada, de orações, de sorrisos e lágrimas, cheguei a triste realidade de que pouco irá se falar dos 30 anos da Opção Preferencial pelos Jovens no ano de 2009, inclusive na própria Pastoral da Juventude, que em janeiro de 2009, no 9o. Encontro Nacional da Pastoral da Juventude, dos dias 11 ao 17, em Natal-RN, com o tema: Ide e construí a Civilização do Amor "Vi um novo céu e uma nova terra" (Ap, 21,11); com as temáticas:
Missão e Espiritualidade missionária.
Realidade juvenil e realidade teológica.
Projeto de missão e intervenção pastoral.
Projeto de vida.
Políticas públicas e diretrizes para a juventude.
Tenha se deixado de fora, aparentemente, uma discussão, um debate, uma conversa, uma mesa-redonda, um ponto de pauta, quem sabe, colocá-la na temática como número 6, ou pelo menos ter criado um subsídio de preparação ao 9o. ENPJ a luz da Opção Preferencial pelos Jovens, para que a grande quantidade de grupos de jovens espalhados por este imenso Brasil possa relembrar ou abrir maravilhado, pela primeira vez, ou ainda, entrar em contato com esta força fundante que norteia a personalidade e a identidade da Pastoral da Juventude.
É claro, que a Coordenação e a Assessoria Nacional da Pastoral da Juventude, não se esqueceu desta data tão emblemática e simbólica, deste acontecimento primaz de nossa Igreja na América Latina e no Caribe, desta real descida e pouso do Espírito Santo em Nossa América tão banhada com o sangue de nossos e de nossas martíres.
Mas, se em seus afazeres, meus irmãos e irmãs, da Coordenação e da Assessoria, por um deslize ou descuido, se esqueceram, ainda há tempo para prepararem uma majestosa celebração, com toda a dinâmica de nossa juventude espalhada por este país, de prepararem uma mesa-redonda convidando algum santo bispo remanescente daquela conferência ou de algum teólogo que lá esteve assessorando algum santo bispo, para se ouvir da boca do profeta ou dos profetas, tudo o que se enxergou e se escutou naqueles dias, tão distantes para nós hoje.
"A Igreja confia nos jovens. Eles são a sua esperança. A Igreja vê na juventude da América Latina um verdadeiro potencial para o presente e o futuro de sua evangelização. Por ser verdadeira dinamizadora do corpo social e especialmente do corpo eclesial, a Igreja faz uma opção preferencial pelos jovens, com vistas à sua missão evangelizadora no Continente.(...) A Pastoral da Juventude na linha da evangelização deve ser um verdadeiro processo de educação na fé, que leva a própria conversão e a um compromisso evangelizador.(...) A Pastoral da Juventude empenhar-se-á em que o jovem cresça numa espiritualidade autêntica e apostólica, fundada no espírito de oração e no conhecimento da Palavra de Deus e no amor filial a Maria Santíssima que, unindo-o a Cristo, o torne solidário com seus irmãos. (...) A Pastoral da Juventude deve ajudar também a formar os jovens de maneira gradual para a ação socio-política e para as mudanças de estrutura, de menos humanas em mais humanas, segundo a Doutrina Social da Igreja.(...) Seja a Pastoral Juvenil uma pastoral da alegria e da esperança, que transmita a mensagem alegre da salvação a um mundo muitas vezes triste, oprimido e desesperançado, em busca da sua libertação."
Que a Opção Preferencial pelos Jovens não se torne mais um velho documento empoeirado na pratileira de nossa militância. Que a Opção Preferencial pelos Jovens não fique esquecida, mas que seja rejuvenecida nas reuniões de nossos grupos de jovens, nas reuniões de coordenações paroquiais, de dioceses e na nacional.
Que sejam publicados subsídios sobre a Opção Preferencial pelos Jovens, onde cada artigo possa ser saboreado como aquele café que acabou de ser coado ou daquele pão caseiro que acabou de sair do forno a lenha.
Este artigo quer fazer memória a todos e todas que participaram direta ou indiretamente da Conferência de Puebla e que fizeram chegar até nós a Opção Preferencial pelos Jovens.
A todas e todos os martíres de Nossa América.
A Pedro Casaldáliga, Gustavo Gutierrez, Leonardo Boff e Jon Sobrino que foram atingidos em alguns momentos da caminhada pelas fogueiras da Santa Inquisição, mas continuaram e continuam firmes na fé e na vida, fazendo a fraternura do Reino seguir em frente.
Na alegre espera da vinda do Senhor.
Amém. Axé. Awerê.

