segunda-feira, 28 de junho de 2010

FALAR DE DEUS NA HISTÓRIA: O DEUS DOS POBRES COMO MANIPULAÇÃO DO DEUS VERDADEIRO?

FALAR DE DEUS NA HISTÓRIA: O DEUS DOS POBRES COMO MANIPULAÇÃO DO DEUS VERDADEIRO?

Adriano Souza Viana
*
Angelo José Salvador
Edson Kretle
Emerson Sbardelotti Tavares
Fábio Milioli Saith



Resumo


Nesse presente artigo gostaríamos de transcrever aos leitores a riqueza da reflexão sobre a fé e sobre Deus, que nascem dos debates em cursos de graduação em teologia. Propomos-nos a tentar mesclar várias perspectivas diferentes sobre uma temática comum, pois aqui queremos colocar pontos de vistas diferentes que tentam justificar uma mesma concepção teológica. Queremos versar sobre as imagens de Deus que temos, sobre nossa maneira de discursar sobre Ele. E somos provocados pela dúvida se o “Deus dos pobres” não seria também uma manipulação ideológica do verdadeiro Deus. E para isso pensamos a temática a partir de 4 perspectivas: Bíblica, Filosófica, Teológica e Pastoral.

Palavras-chave: Imagem de Deus. Deus verdadeiro. Deus dos pobres. Manipulação de Deus.

ABSTRACT

In this article we would like to demonstrate to our readers the wealth in reflexion about faith and God. We propose to try and join various different perspectives around are common these, for here we intend to place different points of view which try to justify one same theologic conception. We want to go over the images of God that we have, about the way we talk in His respect. And we are provoked with the doubt if the “God of the poor” wouldn’t be an ideological manipulation of the true God. This is the reason we think on the theme after four perspectives: Biblical, Philosophical, Theological and Practical.

KEYWORDS: Image of God, True God, God of the poor, manipulation of God.




INTRODUÇÃO

Aqui precisamos explicar um pouco como nasce esse artigo.

Nas aulas de Teologia Fundamental, do Instituto de Filosofia e Teologia da Arquidiocese de Vitória do Espírito Santo, ministradas pelo professor “Dr. Giovani Marinot Vedoato”, estudávamos e debatíamos o livro de Renold Blank, DEUS NA HISTÓRIA. São Paulo: Paulinas, 2005.

Debatíamos sobre as “imagens de Deus” e as possíveis manipulações ideológicas que podem advir dessas concepções teológicas. Para exemplificar o que afirmamos como imagem de Deus citaremos exemplos do censo comum religioso: Deus castigador, Deus Rei em seu trono, Deus Juiz, Deus da prosperidade, Deus da Bênção, etc.

Surgiu então a provocação de um dos nossos colegas. Blank, em seu livro, afirma que o Deus de Israel, é o Deus dos pobres, não o deus do poder dominante (BLANK, 2005, p. 47). O colega indagou: “não seria essa afirmação, ‘Deus dos pobres’, também uma manipulação do Deus verdadeiro[1]”?

Sendo essa provocação feita a estudantes que foram educados na fé das Comunidades Eclesiais de Bases (CEB’s), numa eclesiologia que sempre afirmou a “evangélica opção preferencial pelos pobres”, o debate acalorou-se. Fomos então motivados pelo professor a responder a questão em quatro perspectivas: da Interpretação Bíblica, da Teologia, da Filosofia e na perspectiva Pastoral. Essas respostas se transformaram no presente artigo.

Sentimo-nos impelidos a buscarmos os fundamentos de nossa fé, e mostramos racionalmente os argumentos que dão sentido à crença no Deus libertador dos pobres.


1 PERSPECTIVA DA INTERPRETAÇÃO BÍBLICA

Propondo-se a falar sobre Deus numa perspectiva da interpretação bíblica, parece-nos fundamental retomarmos e fazermos referência ao documento da Pontifícia Comissão Bíblica, “A interpretação da Bíblia na Igreja”, nº 134, onde é explanado de forma sintética e densa o que a Igreja Católica pressupõe sobre os limites e as qualidades dos métodos exegéticos e interpretativos nos últimos anos.

A Igreja nos ajuda a interpretarmos a bíblia. No presente documento nos mostra os pontos positivos e negativos dos principais métodos e abordagens na qual podemos interpretar o texto Bíblico e a partir deles então falarmos sobre Deus. E afirma: “Nenhum método científico para o estudo da Bíblia está à altura de corresponder à riqueza total dos textos bíblicos” (PONTIFÍCIA COMISSÃO BÍBLICA, p.46, 2006).

Tendo isso como ponto de partida, propomo-nos discorrer sobre como falar de Deus na interpretação bíblica, levantando algumas considerações sobre o texto de Blank, e as abordagens de interpretação bíblica que ele utiliza como fundamento para suas idéias. Principalmente citaremos a abordagem sociológica e da libertação.

Como afirmamos na introdução desse texto, esse artigo nasce de um debate em sala de aula. Um dos alunos questionou o texto de Renold J. Blank, que então estudávamos, o livro Deus na História. Ele o criticou por fazer interpretações bíblicas e não ser um biblista. E então questionou se as afirmações propostas pelo autor não seria também uma manipulação do discurso sobre o verdadeiro Deus.
Pelo que nos parece a critica é infundada. Pois Blank mostra em seu texto conhecimento de causa sobre o que fala. E também a referência a outros autores nos garante que sua pesquisa foi sustentada por uma interpretação bíblica renomada.

As idéias do discurso sobre Deus apresentadas por Blank são a de que: “o Deus verdadeiro não fica do lado do poder”; “não fica ligado a um lugar”; “não está preso ao círculo cúltico do templo”; “rejeita toda exclusão e opressão”; “oferece uma aliança”; “quer uma sociedade igualitária”, e outras[2].

Pois bem. A crítica, a qual fizemos referência acima, interrogava se todos esses discursos sobre o “Deus dos pobres” não seria uma forma de fechar-se a uma imagem de Deus ocultando o “Deus verdadeiro”. Propomos então uma defesa das idéias de Blank numa perspectiva da interpretação bíblica a partir de duas abordagens. Uma através das ciências humanas e outra contextual[3].

A primeira é a abordagem sociológica, que nos texto de Blank, encontramos de forma velada quando ele cita o historiador de Israel, John Bright. Esse historiador norte-americano reconstrói em teorias a história de Israel, seja nos aspectos político, étnico, religioso, etc., com base no seu conhecimento também de uma teoria sociológica, sobretudo do exegeta alemão Martin Noth. Bright, no prefácio à primeira edição de seu livro, História de Israel, diz que aprendeu com ele[4], embora afirme também que há dessemelhanças entre suas idéias.

A abordagem sociológica também foi bem explorada pelos norte-americanos após Bright. Aqui citamos Jorge Pixley, que também faz menção a teoria sociologia de Martin Noth (PIXLEY, 1989, p. 16). E também citamos o exegeta Norman Karol Gottwald, que se propõe a vincular Bíblia e sociologia em seus livros.

Pixley afirma que Gottwald também usa a abordagem sociológica e evidencia o contexto no qual a fé em Yahweh nasce e cresce. A história se inicia, segundo ele, por uma insurreição camponesa, ou seja, os pobres se rebelam contra os reis da Palestina (PIXLEY, 1989, p. 17)

Portanto, concluímos que Blank está muito bem embasado ao afirmar suas idéias, e mostrar que o Deus verdadeiro da experiência judaico-cristã é realmente o Deus dos pobres. E a interpretação bíblica com uma abordagem sociológica nos ajuda a confirmar isso.

A segunda abordagem, que chamamos acima de contextual, é a da Libertação. Essa abordagem é identificada pelo documento da Pontifícia comissão bíblica[5], porém é afirmado que “ela não adota um método especial”.