Emerson Sbardelotti Tavares
Autor de O Mistério e o Sopro - Roteiros para Acampamentos Juvenis e Reuniões de Grupos de Jovens. Brasília: CPP, 2005.
Autor de Utopia Poética. São Leopoldo: CEBI, 2007.
Membro do grupo de assessores da Pastoral da Juventude da Arquidiocese de Vitória do Espírito Santo.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

LEITURA ORANTE DA BÍBLIA PARA JOVENS E INICIANTES

LEITURA ORANTE DA BÍBLIA PARA JOVENS E INICIANTES

"As coisas reveladas por Deus, que se encontram e manifestam na Sagrada Escritura, foram escritas por inspiração do Espírito Santo". Concílio Ecumênico Vaticano II - Constituição Dogmática Dei Verbum - sobre a Revelação Divina.

A LECTIO DIVINA

A fé e a vida possuem raízes alimentadas na oração de escuta da palavra de Deus na Sagrada Escritura, chamada Lectio Divina, ou Leitura Divina. No dia à dia da juventude, envolvidos e atraídos pelas imagens e pelos modismos impostos pela mídia globalizada e globalizante, surge uma dificuldade em entrar em contato com o Transcendente, com a Fonte primeira de nossa mística, de nossa espiritualidade, de nossa humanidade.
A leitura dos Salmos (que ficam mais bonitos se forem cantados) e dos Evangelhos são os mais indicados para a realização da Lectio Divina, mas toda a Sagrada Escritura pode e deve ser utilizada também para o itinerário que iremos propor para a Leitura Orante da Bíblia.

Aquecimento

Quando falamos de Leitura Orante da Bíblia não podemos deixar de lembrar de um grande amigo e facilitador deste método que é o Frei Carlos Mesters, OC; que, com vários anos de caminhada dedicados ao Povo de Deus, às comunidades eclesiais de base, ao estudo incansável e apaixonante da Bíblia, ao Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos - CEBI, enfim a realização do outro mundo novo possível; sempre esteve incentivando e se colocando no lugar privilegiado do Reino de Deus: a vida junto e com os pobres. Falar de um método que Frei Carlos ajudou a resgatar e fazer acontecer, e propor uma versão para a juventude e iniciantes se tornou para mim uma grande honra e um grande desafio.
Para escrever este artigo, também me coloquei à disposição da escuta da Palavra de Deus, seguindo alguns passos pré-LOB: Tirei um tempo diário para ouvir a Deus e responder à sua Palavra. Dei preferência a um período de 30 minutos, o que é o desejável. Mas se você não puder, faça 5, 10 minutos, o que lhe for possível. Mas não deixe de ouvir ao Deus da Vida diariamente.
Tomei o texto: Lc 24, 13 - 35, (utilizo as bíblias de Jerusalém, do Peregrino e a TEB) com reverência e invoquei o Espírito Santo. Leia o Texto, de preferência umas três vezes, devagarinho, saboreando cada palavra. Quando se sentir atraído por determinada palavra, pare, não reflita sobre a Palavra, mas mantenha uma posição de Escuta... mantenha-se atento ao que o Senhor lhe quiser falar.Não se trata aqui de refletir sobre a Palavra de Deus. Isso poderá ser feito outra hora, com o objetivo de estudá-la, etc... aqui você se coloca como aquele que está atento à Palavra do Senhor.
Conhecer o contexto do texto que você irá escolher é importante, pois fazer a ponte que une o Primeiro e o Segundo Testamento com os nossos dias atuais é que dará a sensação de que está no caminho certo. Mas não tenha pressa. Escutar o que Deus tem a nos dizer leva tempo e silêncio.


Emerson Sbardelotti
Mestre em Teologia Sistemática pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo






PUEBLA: 30 ANOS DA OPÇÃO PREFERENCIAL PELOS JOVENS

PUEBLA: 30 ANOS DA OPÇÃO PREFERENCIAL PELOS JOVENS
Capitulo II
Opção Preferencial Pelos Jovens

1166 Apresentar aos jovens o Cristo vivo, como único Salvador, para que, evangelizados, evangelizem e contribuam, como em resposta de amor a Cristo, para a libertação integral do homem e da sociedade, levando uma vida de comunhão e participação.

2.1. Situação da juventude

1167 Características da juventude: a juventude não é só um grupo de pessoas de idade cronológica. É também uma atitude frente à vida, numa etapa não definitiva, mas transitória.
Possui traços muito característicos:

1168 Um inconformismo que a tudo questiona; um espírito de aventura que a leva a compromissos e situações radicais; uma capacidade criadora com respostas novas para o mundo em transformação, que aspira a sempre melhorar em sinal de esperança. Sua aspiração pessoal mais espontânea e forte é a liberdade, emancipada de qualquer tutela exterior. É sinal de alegria e felicidade. Muito sensível aos problemas sociais. Exige autenticidade e simplicidade, rejeitando com rebeldia uma sociedade invadida por hipocrisias e contravalores.

1169 Este dinamismo a torna capaz de renovar "as culturas" que, doutra forma, envelheceriam.
A juventude no corpo social

1170 papel normal desempenhado pela juventude na sociedade é dinamizar o corpo social. Quando os adultos não são autênticos nem abertos para o diálogo com os jovens, impedem que o dinamismo criador do jovem faça progredir o corpo social. Ao perceberem que não são tomados a sério, os jovens se lançam por diversos caminhos: ou são perseguidos por diversas ideologias, especialmente as radicalizadas, já que, sendo sensíveis às mesmas por seu idealismo natural, nem sempre têm a suficiente preparação para um claro discernimento, ou mostram-se indiferentes para com o sistema vigente ou se acomodam a ele com dificuldade e perdem a capacidade dinamizadora.

1171 que mais desorienta o jovem é a ameaça à sua exigência de autenticidade por parte do meio adulto, em grande parte incoerente e manipulador e por parte do conflito de gerações, da civilização de consumo, duma certa pedagogia do instinto, da droga, do sexualismo, da tentação de ateísmo.

1172 Hoje em dia, a juventude é manipulada especialmente na área política e no emprego do "tempo livre".Uma parte da juventude tem legítimas inquietações políticas e consciência de poder social.Sua falta de formação nesses campos e a ausência de assessoria equilibrada a levam a radicalizações ou frustrações.O jovem ocupa grande parte do seu "tempo livre" com o esporte e uso dos meios de comunicação social. Estes são, para alguns, instrumentos de educação e recreação sadia; para outros, elementos de alienação.

1173 A família é o corpo social primário no qual se origina e se educa e juventude.Da sua estabilidade, tipo de relacionamento com a juventude, vivência e abertura aos seus valores depende em grande parte o fracasso ou êxito da realização desta juventude na sociedade ou na Igreja .

1174 A juventude feminina está passando por uma crise de identidade, por causa da confusão reinante acerca da missão da mulher hoje.Os elementos negativos referentes à libertação feminina e um certo machismo ainda existente impedem uma sadia promoção feminina, como parte indispensável da construção da sociedade.

A juventude da América Latina
1175 A juventude da América Latina não pode ser considerada em abstrato. Há diversidade de jovens, caracterizados por sua situação social ou pelas experiências sócio-políticas que vivem seus respectivos países.

1176 Se observarmos a situação social, verificamos que, ao lado daqueles que, por sua condição econômica, se desenvolvem normalmente, há muitos jovens indígenas, camponeses, mineiros, pescadores e operários que, por sua pobreza, se vêem obrigados a trabalhar como adultos. Ao lado de jovens que vivem folgadamente, há estudantes, sobretudo de subúrbios, que já vivem na insegurança dum futuro emprego ou não encontram seu caminho por falta de orientação vocacional.

1177 Por outro lado, é indubitável haver jovens que se sentiram frustrados pela falta de autenticidade de alguns líderes seus ou se sentiram enfastiados por uma civilização de consumo. Outros, pelo contrário, em resposta às múltiplas formas de egoísmo, desejam construir um mundo de paz, justiça e amor. Finalmente, comprovamos que não poucos descobriram a alegria da entrega a Cristo, não obstante as variadas e rudes exigências de sua cruz.