Ao invés de se contentar com uma interpretação objetivante que se concentra sobre aquilo que diz o texto em seu contexto de origem, procura-se uma leitura que nasça da situação vivida pelo povo. Se este último vive em circunstâncias de opressão. É preciso recorrer a Bíblia para nela procurar o alimento capaz de sustentá-lo em suas lutas e suas esperanças [...] (PONTIFÍCIA COMISSÃO BÍBLICA, 2006, p. 75)

Essa abordagem tem alguns princípios que podemos ver na opção teológica de Blank. Aqui nos basta fazer a seguinte citação “Deus está presente na história de seu povo para salvá-lo. Ele é o Deus dos pobres, que não pode tolerar a opressão nem a injustiça” (PONTIFÍCIA COMISSÃO BÍBLICA, 2006, p. 76).

Dessa forma, concluímos nessa primeira perspectiva do discurso sobre Deus que, a interpretação bíblica utilizada por Blank se baseia naquilo que a Igreja Católica também acredita sobre uma interpretação possível e madura dos textos sagrados. O livro “Deus na história” nos aponta para uma interpretação bíblica que nos fala sobre o Deus revelado para um grupo social específico, os pobres.


2 PERSPECTIVA DA FILOSOFIA

Nessa parte do artigo encarregar-se-á de analisar a problemática sobre o tema Deus no víeis filosófico. Mas devida a infinidade desse esboço, optou-se ainda de forma limitada ao pensamento de Pseudo-Dionísio, Tomás de Aquino, Immanuel Kant e Karl Popper.

Com a crise da racionalidade iluminista-positivista, parece que, refletir sobre Deus na contemporaneidade é filosoficamente quase um absurdo. Esse “descrédito” pelo tema Deus tomou esse direcionamento, depois que Feuerbach e os “Mestres da suspeita”, Nietzsche, Marx e Freud fizeram severas e contundentes críticas a religião e conseqüentemente ao termo Deus.

As formulação dessas apreciações são de grande relevância no meio filosófico que vale a pena citá-los, mesmo que seja de forma frenética. Para Ludwig Feuerbach o conhecimento que o homem tem de Deus é apenas o “autoconhecimento de sí próprio”, logo, o “mistério da teologia é a antropologia”. Já para Karl Marx a religião é o ópio do povo, pois essa impede que os homens busquem a superação da desigualdade social. Com Sigmund Freud, a idéia que se faz de Deus é apenas uma “ilusão infantil”. Por fim, Friedrich Nietzsche anuncia a morte de Deus, e a humanidade livre da tutela da religião, poderá criar os valores do super homem.

Todos esses grandes pensadores pensavam que a racionalidade filosófica e científica extinguiriam a religião e Deus da história humana. Hodiernamente evidencia-se a “crise da razão” e depara-se com a denominada “Revanche do Sagrado”, onde a temática religiosa e as reflexões de “um Deus para hoje” reaparece com imensa força.

O falar de Deus em Pseudo-Dionísio?

Dionísio é um personagem histórico convertido por Paulo, quando esse estava no areópago grego. Tal narrativa é explicitada em At. 17,34. Logo, Pseudo-Dionísio, o Aeropagita é um pseudônimo, que esse filófoso, utilizou a fim de garantir bom êxito em suas obras.

Os escritos de Pseudo-Dionísio foi profundamente marcado por Plotino, e por tal motivo em é evidente nas suas obras uma fusão entre o neoplatonismo e pensamento cristão. O pensamente desse autor é hodiernamente reconhecido no campo da filosofia, mas é principalmente no âmbito teológico e místico que é mais enfatizado as contribuições oriundas desse sábio homem.

Notória também é a distinção que esse faz na temática sobre o conhecimento de Deus. Pois, para ele o conhecimento de Deus começa com a via positiva ou catafática e termina com a via negativa ou apofática. Veja o que se afirma:

O método catafático consiste em ir afirmando de Deus as perfeições que se encontram nas criaturas, escolhendo as mais elevadas, tais como a bondade, a sabedoria, a vida, a unidade etc [...] Todavia, uma vez que o ser divino, como ser infinito, não se reduz a nenhuma das coisas finitas nem tampouco à sua totalidade, mas transcende todas elas, Deus é, propriamente, inominável. Por esse motivo, temos necessidade de recorrer ao método ou caminho apofático, que consiste em negar no que se refere a divindade tudo aquilo que em qualquer perfeição, aos olhos do homem, existe de imperfeição[...] consiste em descrever de Deus aquilo que ele não é, terminando assim no silêncio místico, ou seja, a apreensão totalmente desnudada, direta, embora além de qualquer possibilidade de conhecimento (PSEUDO – DIONÍSIO, p.6 , 2004).


Já detecta que em Pseudo-Dionísio a não pretensão de manipular Deus, muito pelo contrário o reconhecimento que o inefável está muito para além de todas as tentativas de compreensão humana. Logo, o que se sabe acerca de Deus, jamais esgota sua “deidade”, portanto, o sentimento de contemplação é a via não de conhecer Deus, mas de senti a presença do “totalmente outro” na experiência mística.

Falar de Deus em Tomás de Aquino?

Com Tomás de Aquino, o maior expoente entre os escolásticos pretende-se abordar como falar e conhecer Deus. Tomás é conhecido pela enorme obra “Summa Theologiae”, na qual esclarece numerosas questões sobre a doutrina cristã.

O aquinense a fim, de provar a existência de Deus elabora 5 vias, com as quais justifica logicamente e racionalmente pelo caminho a posteriori, ou seja, da criação para Criador.Tais provas ficam explicitas na questão II, artigo III da Suma Teológica, onde o autor decorre detalhadamente sobre cada uma delas. Merece ao menos uma citação breve sobre cada um delas: a 1° é a do motor imóvel, a 2° da causalidade eficiente, a 3° o caminho do ser possível e do ser necessário, 4 º procede dos graus que se encontram nas coisas e a 5 ° e última via detecta o governo ou a ordem do mundo.

Especificamente na questão XII da Suma Teológica que Tomás explicita em 13 artigos como Deus pode ser conhecido pelo gênero humano. Vale citar a passagem do artigo XI desse grande escritor:

Ora, é manifesto que a divina essência não pode ser conhecida pelas naturezas das coisas materiais. Pois, como já demonstramos o conhecimento de Deus, por meio de qualquer semelhança criada, não é a visão da sua essência. Por onde, é impossível à alma do homem, nesta vida, ver a essência de Deus. [...] Logo, ser a alma elevada até ao supremo inteligível, que é a essência divina, não lhe é possível enquanto viver esta vida mortal. (AQUINO, p.103, 1980)

Tomás evidencia algumas relações entre Deus e a criação. Para esse escolástico, não há uma identidade entre Deus e as criaturas, pois o Ser Supremo em sua condição divina se difere em sua essência da criação. Porém não existe uma equivocidade, pois, pode-se chegar ao Criador demonstrando sua imagem refletida no mundo, foi isso que fez Tomás nas 5 vias as quais já foram elucidadas anteriormente. Portanto, o caminho mais segura para se falar de Deus e das coisas criadas é a relação de analogia, do modo que aquilo que se fala das criaturas pode se falar de Deus, mas jamais da mesma forma e intensidade.

Na teologia tomista, por mais que se especule a respeito de Deus, fica explicito novamente e é assegurado como também em Pseudo-Dionísio a transcendência de Deus, realçando o sentido da teologia negativa.

Como falar de Deus em Kant?

Na modernidade desponta a ilustre figura do filósofo de Königsberg: Immanuel Kant. Esse filósofo possue 3 grandes obras: A critica da Razão Pura de 1781; A critica da Razão Prática de 1788, e A critica da faculdade de julgar em 1790. Em sintonia com o tema desse esboço ater-se-á numa análise da Critica da Razão Pura e como a temática acerca do conhecimento de Deus é tratada na mesma.

Kant tornou-se conhecido pela “virada gnosiológica” que suas reflexões ocasionaram. Agora o conhecer inicia-se com os dados da sensibilidade, oriundos do tempo e do espaço que depois são subsumidos numa das categorias do intelecto: “sem sensibilidade nenhum objeto nos seria dado, e sem entendimento nenhum seria pensado. Pensamentos sem conteúdo são vazios, intuições sem conceitos são cegas” (KANT, p.92, 1999).