Os jovens e a Igreja
1178 A Igreja vê na juventude uma enorme força renovadora, símbolo da própria Igreja. E a Igreja faz isto não por tática mas por vocação, já que é "chamada à constante renovação de si mesma, isto é, a um incessante rejuvenescimento" (João Paulo II, Alocução Juventude, 2 - AAS, LXXI, p. 218). O serviço prestado com humildade à juventude deve fazer com que mude na Igreja qualquer atitude de desconfiança ou incoerência para com os jovens.

1179 Atualmente, contudo, os jovens consideram a Igreja de diversas maneiras: uns a amam espontaneamente como ela é, sacramento de Cristo; outros a questionam para que seja autêntica; e não faltam os que procuram um Cristo vivo separado do seu corpo que é a Igreja. Há uma massa indiferente, passivamente acomodada à civilização de consumo ou outros sucedâneos, desinteressada da exigência evangélica.

1180 Existem jovens socialmente muito inquietos, mas reprimidos pelos sistemas de governo; estes buscam a Igreja como espaço de liberdade para poderem expressar-se sem manipulações e protestar social e politicamente. Alguns, pelo contrário, pretendem utilizá-la como instrumento de contestação. Finalmente, uma minoria muito ativa, influenciada por seu ambiente ou por ideologias materialistas e atéias, nega e combate o Evangelho.

1181 Os jovens desejosos de se realizar na Igreja podem ficar frustrados por não encontrarem uma boa planificação e programação pastoral que corresponda à realidade histórica em que vivem. Igualmente sentem a falta de assessores preparados, embora em não poucos grupos e movimentos juvenis existam assessores competentes e abnegados.

2.2. Critérios pastorais
1182 Queremos dar uma resposta à situação da juventude, graças aos três critérios de verdade propostos por S. S. João Paulo II: verdade sobre Jesus Cristo, verdade sobre a missão da Igreja e verdade sobre o homem.

1183 Embora não se dê conta disso, a juventude vai ao encontro de um Messias, Cristo, o qual caminha em direção dos jovens. Somente ele torna o jovem verdadeiramente livre.Este é o Cristo que deve ser apresentado aos jovens como libertador integral que, pelo espírito das bem-aventuranças, oferece a todo jovem a inserção num processo de constante conversão; compreende suas fraquezas e oferece-lhe um encontro muito pessoal com Ele e com a comunidade, nos sacramentos da reconciliação e da Eucaristia. O jovem deve experimentar Cristo como amigo pessoal que nunca falha, caminho de total realização. Com ele e pela lei do amor, o jovem caminha em direção do Pai comum e dos irmãos. Cem isto, sente-se verdadeiramente feliz.

O jovem na Igreja
1184 Os jovens devem sentir que são Igreja, experimentando-a como lugar de comunhão e participação. Por isso, a Igreja aceita suas críticas, por reconhecer-se limitada em seus membros, e os quer gradualmente responsáveis na sua construção até que os envie como testemunhas e missionários, especialmente à grande massa juvenil. Nela, os jovens sentem-se povo novo, o povo das bem-aventuranças, sem outra segurança que a de Cristo; um povo dotado de coração de pobre, contemplativo, em atitude de escutar e discernir evangelicamente, construtor de paz, portador de alegria e de um projeto libertador integral em favor, sobretudo, de seus irmãos jovens. A Virgem Mãe bondosa, indefectível na fé, educa o jovem para ser Igreja.

1185 Assumindo as atitudes de Cristo, o jovem promove e defende a dignidade da pessoa humana. Em virtude do batismo, é filho do único Pai, irmão de todos os homens e contribui para a edificação da Igreja. Sente-se cada vez mais "cidadão universal" instrumento na construção da comunidade latino-americana e universal.

2.3. Opções pastorais
Opção preferencial
1186 A Igreja confia nos jovens. Eles são a sua esperança. A Igreja vê na juventude da América Latina um verdadeiro potencial para o presente e o futuro de sua evangelização.Por ser verdadeira dinamizadora do corpo social e especialmente do corpo eclesial, a Igreja faz uma opção preferencial pelos jovens, com vistas à sua missão evangelizadora no Continente.

1187 Por isso queremos oferecer uma linha pastoral global: desenvolver, de acordo com a pastoral diferencial e orgânica, uma pastoral de juventude que leve em conta a realidade social dos jovens de nosso continente; atenda ao aprofundamento e crescimento da fé para a comunhão com Deus e os homens; oriente a opção vocacional dos jovens; lhes ofereça elementos para se converterem em fatores de transformação e lhes proporcione canais eficazes para a participação ativa na Igreja e na transformação da sociedade.

Aplicações concretas:
Comunhão e compromisso
1188 A Igreja evangelizadora faz um veemente apelo para que os jovens nela busquem o lugar de sua comunhão com Deus e os homens, a fim de construir "a civilização do amor" e edificar a paz na justiça. Convida-os a que se comprometam eficazmente numa ação evangelizadora que não exclua ninguém, de acordo com a situação em que vivem, e tendo predileção pelos mais pobres.

1189 A integração na Igreja será canalizada através de movimentos juvenis ou comunidades que devem estar integradas na pastoral de conjunto diocesana ou nacional, com projeções para uma integração latino-americana.
Esta integração far-se-á especialmente por meio da:
- pastoral familiar;
- pastoral da Igreja diocesana e paroquial em seus diversos aspectos de catequese, educação, vocações, etc;
- inter-relacionamento dos diversos movimentos de juventude ou comunidades, considerando-lhes a situação concreta: estudantes secundários, universitários, operários, camponeses, que tem condicionamentos próprios e exigências diferentes em face do processo evangelizador e que, por isso, pedem uma pastoral específica.

1190 Esta pastoral de movimentos e comunidades deve levar em conta os jovens numa inter-relação fecunda, já que os grupos devem ser fermento no conjunto e propiciar uma evangelização total.

1191 Providencie-se um acolhimento e atenção aos jovens que, por diversos motivos, devem emigrar, temporária ou definitivamente, e que são vítimas da solidão, da falta de ambientação, da marginalização, etc.

Formação e participação
1192 A inserção na Igreja e a tarefa de compromisso efetivo na edificação de nova civilização do amor e da paz é muito exigente e requer profunda formação e participação responsável.

Por este motivo:
1193 A pastoral de juventude na linha da evangelização deve ser um verdadeiro processo de educação na fé, que leva à própria conversão e a um compromisso evangelizador.

1194 O fundamento desta educação deve ser a apresentação ao jovem de Cristo vivo, Deus e homem, modelo de autenticidade, simplicidade e fraternidade; único que salva, libertando de todo pecado e de suas conseqüências e que compromete para a libertação ativa dos irmãos por meios não violentos.

1195 A pastoral da juventude empenhar-se-á em que o jovem cresça numa espiritualidade autêntica e apostólica, fundada no espírito de oração e no conhecimento da Palavra de Deus e no amor filial a Maria Santíssima que, unindo-o a Cristo, o torne solidário com seus irmãos.

1196 A pastoral da juventude deve ajudar também a formar os jovens de maneira gradual para a ação sócio-política e para as mudanças de estruturas, de menos humanas em mais humanas, segundo a Doutrina Social da Igreja.

1197 Formar-se-á no jovem um sentido crítico frente aos meios de comunicação social e aos contravalores culturais que as diversas ideologias tentam transmitir-lhe, especialmente a liberal capitalista e a marxista, para que não seja por elas manipulado.

1198 Usar-se-á uma linguagem simples e adaptada a uma pedagogia que tenha presente as diferenças psicológicas do homem e da mulher e se caracterize pela mútua confiança e respeito recíproco; numa conversão ao meio em que vive e atua, para centrar assim sua missão dinâmica evangelizadora.

1199 Estimule-se a capacidade criadora dos jovens, para que eles mesmos imaginem e descubram os meios mais diversos e aptos para tornar presente, de forma construtiva, a missão que exercem na sociedade e na Igreja.Para isso, lhes sejam facilitados os meios e áreas onde ponham em prática o seu compromisso.Recomenda-se a presença missionária dos jovens em lugares especialmente necessitados.