Para a metafísica tradicional a razão busca três conhecimentos fundamentais: a alma, o mundo e Deus. Porém, Kant é categórico ao afirmar a impossibilidade de conhecer esses objetos no âmbito da razão pura, pois ambos estão fora da experiência possível. Portanto, pode-se falar de eles, mas jamais conhecê-los.

Para o filósofo de Königsberg é impossível demonstrar racionalmente a existência de Deus, da alma e do mundo, logo, poderia dizer que esse pensador alemão seria agnóstico ou ateu? Muito pelo contrário, Kant apenas pretende esclarecer até que ponto deve ser respeitado os limites da razão. “[...] jamais ousarmos elevar-nos com a razão especulativa acima dos limites da experiência”. (KANT, p.42, 1999)

Como falar de Deus em Karl Popper?

Com Karl Raimund Popper quase na mesma linha de Kant, delimita os horizontes da ciência. Para Popper no início de todo o conhecimento o que existem são as hipóteses. Portanto, as teorias não se concluem da experiência, pois essas antes de serem verificadas possuem caráter hipotético. Em sua obra Conhecimento Objetivo traz a seguinte afirmação: “Todas as teorias são hipóteses; todas podem ser derrubadas”.

Popper em seu racionalismo crítico desenvolve como critério científico não mais o verificacionismo, mas a falseabilidade, que agora passa a ser o que serve na apreciação de uma teoria cientifica: “O falsificacionista exige que as hipóteses científica sejam falsificáveis, no sentido que discuti. Ele insiste nisto porque é somente excluindo um conjunto de proposições de observação logicamente possíveis que uma lei ou teoria é informativa.”( CHALMERS, p.67,1993)

No âmbito da racionalidade cientifica empirista a verificabilidade de um enunciado é a condição necessária para que seja considerado como dotado de sentido. A afirmação da existência ou não existência de Deus ou do conhecimento de sua essência são privadas de sentido, pois há uma impossibilidade lógica-empirica de verificação ou de falsificação. “Deus é, então, um pseudo-problema filosófico”.

Sábia é a afirmação que Wittgenstein faz no prefácio de sua obra Tractatus lógico-philosophicus. “o que se pode dizer, em geral se pode dizer claramente; e o que não se pode falar, se deve calar”. Portanto, concluímos que a atitude de absolutizar algumas imagens de Deus racionalmente são inconcebíveis, pois tanto a filosofia como a teologia sempre acentuaram que no discurso analógico sobre Deus, há mais diferenças que semelhanças. E um Deus totalmente compreendido deixa de ser Deus.


3 PERSPECTIVA DA TEOLOGIA

“Discursar” a respeito de Deus para a teologia é primeiramente uma postura de fé. Para Clodovis Boff, ela tem a primazia[6]. Falar de Deus a partir da teologia a princípio pode parecer fácil, no entanto, não é. Portanto, não se falará aqui de Deus como mero objeto produzido pela especulação da razão (crítica feita por Kant), mas como aquele absoluto que pode ser parcialmente alcançado, mas nunca suficientemente conhecido, pois o criador abarca a criatura e não o contrário. O presente trabalho delineará o pensamento teológico de algumas figuras importantes do debate atual.

Para João Batista Libânio, um discurso sobre Deus totalmente puro é impossível, pois estamos mergulhados na história. Sempre haverá infiltrações ideológicas. Segundo o teólogo, é necessário ter consciência crítica e discutir os diferentes pontos de vista sobre Deus para baixar o teor ideológico. Enfim, concretamente, é preciso ver sobre que ponto de Deus se discute (revelação, salvação, encarnação) para perceber aí o jogo ideológico possível[7].

Na vertente da Teologia Espiritual, França Miranda argumenta que os efeitos da ação de Deus podem ser captados à luz da fé. Deus atua na História e sua ação está descrita em toda a Sagrada Escritura. Para Miranda é o Espírito Santo que possibilita o conhecimento dos efeitos da ação de Deus no Mundo.

Também o discurso teológico deve partir, como os outros, das consequências da presença atuante do Espírito, só que em seu nível epistemológico próprio. A saber, os efeitos da ação divina são captados e interpretados à luz da fé, dom de Deus que capacita o homem a ultrapassar uma perspectiva meramente humana e olhar o fenômeno na ótica divina. Captar os efeitos da ação do Espírito enquanto potencializado pelo mesmo Espírito é o que permite ao ser humano um discurso rigorosamente teológico sobre a experiência de Deus [grifo meu] (perspectiva teológica – Ano XXX n. 81 – maio/agosto 1998 – p.161-181).

Mesmo partindo da presença do Espírito que conduz ao conhecimento de Deus, não é possível evitar, em último caso, uma manipulação da interpretação dos efeitos de Deus. Quando o ser humano se sobrepõe na compreensão do que seja a ação de Deus no mundo se fechando a dinâmica do Espírito o discurso sobre Deus se torna mero palavrório.

Numa linha atual e mais popular da espiritualidade se tem a figura de Anselm Grün. Para ele todos possuem alguma imagem de Deus, elas são necessárias enquanto fazem a mediação entre o homem e Deus, no entanto, aquelas são provisórias e devem ser re-significadas à medida que o discurso sobre Deus se alarga[8].

O teólogo espanhol Andrés Torres Queiruga afirma que é de suma importância destruir nossos ídolos, a fim de que, aceitando os novos dados, deixem espaço para o Deus sempre maior. Não se pode cair na ideologia de preservar uma imagem de Deus apenas para servir de bengala as convicções pessoais mais convenientes. O teólogo afirma categoricamente:

Resistir sistematicamente a toda crítica pode parecer zelo pela glória de Deus, porém, geralmente, indica o narcisismo de quem não quer renunciar às próprias concepções e a insegurança de quem não se atreve a abrir-se ao processo inacabável de “deixar Deus ser Deus”, expondo-se ao rompimento de suas imagens, uma após a outra (QUEIRUGA, ANDRES Torres. Creio em Deus pai: o Deus de Jesus como afirmação plena do humano. São Paulo, paulinas, 1993, p. 29).

Queiruga afirma ainda que só a partir do momento em que reconhecemos Deus como Pai é que derrubaremos as falsas imagens de Deus, pois todos se vêem como filhos muito amados e participantes desse amor (Cf. Queiruga, 1993, p. 100-102).

O conhecimento de Deus para a Teologia da Libertação segue seu método peculiar adaptado a realidade dos pobres. Aquela interpreta o concreto da história, e acima de tudo o sofrimento do pobre. Não é possível conhecer a Deus negligenciando a dor alheia. Portanto, para se chegar a Deus é de suma importância ir ao encontro dos expurgados do sistema; esta é a condição de possibilidade para conhecer Deus. Onde está o pobre também está Deus[9].

No entanto, como a discussão gira em torno de como falar de Deus sem cair em ideologias anacrônicas, o pobre se torna o lugar epistemológico para a elaboração de uma teologia. Toda elaboração conceitual possui uma ideologia e mesmo falando do pobre sofrido também se parte de um lugar; é o momento de ideologização do pobre.

Esse é sem dúvida um limite, mas a teologia da libertação não para no pobre, porque sua reflexão parte de uma vivência sadia da história humana a qual aponta para um algo que transcende essa mesma história, logo, a salvação do homem é integral. O pobre não pode permanecer em seu estado, ele é levado a, já nesse mundo, sentir-se humanizado. Tal via seria o ponto de partida para diminuir o grau ideológico para o conhecimento de Deus.

Como foi afirmado no início um discurso totalmente puro sobre Deus não é possível. Muitos tentaram ao longo da história e por mais sinceros que fossem, vez ou outra a compreensão se mostrou débil, incapaz de explicar os desígnios de Deus. Por isso, nunca haverá um discurso totalmente puro a respeito desse grande mistério.