1200 Procure-se dar aos jovens uma boa orientação espiritual a fim de que possam amadurecer a sua opção vocacional, quer leiga, quer religiosa ou sacerdotal.

1201 Recomenda-se dar a maior importância a todos os meios que favoreçam a evangelização e o crescimento na fé: retiros, jornadas, encontros, cursilhos, convivências, etc.

1202 Como tempo forte para o amadurecimento na fé - que leva necessariamente a um compromisso apostólico - deve-se destacar a celebração consciente e ativa do Sacramento da Confirmação, precedida duma esmerada catequese e sempre de acordo com as diretrizes da Santa Sé e das Conferências Episcopais.

1203 Deve-se procurar formar com prioridade animadores juvenis qualificados (sacerdotes, religiosos ou leigos) que sejam guias e amigos da juventude, conservando sua própria identidade e prestando este serviço com madureza humana e cristã.

1204 A juventude não se pode considerar em abstrato, nem é um grupo isolado no corpo social. Por isso, ela requer uma pastoral articulada que permita uma comunicação efetiva entre os diversos períodos da juventude e uma continuidade de formação e compromisso depois, na idade adulta.

1205 Seja a pastoral juvenil uma pastoral da alegria e da esperança, que transmita a mensagem alegre da salvação a um mundo muitas vezes triste, oprimido e desesperançado, em busca da sua libertação.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

ESTOU ILHADO

ESTOU ILHADO

a chuva caiu
a maré encheu
o vento soprou
e o rato correu

uma tsunami se aproxima
pessoas pulam dentro do valão
você pode até pensar que é brincadeira
estragos assim não tem solução

o meu bairro está um caos
quanto mais eu rezo mais assombração
a galera sai de barco
sofre toda a população

que vota em toda eleição
esperando alguma mudança
mas a casa cai e o choro vem
só deu para salvar a criança

estou ilhado dentro de casa
uma água fedida insiste em entrar
não adiantam os sacos de areia
agora é ver a chuva cair e chorar

amanhã se der sol
eu volto a trabalhar
as feridas vão aparecer
outras irão se espalhar

estou ilhado
e só restou fotografar
certas desgraças não bastam
é o fim que está por chegar

Emerson Sbardelotti
26 de novembro de 2008
01:00
*direitos reservados*

CABELOS

CABELOS
(para Luciana Spedo)


cabelos vermelhos
cabelos de fogo
você acreditou no perigo
e agora tudo de novo

você sabia daqueles sorrisos
você sabia daquelas lágrimas
a vida sempre indica o caminho
no chão dos nossos dias, as pegadas

cantar por acreditar no amor
cantar por querer espantar a dor
você já viu o quanto é bom estar feliz
você já sentiu o quanto é bom ser feliz


cabelos de fogo
cabelos vermelhos
você acreditou na alegria
e se viu no espelho

cada retrato, cada canção
cada abraço, uma paixão
e a cantoria continua
sempre uma nova emoção

Emerson Sbardelotti
25 de novembro de 2008
23:42
*direitos reservados*

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

COMO MONTAR UMA ONG

Por onde começar? Com quem eu falo primeiro?
Reúna seu grupo de amigos e elaborem um Estatuto. Quando se começa a colocar no papel os artigos, a idéia toma forma porque surgirão perguntas muito específicas que deverão ser respondidas, tais como:
- quais serão os objetivos da ONG ?
- onde será o corte para além do qual não atuará ?
- qual o público-alvo ?
- qual a forma de atuar nas questões propostas pelo grupo ?
- qual o tamanho e a composição da Diretoria ?- quais as regras básicas de funcionamento da ONG ?
Para este momento, pode-se usar como ponto de partida o estatuto das ONGs que tenham a mesma finalidade e, também, valer-se dos modelos constantes do site do Ministério da Justiça, no menu Cidadania: www.mj.gov.br/snj/oscip/default.htm. Ali encontram-se não só o texto da Lei 9.790/99 (a Lei das OSCIPs), promulgada para ser a alternativa para o Terceiro Setor, como também modelos, manual e a relação das OSCIPs por UF.
É interessante considerar as exigências relativas à natureza Jurídica, aos objetivos sociais e ao Estatuto para obter-se a qualificação como OSCIP. Desta forma ficará mais fácil, por exemplo, o estabelecimento de parcerias com órgãos do Governo (em qualquer das 3 instâncias), uma vez que a qualificação funciona como um atestado de que a Organização está dentro da lei e funcionando adequadamente.