4 PERSPECTIVA PASTORAL

“Quando quero rezar e não há uma Igreja por perto, me ajoelho em frente a uma árvore e rezo”.
Cartola


Não há possibilidade de se falar de Deus hoje em dia, sem se deixar tocar por Deus e a partir deste toque agir, na pastoral: em nossos grupos, comunidades, paróquias e dioceses. A partir do hálito de vida soprado em nossas narinas por Ele, nossa sensibilidade se recusa a ver a condição humana fora da relação com o cosmo: com toda a criação, com todos os seres viventes. É fazer valer o pedido do salmo 27,4: “Uma coisa peço a Iahweh, a coisa que procuro: é habitar na casa de Iahweh todos os dias de minha vida para gozar a doçura de Iahweh e meditar no seu templo” (JERUSALÉM, 2002).

Leonardo Boff, afirma que:
nós brasileiros, mais do que um povo religioso, somos um povo místico. Nós não acreditamos em Deus, isso é coisa dos europeus, nós sentimos Deus. Sentimos Deus na pele, no corpo, e por isso toda hora falamos: vá com Deus...fique com Deus...Deus está dentro do nosso cotidiano na vida. Não dá para entender o mundo sem colocar Deus dentro. Jesus Cristo apresenta Deus como Abbá, um pai que tem as características de mãe. Como uma galinha que cuida dos pintinhos, como o pai do filho pródigo que acolhe o filho: olha na esquina, ele está chegando, corre ao encontro cheio de misericórdia, isto é, cheio de entranhas, coisas que as mulheres têm. É um Deus-ternura, mais mãe do que pai, ou então um pai-maternal e uma mãe-paternal... Encontrar Deus não só nas Escrituras Sagradas, nos textos da Tradição, na hóstia consagrada, no cálix bento, mas encontrar Deus na natureza, na pedra, no sol, encontrar Deus nos pobres, de tal forma que abraçando o mundo, está se abraçando Deus (PROGRAMA, 2009).




Falar de Deus hoje deve ter o ponto de partida na realidade em que estamos plantados, na realidade em que somos adubados, na realidade em que brotam os frutos da nova estação, na realidade em que devemos ser podados e cortados para que uma nova vida germine. Esta realidade compreende um mundo em que a economia é globalizada e excludente, a técnica é acelerada, a comunicação é sem fronteiras e há um rápido crescimento do pluralismo religioso. E podemos dizer que o tempo ainda não é o de negar a razão, mas não podemos viver a ditadura da razão. A dor do mundo está aí na nossa frente. Os valores não são animados e empurrados somente pela ética, mas sim pelo coração, pelo sentimento, que está diretamente enraizados na concepção que temos de Deus. O mundo é partilhado vergonhosamente pelo G-8 e cortejado pelo G-20, sendo que, quem deveria estar tratando dos assuntos referentes à humanidade e a vida do Planeta seria a ONU, mas isso, infelizmente é um sonho, que tão cedo não veremos realizado, mas, precisamos estar atentos como as virgens prudentes do Evangelho.

Falar de Deus hoje é não esquecer as nossas matrizes culturais: indígena, européia e africana. Elas nos lembram todos os dias que somos o povo mais propenso ao diálogo e ao encontro, pois estamos juntos e misturados na dinâmica da vida. Somos como o trabalho das mulheres na produção da panela de barro em Goiabeiras, Vitória/ES; que tiram do barro, do mangue e das árvores do mangue, o necessário para moldarem o símbolo que ilustra tão bem a cultura capixaba e que embeleza a culinária deste mesmo povo; é um trabalho honroso e divinal, que mantêm viva a memória daquelas outras tantas paneleiras que iniciaram a tradição da fabricação das panelas de barro conhecidas mundialmente. E elas são descendentes de indígenas, de europeus, de africanos e por isso, a moqueca capixaba é a melhor moqueca do mundo e o sexto melhor prato para ser apreciado segundo a OMS, pois não engorda, e é leve. Na raiz de tudo isso está a disponibilidade, o empenho e a garra de gerações inteiras de mulheres, que assim como Sefra e Fua, ajudam dar à luz o sonho da posteridade; ao perpetuarem este sonho e ao fazerem feliz todo um povo aproximam-se muito de Deus e vêem a Deus mais do que a maioria de nós.

Falar de Deus hoje é percorrer todo o projeto de salvação, a qual, sua prática e pedagogia libertadora está implícita e explicita na Primeira e na Segunda Aliança, no Concílio Vaticano II, nas conferências de Medellín, Puebla e Aparecida, fazendo em nós uma transformação, impulsionando para a prática pastoral: Para que todos tenham vida e a tenham em abundância. Que rezem, orem o Pai Nosso, mas, reivindiquem a justiça e a solidariedade do Reino, o Pão Nosso.

Quem, afinal, é Deus?

“Nosso Deus é o artista do Universo. É a fonte da luz, do ar, da cor. É o som, é a música, é a dança. É o mar, jangadeiro e pescador. É o seio materno sempre fértil, é beleza, é pureza e é calor”.
Zé Vicente

Ele sempre irá responder: “Eu sou aquele que é!” (Ex 3,14).

Ele é realidade transcendente. Sendo transcendente nunca saberemos de fato o que ou quem é Deus, só sabemos daquilo que não é, pois a nossa idéia de Deus é sempre limitada, Ele está além de tudo de que possamos sonhar ou pensar ser. Mas o desejo que possuímos é o de que da mesma forma que Jesus, nós também possamos crescer em graça e em sabedoria, por uma intimidade profunda com Ele, onde a nossa existência será inspirada e portanto poderemos chamá-lo de Abbá.

Na América Latina e no Caribe, diferentemente da Europa, Deus é aquele que escolhe os pobres (não são os pobres que escolhem a Deus), pois aqui, neste Continente, a pobreza é institucionalizada. Somos um Continente de hapirus (os mais pobres - pessoas desalojadas, sem terra, excluídas nas cidades e nos campos), onde desde cedo, por causa do batismo, alimentamos a vontade de construir uma sociedade distinta, sem exploradores e explorados; uma terra sem males.

O Deus que foi passado para a geração que nasceu no Brasil nos anos 70 e era jovem nos anos 80 do século XX, foi o Deus da Teologia da Libertação: divinamente humano, humanamente divino; próximo ao seu povo, em suas lutas, em seus sorrisos, em seus martírios. Um Deus que entrava nas casas através da Bíblia traduzida para o português e nas mãos do povo. E lá ia o povo se reunir debaixo de uma árvore, para se ver, sorrir e celebrar a vida, de um jeito simples, despojado, de analfabetos à homens novos, de analfabetas à mulheres novas. Eram as comunidades eclesiais de base se espalhando por todo o Brasil, sofrendo na pele, perseguições, tal qual as Primeiras Comunidades, por causa do Reino, sendo a voz profética num tempo em que o milagre era economicamente favorável às elites nacionais, fazendo com que os ricos se tornassem cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres.

Foi um período profético. Deus caminhava junto. Ele via a miséria do povo, ouvia seu grito por causa dos seus opressores e descia afim de libertar. Cuidava das feridas e soprava, beijava e abraçava, e os agentes de pastoral iam em frente, havia um ardor missionário contagiante, pois acreditar em Deus sempre foi uma opção de vida. O convite para participar da messe era feito, muitas vezes, com o testemunho daqueles que tombaram e daqueles que insistiam em continuar, mas aceitar ou não, sempre foi uma escolha pessoal. Antes do Concílio Vaticano II, se tinha uma atitude de fé que levava a acreditar em Deus, envolvendo razão e levando o ser humano a aprender uma doutrina, esta por sua vez conduzia a um saber sobre Deus e nada mais. Com o Concílio Vaticano, Medellín, Puebla e Aparecida, a atitude leva a comprometer-se com Deus, envolvendo todo o ser, este desenvolve uma prática de vida que o conduz a uma conversão, a uma mudança, de dentro para fora.

José Maria Vigil no que refere a ação pastoral nos diz que:

para o Jesus histórico o Deus do Reino é o centro, e não há nenhuma outra mediação para ele senão a promoção de seu próprio Reinado. A missão de Jesus não é outra senão o anúncio e a promoção desse Reino. (...) Na linguagem do evangelho de Jesus, Deus é sempre o Deus do Reino, e o Reino é sempre o Reino de Deus, de forma que o teocentrismo e reinocentrismo se implicam mutuamente. (...) Esse foi o tema de sua pregação, sua obsessão, seu sonho, a paixão que o movia, a causa pela qual viveu e lutou, aquilo que em sua vida teve valor absoluto para ele. A figura de Jesus não foi a do fundador de uma religião ou de uma Igreja, e sim a de um profeta apaixonado pelo Reino de Deus, causa última que o fez viver e morrer (VIGIL, 2006).

“A ação de Deus se dá através da nossa ação. E pode se perguntar: “Deus faz milagre na História?”. Faz! Mas jamais fora das coordenadas da História” (TAVARES, 2005).


Um Deus para hoje

“No chão da vida nasce o Povo de Deus. No Deus da Vida nasce o Povo dos Céus”.
Emerson Sbardelotti / Lula Barbosa

Qual é a imagem de Deus que nós temos? Qual é o conceito que temos de pastoral? Perguntas importantes para a nossa caminhada enquanto seres humanos, para o nosso artigo, para a nossa vida em grupo, em comunidade.

A imagem de Deus na Primeira e na Segunda Aliança que se propõe e que se aproxima mais de uma pastoral comprometida com o Reino é esta: a - Na Primeira Aliança, o grande perigo para Israel era contaminar Iahweh com os cultos da fecundidade. A paternidade divina surge fundamentada na saída do Egito. Como se disse anteriormente, Deus escolhe os hapirus. Os profetas usarão expressões cheias de ternura para significarem esta paternidade, que na verdade é maternidade. b - Na Segunda Aliança, teremos a experiência fundante do Abbá em Jesus. Esta vivência constitui a intimidade original e profunda de sua personalidade. Por causa dela Jesus cria uma reação em cadeia contaminando todo o seu grupo de amizades, levando-os à radicalidade infantil de chamar Deus de papai, uma experiência única. Deus é para sempre definido como paternidade revelada e entranhável, como fonte de ternura e confiança. Deus é o que alimenta o mistério em Jesus e a partir deste se abre para todas as criaturas.

Fuentes nos diz que:
etimologicamente, o termo “pastoral” deriva de pastor. No início do seu uso (finais do século XVIII e princípios do século XIX) referia-se basicamente à doutrina e prática de formar pastores (presbíteros), e ao modo de realizar o ofício da cura animarum (cuidado das almas) próprio do pároco. A partir daí, este conceito foi evoluindo, ganhando grande variedade de significados, alguns reducionistas, outros ambíguos ou mesmo errôneos (FUENTES, 2008).

Uma nova imagem para Deus hoje, uma nova pastoral para hoje, só terá sentido, se primeiro, quem busca seus significados souber o quanto significa ser humano. Os profetas da Primeira Aliança e o próprio Jesus sabiam muito bem o que significava ser judeu naquele momento da história da humanidade e a missão que tinham a realizar. Sentiam muito bem a imagem de Deus que os animava.

Falar hoje de uma nova imagem de pastoral num mundo globalizado é mais complicado do que se imagina. Com o advento da internet, as juventudes, não se colocam mais a disposição para o exercício da fé em comunidade. O sagrado está no shopping center e a virtualidade é mais próxima do Deus espiritualizado que imaginam para si. Apesar de conhecerem e saberem o que é um pastor e seu ofício, eles residem em sua maioria em cidades populosas, onde dificilmente verão rebanhos e montanhas ao estilo clássico bíblico, portanto o discurso do Bom Pastor, por exemplo, irá soar apenas como mais uma fábula ou como um preceito moral de fim de história que os mais velhos contam ou contavam.

Mas há também as juventudes que se sentem atraídas por Deus e estão se colocando à disposição nas mais diversas equipes e pastorais. E conscientes do papel que desenvolvem, vão dando um novo vigor à caminhada de suas comunidades, paróquias, dioceses, independente se são ou não apoiados pela hierarquia, o que sempre representou um grande problema, principalmente para as Pastorais da Juventude, mas que também sempre foi encarado como desafio a ser vencido. E foram e venceram. Olhe a quantidade de jovens que participaram do último Intereclesial das Cebs, acontecido em Porto Velho, em julho de 2009, e que estão se mobilizando para participarem do Encontro Nacional de Fé e Política em Ipatinga, em novembro de 2009 e para o Fórum Social Mundial na Grande Porto Alegre em janeiro de 2010. O Espírito de Deus sopra sempre onde ele quer. Não há como controlar. Só podemos sentir e nos maravilhar e seguir em frente.

A experiência de Deus é senti-lo em intimidade profunda, amorosa, através da fé em Jesus e colocado em prática nas ações comunitárias em que estivermos inseridos. O encontro e o diálogo com Deus na oração nos impulsiona todos os dias a irmos em busca do irmão, do outro. Pois Deus se manifesta na realidade humana, em sua cultura e em sua história sem excluir ninguém. Ele aglutina, sorri, se compadece, abraça e beija. A ação pastoral enquanto serviço emanado do amor é uma autêntica vivência de Deus.


REFERÊNCIAS




AQUINO, Tomás. Suma Teológica. Vol. 1 questões 1-49. Porto Alegre, Escola Superior de Teologia São Lourenço de Brindes, Livraria Sulina Editora, Caxias do Sul. Universidade de Caxias do Sul: 1980.
BLANK, Renold J. Deus na história: centros temáticos da revelação. São Paulo: Paulinas, 2005.
BRIGHT, John. História de Israel. 2 ed. São Paulo: Paulinas, 1981.
CHALMERS, Alan. O que é ciência afinal? São Paulo: Brasiliense S.A. 1993.
FUENTES, Salvador Valadez. Espiritualidade Pastoral – como superar uma pastoral “sem alma”?. São Paulo: Paulinas, 2008.
GOTTWALD, Norman Karol. Introdução socioliterária à Bíblia hebraica. São Paulo: Paulinas, 1988. pp. 139-221. (Coleção Bíblia e sociologia).
GOTTWALD, Norman Karol. As tribos de Iahweh: uma sociologia da religião de Israel liberto 1250-1050 a. C. São Paulo: Paulinas, 1986. (Coleção Bíblia e sociologia).
JERUSALÉM, Bíblia de – nova edição, revista e ampliada. São Paulo: Paulus, 2002.
KANT, Immanuel. Critica da Razão Pura. Coleção Os Pensadores: São Paulo: Nova Cultural, 1999.
PIXLEY, Jorge. A história de Israel a partir dos pobres. Petrópolis: Vozes, 1989. (Coleção Deus conosco).
PONTIFÍCIA COMISSÃO BÍBLICA. A interpretação da Bíblia na Igreja. 7 ed. n. 134. São Paulo: Paulinas, 1994.
PROGRAMA Sempre um Papo – Leonardo Boff. Belo Horizonte: 2009.
PSEUDO-DIONISIO. Obra completa. São Paulo: Paulus, 2004.
REALE, Giovanni. ANTISERI, Dario. Historia da Filosofia: Filosofia antiga e medieval. São Paulo, Paulinas, 1990. (Vol. 1)
TAVARES, Emerson Sbardelotti. O Mistério e o Sopro – roteiros para acampamentos juvenis e reuniões de grupos de jovens. Brasília: CPP, 2005.
VIGIL, José Maria. Teologia do Pluralismo Religioso – para uma releitura pluralista do cristianismo. São Paulo: Paulus, 2006.
ZILLES, Urbano. Filosofia da Religião. São Paulo, Paulus: 1991.