Assembléia
Uma vez elaborado o Estatuto e tendo ele sido lido e dado como conforme pelo grupo inicial, é hora do lançamento formal da ONG, com a Assembléia de Fundação. Essa Assembléia deverá ter o Edital de convocação amplamente divulgado -- inclusive em jornal de grande circulação, se possível. A Ordem do Dia do Edital trará expresso o motivo da Assembléia, qual seja: fundação, aprovação do Estatuto e eleição da diretoria e conselho. É importante que o Estatuto seja lido em Assembléia e que a ata registre sua aprovação.

Diretoria
Comumente, a primeira Diretoria já vai pré-escolhida dentre o grupo que idealizou a ONG, mas cada um de seus membros deve ter o aval dos presentes à Assembléia.
É preciso atentar para o fato de que, para obter-se a qualificação como OSCIP, nenhum integrante da diretoria pode ser servidor público da ativa. Nada há contra o fato de integrantes do Conselho serem servidores públicos da ativa.

Estrutura Organizacional
As pessoas que ocuparão cargos na administração da ONG devem obrigatoriamente ter idade igual ou superior a 18 anos -- que é a idade prevista no art.5° do novo Código Civil para a prática dos atos da vida civil --, ou emancipadas (instituto jurídico pelo qual os responsáveis legais de um menor, nos casos previstos em lei e através de procedimento judicial, antecipam o reconhecimento da maioridade). Eventualmente, respeitadas as leis trabalhistas, é possível ter, por exemplo um menor de 16 anos como coordenador de um projeto.
A estrutura organizacional (cargos, seus nomes e funções) poderá ser adequada à realidade da ONG. A existência de cargos com as nomenclaturas de presidente, vice-presidente, etc é apenas uma convenção, não sendo obrigatório tê-los.
O Código Civil determina que o Estatuto deve prever a estrutura organizacional e de administração (entenda-se "representação legal") da Organização. Entretanto, não determina quais sejam os nomes dos cargos, nem mesmo quantos ou o que façam. Assim, uma Organização é livre para definir o que quiser em seu estatuto, bastando prever expressamente a existência de um seu representante legal. Muitas vezes a confusão se instaura, pois, para a obtenção de alguns títulos ou certificados, sempre facultativos, a legislação específica determina que o Estatuto deva prever tais ou quais cargos e funções.
Outra coisa são os funcionários. Acerca destes, o Estatuto não deve fazer qualquer menção, bastando que se respeitem as leis trabalhistas e previdenciárias.
Assim, temos:
1) Cargos/Funções estatutárias: são as previstas no estatuto, em número mínimo de um, com liberdade de definição de nomenclatura e funções, salvo a representação ativa e passiva -- que é obrigatória;
2) Cargos/Funções de funcionários: alcançam a mais ampla liberdade (nomenclatura, disposição, alterações), desde que respeitadas as leis trabalhistas e afins.
Cabe apenas ressaltar que as Organizações que pleiteiem a qualificação como OSCIP deverão ter em seu Estatuto Social a existência de Conselho Fiscal e, portanto, ensejará a função ou nomenclatura do "Conselheiro" e seus suplentes de quais documentos preciso? E a quem os entrego ?
As pessoas presentes à Assembléia de fundação serão os sócios-fundadores. E, para o registro da ata de fundação, será preciso colher-se, de cada um deles, nome completo, endereço e número de documento de identidade. Isso porque essa lista será um dos documentos integrantes do registro da ONG no cartório de Títulos e Documentos e Registro Civil de Pessoas Jurídicas. Os outros documentos para registro são: o Estatuto e a ata de fundação, com A devida lista de presença.
A partir do registro, solicite o CNPJ à Receita Federal e outros registros porventura requeridos por lei - dependendo da área de atuação da sua ONG.
Será necessário contratar ou conseguir um voluntário Contador, que assine a escrituração contábil da ONG. Em geral, ele próprio fará os registros na Receita Federal e outros que a legislação exija, de acordo com a estrutura e forma de trabalho da ONG.
Quais os objetivos de uma ONG de proteção animal?
Se o seu Município não tem uma legislação de controle populacional de cães e gatos, não será uma ONG com abrigo que resolverá a situação. Todas as pessoas que se propuseram a trabalhar na causa da proteção montando um abrigo estão falidas, sozinhas, com centenas de animais para sustentar e manter. Um cão ou gato em situação de cativeiro tem uma vida de pelo menos 10 anos.
Uma ONG de proteção terá mais resultados se dedicar-se ao controle cirúrgico da população de cães e gatos, de preferência em parceria com o poder público, para ampliar as ações. A cada fêmea castrada deixarão de nascer, num único ano, entre 50 e 200 Filhotes (cálculo de descentes proposto pela American Society for the Prevention of Cruelty to Animals).
Juntamente com a castração, a outra frente que a ONG de proteção deve abraçar é a posse responsável, mediante palestras em escolas, com crianças do primeiro grau. É o plantio para que, num futuro próximo, tenhamos menos abandono e maus tratos contra animais.
Como todas as ONGs, as de proteção aos Animais deverão atuar também na adequação das Políticas Públicas do município (lei de zoonoses, encaminhamento de animais capturados para pesquisa, espetáculos com animais, Registro Geral de Animais, etc.).
Links sobre sobre ONGs e OSCIPs:
Sobre ONGwww.abong.org.br
Quais os procedimentos legais para se montar uma ONG?www.rits.org.br/legislacao_teste/faq/lg_faq_coscs.cfm?extrutFAQ=0
Como montar uma ONG ambientalistawww.ambiente.sp.gov.br/proaong/fundaong.doc
Como montar uma ONGwww.ceasm.org.br/abertura/06fale/site_int.htm
Criando uma Associação - KIT ONGwww.especialmenteser.hpg.ig.com.br/artigos/artigo5.htm
SEBRAE - como montar uma ONGwww.ac.sebrae.com.br/como_montar/Como_Montar.htm
Como fundar uma ONGwww.ipef.br/servicos/listas/floresta-l/Dec1999/doc00000.doc
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domingo, 2 de novembro de 2008