* Adriano Souza Viana, Angelo José Salvador, Edson Kretle, Fábio Milioli Saith – Graduados em Filosofia pela Faculdade Salesiana de Vitória; Emerson Sbardelotti Tavares – Graduado em Turismo pela Faculdade de Turismo de Guarapari - Graduandos do curso de Teologia do Instituto de Filosofia e Teologia da Arquidiocese de Vitória do Espírito Santo (IFTAV).


[1] A Introdução do livro e título do primeiro capítulo se refere ao tema do “Verdadeiro Deus”. As idéias de Blank se propõem a fazer uma redescoberta do sentido do Deus judaico-cristão no percurso histórico se baseando em pesquisas bíblicas e teológicas.
[2] Temas tratados em todos os capítulos
[3] Essas abordagens são explicadas no documento da Pontifícia Comissão Bíblica, pp. 66-78.
[4] Cf. BRIGHT, 1981, p. 11.
[5] Cf. pp. 74-78
[6] BOFF, Clodovis. Teoria do método teológico. Rio de Janeiro: vozes, 1998.
[7] Libânio em resposta a questão enviada por E-mail: Como não manipular Deus do ponto de vista teológico? Todo o discurso a seu respeito seria uma ideologia?
Resposta: BH 05 de maio de 2009. Angelo: “pureza total de um discurso sobre Deus é impossível enquanto estivermos na história. Certa dose de ideologia penetra tudo. A defesa que temos é a consciência crítica que procura diminuir os aspectos ideológicos. daí a necessidade do diálogo entre os diferentes discursos. para uma resposta concreta, teria que ver sobre que ponto de Deus se discute para perceber aí o jogo ideológico possível”.
[8] Cf. GRÜN, Anselm. A oração como encontro. Rio de Janeiro: vozes, 2001.
[9] Cf. SOBRINO, Jon. Jesus, o libertador. São Paulo, vozes, 1994.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Encontro sobre mística e espiritualidade

MÍSTICA E ESPIRITUALIDADE
(itinerários do ser humano)

Assessor: Emerson Sbardelotti

Roteiro do sábado:

07:00 Café.

08:00 Oração: Ofício Divino da Juventude ou Ofício Divino das Comunidades.

08:30 Apresentação dos participantes, coordenação e assessor.

09:00 O que é mística? O que é mistério? O que é espiritualidade? O que é espírito?
Itinerários do ser humano: o poço, a água, o deserto, a barca, a semente, a luz.

10:00 Café.

10:15 GT – Grupos de Trabalho – Texto bíblico: Lc 24, 13-35.
GT 1. O Silêncio.
GT 2. Leitura Orante da Bíblia.
GT 3. Ofício Divino das Comunidades.
GT 4. Mística.
GT 5. Espiritualidade.
Ø Para este trabalho será necessário o uso do livro O MISTÉRIO E O SOPRO – roteiros para acampamentos juvenis e reuniões de grupos de jovens.

11:15 Partilha das experiências nos GTs.

12:00 Almoço.

13:30 Mística, Espiritualidade, Ecologia e Teologia da Libertação.

15:00 Café.

15:15 DVD ESPIRITUALIDADE LIBERTADORA – 11º. INTERECLESIAL DAS CEBS.

16:00 GT – Grupos de Trabalho – Músicas católicas e populares.
GT1. Tocando em frente (Maria Bethânia).
GT2. Mistérios (Zé Vicente).
GT3. Se fiquei esperando meu amor passar (Legião Urbana).
GT4. Cidadão (Luiz Gonzaga).
GT5. Vou fazer uma oração (Lula Barbosa & Emerson Sbardelotti).

Q1. O que mais chamou atenção na música?
Q2. Como o artista trabalha a mística e a espiritualidade na canção? Que sensação nos faz sentir?

16:30 Partilha das experiências nos GTs.

17:00 Missa



Materiais que a assessoria precisará que dê para trabalhar com todos os participantes:

Papel chamex
Tesouras
Barbante
Pincéis atômicos
Velas
Incenso
Rádio com cd
Televisão com DVD
Nootbook, datashow e caixa de som
Argila (para ser modelada pelos participantes)
Recortes de jornal com a realidade da região onde moram os participantes
Balde enfeitado com papel pedra, e com água dentro
Cangas coloridas (para os participantes deitarem no chão)

Pedir aos participantes que usem bermuda e evitem o uso de saia, pois iremos sentar e deitar no chão.

Emerson Sbardelotti

sábado, 19 de junho de 2010

DISCURSO - HOSPEDAGEM NOTURNO 2010/1

DISCURSO DO PARANINFO – MAIO – 2010

CURSO TÉCNICO DE HOSPEDAGEM – NOTURNO – TURMA B

Desejo de todo coração que estas palavras de carinho e de despedida cheguem aos corações de minhas afilhadas e de meu afilhado da Turma B, como aquele abraço afetuoso e saudoso da hora da partida que hoje se realiza. Todo caminhar tem seu início, o seu meio e o seu fim. E por isso estamos aqui. Para uma última caminhada.
Em 2009 vocês começaram o Curso Técnico de Hospedagem, a primeira turma, e chegavam cheios, cheias, de expectativas e emoções, com vários, várias colegas, cada um, cada uma, com qualidades e defeitos, e isso tudo, fez com que a Turma se unisse e conquistasse o coração desse professor e o de outros colegas na Instituição; infelizmente, alguns, algumas, como diria o livro de Sun Tzu – A Arte da Guerra - não resistiram às batalhas e ficaram pelo caminho. Vocês, cruzaram a fronteira final e ganharam a guerra, agora resta, para vocês, um último ato: essa nossa última aula; uma última lição antes de vocês voltarem para suas casas e traçarem, planejarem individualmente a organização do futuro a partir do conhecimento que juntos nós construímos.
Não esquecerei nenhum dos vários momentos em que fomos cúmplices nas aulas que vocês me ajudaram a preparar, pois, apesar de uma preparação prévia, sempre valorizei o que o meu afilhado e as minhas afilhadas traziam de novidade, de inquietações, pois a verdadeira recompensa de um professor é sentir dentro do peito que seus alunos, suas alunas, não aprenderam a repetirem teorias, mas cresceram enquanto seres humanos. Lecionando para vocês, aprendi muito mais do que ouvir, aprendi a escutar os desejos que vocês não conseguiam ou não queriam falar em voz alta...foi descobrindo pequenas coisas em vocês que pude melhorar enquanto profissional, que pude melhorar enquanto ser humano para realizar grandes coisas.
Não esquecerei os sorrisos de vocês. Não esquecerei as brigas que fizeram crescer. Não esquecerei a dedicação em todos os eventos e idéias que foram propostas, e que com humildade, e senso de profissionalismo, realizaram com maestria. Não esquecerei que já não nos víamos como professor e alunos, nem como líder e equipe de trabalho, mas como um grupo de amigos e nem por isso a aula deixou de ser séria e ao mesmo tempo humorada. Não vou esquecer que aprendi a amar vocês.
O amor é a expressão mais custosa do cuidado, pois tudo o que amamos, também cuidamos, e se cuidamos, é sinal de que muito amamos. Ter ido ao encontro de vocês e vocês de virem ao meu encontro proporcionou, para nós, uma relação de aliança, de amizade que não será quebrada, pois nós, nos fizemos importantes uns para os outros, mobilizando assim nossas energias vitais; e por nos amarmos tanto, é que chegamos a esta última aula, rejuvenescidos e com a sensação maravilhosa de estarmos começando a vida de novo e agora.
Se fui o professor chato, com cara de poucos amigos e mal amado; se fui o professor que em todas as aulas exigia de vocês sempre o melhor; hoje posso dizer com alegria que vocês chegaram ao final, apaixonados pelo Curso Técnico de Hospedagem, que dentre os demais cursos, sempre privilegiou o encontro e o diálogo, o respeito ao outro e a Natureza. Afinal ela é o nosso objeto de estudo. Sem ela nada somos enquanto profissionais, dependemos dela para tudo na nossa carreira. É por isso que peço a vocês, agora como Técnicos em Hospedagem, que protejam a Natureza, o ambiente inteiro onde vivem, protejam a vida. Nossa profissão exige de nós uma consciência ecológica e um envolvimento com a Mãe-Terra, ela é um organismo vivo e precisa de nós. Não seremos os salvadores do planeta, mas por conta de nossa intuição, de nossa criatividade, poderemos fazer do nosso Continente, do nosso Brasil, do nosso Estado do Espírito Santo, das nossas cidades capixabas, um outro mundo novo e possível. Onde possamos viver em paz e com abundância.
E é com esse desejo de paz que eu gostaria de retribuir a homenagem que vocês me fizeram, escolhendo-me para ser o seu paraninfo com algumas imagens captadas de momentos únicos na vida de vocês e uma música muito bonita, que eu sei...irá emocionar vocês e nunca mais irão se esquecer de mim, como eu não vou me esquecer de vocês.
Pois seguiremos nossas vidas, tocando em frente.

TOCANDO EM FRENTE (ALMIR SATER & RENATO TEIXEIRA)

Ando devagar por que já tive pressa
E levo esse sorriso por que já chorei demais
Hoje me sinto mais forte
Mais feliz quem sabe
Eu só levo a certeza de que muito pouco eu sei
Eu nada sei

Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso chuva para florir

Penso que cumprir a vida
Seja simplesmente
Compreender a marcha e ir tocando em frente
Como um velho boiadeiro levando a boiada
Eu vou tocando os dias pela longa estrada eu sou
Estrada eu vou

Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso chuva para florir

Todo mundo ama um dia
Todo mundo chora
Um dia a gente chega no outro vai embora
Cada um de nós compõe a sua história
E cada ser em si carrega o dom de ser capaz
E ser feliz

Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso chuva para florir

Ando devagar por que já tive pressa
E levo esse sorriso por que já chorei demais
Cada um de nós compõe a sua história
E cada ser em si carrega o dom de ser capaz
E ser feliz

Encerro aqui a minha parte na História de vida de cada um, de cada uma de vocês. Tudo o que de bom eu aprendi, eu partilhei com vocês. Pois sempre priorizei entregar para vocês o melhor que eu tinha e tenho dentro de mim. Sempre acreditei em vocês. Sempre torci pelo sucesso de vocês. E posso dizer com satisfação, que foi a melhor equipe com quem eu já trabalhei nestes anos todos em que sou Turismólogo. Muito obrigado por vocês existirem. Continuem estudando, pesquisando e buscando. Vocês chegarão muito longe, onde eu não consegui. Um grande abraço e até um dia.

Emerson Sbardelotti Tavares
Turismólogo
* direitos reservados *




sexta-feira, 11 de junho de 2010

DICAS PARA VOCÊ VOTAR COM ÉTICA E SABEDORIA A PARTIR DE UMA PARÁBOLA

DICAS PARA VOCÊ VOTAR COM ÉTICA E SABEDORIA A PARTIR DE UMA PARÁBOLA

Certo dia, percebendo que o seu Espírito voltaria para o seio da Mãe Terra, o centenário filósofo, desejoso de deixar uma última instrução, reuniu os meninos e as meninas da aldeia onde habitava, foi para a beira do rio, e ao som da correnteza, pediu que se sentassem nos tocos por ali espalhados e admirassem a Natureza...deu um suspiro bem fundo, e contou-lhes a história mais antiga, aquela que seus longos dias de existência conseguiam lembrar com extrema clareza e precisão: O NASCIMENTO DO VOTO COM ÉTICA E SABEDORIA:

A Mãe Terra amamentava seus filhos e filhas e nada faltava. Tudo era comum e de todos. Em nenhuma Pólis havia necessidade. O paraíso era aqui, e as Pólis viviam em paz. Mas acontece, que os filhos e as filhas foram crescendo e se esquecendo dos ensinamentos da Mãe Terra: do cuidado e da fraternura com toda a Natureza...ela é a sua fonte primeira, dela tirará o húmus de sua personalidade, dela se tornará defensor; defendendo-a, estará protegendo toda a vida conhecida. Eles e elas se afastaram de tudo o que era bom e as Pólis começaram a guerrear entre si mesmas.
Cansada de ver seus filhos e filhas se matando, reuniu todas as Pólis no centro da floresta mais fechada e ali lhes falou uma última vez: A Natureza era eterna, mas vocês a contaminaram com sua ganância, com seu desamor, vocês a corromperam. A partir de agora, vocês escolherão por meio do voto, os melhores, as melhores, entre vocês para administrarem o uso da terra, o uso da água, o uso das energias vitais para o sustento próprio e das Pólis. A Natureza não mais se regenerará. Vocês serão os responsáveis pela vida e pela morte da Natureza.
E se afastando nunca mais sua voz foi ouvida e nem sua presença sentida em nenhuma parte habitada pelo ser humano.
As Pólis escolheram seus melhores cidadãos, suas melhores cidadãs. No princípio, eles, elas estavam preocupados com a defesa da vida em suas Pólis, mas, com o passar do tempo, ao enriquecerem, não se importavam mais com os apelos, com os gemidos das pessoas que a cada dia ficavam cada vez mais necessitadas do mínimo para sobreviverem, para existirem, enquanto seres humanos.
A corrupção cresceu no meio das Pólis e a situação ficou insustentável; ocorrendo várias manifestações de repúdio a tudo que estava acontecendo nas Casas Legislativas onde eram tomadas as decisões; mas o povo não podia nem se aproximar, mesmo sendo pacíficas as manifestações. Alguns representantes ainda tentavam fazer alguma coisa, mas a sólida maioria conseguia sempre aprovar projetos que priorizavam somente os interesses próprios.
A violência se tornou inevitável. O próximo passo seria a guerra. Os mais fracos sucumbiriam aos mais fortes.
Neste momento o velho filósofo parou, olhou para os meninos e para as meninas e suspirou mais uma vez, como se procurasse buscar bastante ar e fechou os olhos.
Alguém do grupo perguntou: não haveria uma forma de se evitar tudo isso? De fazer o retorno à Mãe Terra?
O velho filósofo abriu os olhos e se levantou, com a mão na imensa barba pensou...pensou e disse:
Não há uma fórmula milagrosa!
Não há uma saída perfeita!
Mas conheço um caminho: a ÉTICA E A SABEDORIA!
Ouçam essas minhas dicas se querem realmente defender a vida e retornarem à Mãe Terra:

1ª. Dica: CONHECER PROFUNDAMENTE O SENTIDO DA PALAVRA POLÍTICA.

Política denomina arte ou ciência da organização, direção e administração da pólis; aplicação desta arte aos negócios internos (política interna) ou aos negócios externos (política externa). Nos regimes democráticos,a ciência política é a atividade dos cidadãos e cidadãs que se ocupam dos assuntos públicos com seu voto ou com sua militância. O termo política é derivado do grego antigo πολιτεία (politeía), que indicava todos os procedimentos relativos à pólis, ou cidade-Estado. Numa conceituação moderna, política é a ciência moral normativa do governo da sociedade civil. Mas, política, é a arte de governar, é o uso do poder para defender os direitos de cidadania. O importante é o princípio ativo da política. É saber que a política é sempre, o modo pelo qual chega-se a decidir algo que não é particular, mas que diz respeito a toda uma coletividade, algo que é público.

2ª. Dica: CONHECER O PASSADO DO CIDADÃO, DA CIDADÃ QUE IRÁ LHE REPRESENTAR.