VIDA DE CANTADOR

VIDA DE CANTADOR
(Emerson Sbardelotti)


dizem que além do horizonte
o vento sopra sem cessar
e digo que aqui, dentro do coração
a Palavra ecoa sem parar
no silêncio escuto a Deus
e sinto todo o meu ser falar
na harmonia com a Terra
uma paz inquieta a brotar


E NO CAMINHO FAÇO A MISSÃO
FAZENDO E DEIXANDO AMIGOS
CHORANDO, ABRAÇANDO E SORRINDO
E POR NÃO ESTAR SOZINHO
VOU ENFRENTANDO OS PERIGOS
E POR CARREGAR A MINHA CRUZ
VOU SEGUINDO JESUS

dizem que ser profeta
é não se calar
e lembro de Hélder, Paulo e Pedro
do barulho e da mansidão no olhar
e por ser poeta menor
humildemente cantando vou
histórias da cidade e do interior
histórias de vida de um cantador


04 de dezembro de 2003

*direitos reservados*

MAS EU DIGO NÃO

MAS EU DIGO NÃO

Nosso amor não tem nexo

nosso amor não tem complexo

só não me venha falar das suas dores

só não me venha falar dos seus amores

perdidos num copo de cerveja

perdidos num licor sem cereja

você já ouviu a nossa música hoje

você já se viu no espelho hoje

toda descabelada, toda maltratada

ficou a noite toda curtindo na balada

e agora vem com essa cara deslavada

implorar a minha atenção...mas eu digo não

já cansei de ser amigo, de ser divã e confessionário

já vi os outros chegando e eu pagando uma de otário

vá curtir a sua fossa com a turma que você tanto gosta

Rita Lee está certíssima: tudo vira bosta

não me venha falar dos seus amores

eu já tenho as minhas e não preciso das suas dores

se a volta não foi boa, a ida nunca irá prestar

todo caminho aponta onde se quer chegar


Emerson Sbardelotti

01 de novembro de 2008

13:39

*direitos reservados*