É de suma importância que todo o passado do cidadão e da cidadã que irá lhe representar na Casa Legislativa seja investigado e trazido à tona. O que era, o que pensava antes e o que pensa e é atualmente que o/a qualifica para ser um/a representante?
Qual é o posicionamento do partido político no qual se filiou? O seu pensamento é a favor da vida ou vota a partir de interesses próprios e aqueles do partido, e não do povo que confiou nele?
Representante honesto/a e ético/a não tem medo de protocolar em juízo a relação de bens materiais que possui. Todos sabem que tal relação de bens sempre aumenta depois que estão no exercício do poder legislativo, muitas vezes de forma suspeita.
Você lembra em quem votou nas últimas eleições? Ele/a continuará honrando o mandato dele/a, ou tentará uma nova legislatura? Se ele/a deixará a atual legislatura deixando-a incompleta, com certeza não presta para representar você na Casa Legislativa, ele/a está comprometido apenas com o próprio bolso e não com o bem estar comum.
Se o cidadão, se a cidadã renega o seu passado em concordância com os anseios do partido no qual se filiou, este/a não deve mais ser escolhido pelo povo, pois traiu o povo.

3ª. Dica: NÃO VOTAR NO CIDADÃO, NA CIDADÃ QUE DEFENDE A VIOLÊNCIA E A MORTE – DE QUALQUER ESPÉCIE.

O povo sabe quem realmente quer o bem estar comum, e quem quer apenas ter poder aquisitivo maior e melhor que os demais. Numa sociedade, cada dia mais discriminadora, e que exclui, a violência tem aumentado com enorme facilidade, pois não há leis nem mecanismos políticos, sociais, culturais e econômicos que possam frear este avanço. Em conseqüência disso, a morte, à cada dia bate mais forte nas portas de todos nós. A vida é mais importante do que a morte.
Se o cidadão, se a cidadã, aprova tudo o que seu partido propõe sem debater, sem questionar, tenha muito cuidado, ele/a está traindo o povo; é melhor que não seja eleito/a representante na Casa Legislativa, pois continuará semeando morte ao invés da vida.

4ª. Dica: NÃO VOTAR NO CIDADÃO E NA CIDADÃ QUE JÁ POSSUI MAIS DE UM MANDATO – O/A PROFISSIONAL.

Quatro anos de mandato é um período mais do que suficiente para mostrar pelas atitudes, no exercício do poder legislativo, que não é uma pessoa mentirosa, mas sim, preocupada com o bem estar comum e com a renovação dos quadros da política na Pólis, consciente que seu afastamento do cargo é prenúncio de boas vindas de novas lideranças também comprometidas com o povo.
O/a representante que se profissionaliza na política esquece as necessidades prioritárias da população e seu ego fica inflado, acreditando ser ele a única saída para os problemas da Pólis. Um cidadão, uma cidadã assim, não merece a confiança do povo.
O/a representante profissional tem medo de contrariar o seu partido e se omite em votar leis que beneficiem a população, e vota nos interesses próprios e do partido. Isto tem acontecido entre nós, dentro dos partidos de oposição, como também nos partidos que são da situação. Abra seus olhos e não se deixe mais enganar.

5ª. Dica: NÃO VOTE EM CIDADÃO, EM CIDADÃ, QUE FINGE SER ECUMÊNICO/A, MAS NO EXERCÍCIO DO PODER, PERSEGUE A SUA RELIGIÃO.

Haverá muitos lobos em pele de cordeiros se apresentando às Pólis. Falando ser uma pessoa ética, religiosa, com um posto eclesiástico fora de suspeita...Cuidado com estas pessoas, pois agora, na campanha, prometem trabalhar em nome da coletividade, que há apenas um Deus, mas na verdade, nos porões de suas Igrejas, fecham acordos obscuros que pretende denegrir a imagem de uma outra Igreja ou aprovarem leis que beneficie aquela denominação religiosa da qual participa.
A liberdade de culto religioso se existe de fato, deve ser respeitada. Se há criminosos nas instituições religiosas, estes devem ser banidos ou expulsos e processados judicialmente pelos magistrados de direito e não por Comissões Parlamentares de Inquérito que não possuem o poder legal de julgar ou prender qualquer cidadão, qualquer cidadã. Se isso ocorre, ocorre para denegrir a imagem de uma outra instituição religiosa ou por que os membros das referidas Comissões querem vencer no próximo pleito eleitoral e antecipam a corrida e a caça de votos.
As religiões devem ter apenas um único partido: a defesa da vida, onde ocorra o encontro e o diálogo nesta sociedade plural em que vivemos.
Se um/a líder religioso/a usa os meios de comunicação para perseguir esta ou aquela Igreja, esta ou aquela religião, este/a é um/a falso/a líder. Seu único objetivo é fazer antecipadamente a sua campanha eleitoral.
Se as Igrejas estão interessadas apenas no que podem lucrar apoiando este/a ou aquele/a cidadão/ã, se afaste delas, e reflita sobre as atitudes de seus/suas lideres religiosos/as, possivelmente, se não defendem a vida, estão contra o povo, em nome de um deus da morte, e não em nome de um Deus da Vida.

6ª. Dica: USE A ÉTICA E A SABEDORIA PARA VOTAR.

Vote em quem você realmente confia e que cumpre todas estas dicas dadas aqui. Elas são esclarecedoras. O/a representante ético/a e sábio/a, sabe que o povo tem sido enganado e traído descaradamente por cidadãos e cidadãs que não possuem uma ficha limpa, que não possuem uma só palavra, que se dizem convictos na religião que professam mas que mudam de posição quando percebem que o que defendem não lhes dará lucro, mordomia e estabilidade financeira.
Não tenha medo de dizer NÃO a todos/as representantes que aparecem no portão da sua casa, querendo comprar o seu voto, com caminhão de lajotas, remédios e consultas em hospitais, cestas básicas, churrascos de formatura, pagamento de contas em botecos da região, com a promessa de cargos comissionados nas Casas Legislativas.
Nada é mais importante do que uma consciência sábia e ética. Diga não. Agindo assim, você se torna mais um defensor da vida.
Vote em quem defende com todas as suas forças a Natureza. Nós dependemos dela para viver.

Depois disso, o velho filósofo, se levantou, abraçou os meninos e as meninas, um por um, uma por uma, e desceu pela beira do rio. Nunca mais foi visto. Algumas pessoas, dizem que ele encontrou a Mãe Terra, e esta, feliz por reencontrar um de seus filhos diletos, teria lhe dado a certeza do descanso eterno ao seu lado, e teria lhe agradecido muito pelos trabalhos efetuados na longa vida que vivera. Questionado se ele gostaria que Ela atendesse a algum pedido, ele não pensou duas vezes: CRIE PARLAMENTARES ÉTICOS/AS E SÁBIOS/AS para representarem com dignidade o nosso povo.
A Mãe Terra sorriu, abraçou o velho filósofo, e caminharam juntos.
Ainda se aguarda que a Mãe Terra atenda a esse pedido.


Emerson Sbardelotti
Ø Mestrando em Teologia Sistemática pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.
Ø Autor do livro O MISTÉRIO E O SOPRO – Roteiros para acampamentos juvenis e reuniões de grupos de jovens. Brasília: CPP, 2005. Pedidos pelo site www.cpp.com.br.
Ø Autor do livro UTOPIA POÉTICA. São Leopoldo: CEBI, 2007. Pedidos pelo site www.cebi.org.br.

terça-feira, 8 de junho de 2010

SANGUE E SOMBRAS

SANGUE E SOMBRAS

Uma vez um velho índio me disse:
Nem sempre conseguimos o que queremos
Mas, nem por isso,
O que queremos deve ser a última etapa do conseguir.
Há sempre algo a mais para se fazer pelo ser humano
Há sempre algo a mais para se fazer pela Mãe Terra
Deve existir sempre o meio termo entre o caçador e a fera

E todos nós voltaremos ao barro primeiro
Àquela primeira explosão
Àquele primeiro acorde do antigo violão
E todos nós iniciaremos um novo diálogo
A partir de um mistério profundo
A partir de um encontro oriundo
Com a vida: plenitude e canção

É preciso muitas vezes dar uns calos
Para lembrarmos dos pés
No caminho o que mais incomoda
Não é a distância a percorrer
Mas a pedrinha que entra debaixo deles
De que importa as cores de nossas peles
Se a cor do sangue de nossas veias
E de nossas sombras são as mesmas

Emerson Sbardelotti
08 de junho de 2010
21:57
*direitos reservados*