terça-feira, 8 de julho de 2008

HOMENAGEM A PEDRO

HOMENAGEM A PEDRO

Pedro: Dom!

Espanhol latino brasileiro,

catalão afro-latíndio,

Casaldáliga dos mártires...

sua fé,

é um canto de amor.

sua vida

nos ensina o que é viver

no viver do Nosso Senhor.

Pedro: pedra

Dom da gente...

do povo lascado...

que vai em romaria,

que vai de canoa

por águas calmas,

por águas tempestuosas.

Dom da mística,

Dom da espiritualidade:

que sua memória não nos deixe dormir em paz!

Pedro: povo!

A caminhada é longa:

cruzes na estrada,

estrada da vida que muitos não sabem andar

e partilhar o que é bom.

Dom de Tupã,

Dom que anda

entre os Tapirapé e os Karajá.

Dom: do respeito aos Orixás!

Dom da Paz!

Que desta terra sofrida, seca, destruída,

insiste em brotar.

Dom dos rios,

Dom dos Pampas,

Dom do Sertão...seu sorriso faz sorrir

quem acredita que viver é o melhor risco de vida!

Dom: Pedro Poeta!

Casaldáliga alegria!

Teu coração bendiz...bendiz teu nome:

Casa...

Casaldáliga...

Casa de um Deus Mártir- mulher, indígena e negro -

casa que entramos e saimos:

felizes e preenchidos.

Bispo Jovem,

como jovem é esta homenagem...

que vai sobrevoando o mar, o rio, a cascata e o sertão.

Pedro Cantador,

Casaldáliga Dom,

humilde servidor,

amigo também...

que São Félix do Araguaia interceda e te abençoe Deus...amém!


12 dezembro de 2002

dia de Nossa Senhora de Guadalupe, celebrando com D. Pedro Casaldáliga, o ofício divino das comunidades, em sua humilde casa na Prelazia de São Félix do Araguaia/MT.


Emerson Sbardelotti

BINO SANTO

BINO SANTO

ô Iaiá, ô Iaiá

vou louvar São Benedito

vou bater tambor

na beira do mar

a minha alegria, o meu amor

fui abençoado por Nosso Senhor

a banda de congo vai animando a festa

fazer o bem é o que me resta

aos seus olhos graças recebi

mesmo rouco e cansado estou aqui

ô Iaiá, ô Iaiá

vou bater tambor

vou louvar São Benedito

na beira do mar


Emerson Sbardelotti

sábado, 5 de julho de 2008

A HORA

A HORA

penso em você
mesmo sem querer
naquela antiga canção
do amor que ficou escondido

penso em você
mesmo sendo a vontade
ou não querendo pensar
o inferno está em outro lugar

penso em você
sabendo que o blues
não irá poder expressar
a lágrima sentida

hoje, pior do que ontem
enfrento a despedida
com certeza eu não vou embora
se você ficar, será a hora

Emerson Sbardelotti

NO MEIO DA SALA

NO MEIO DA SALA

no meio da sala
encontraremos lembranças
de um tempo bom
que se foi
agora é somente um oi

no meio da sala
e longe dos teus braços
o poeta escolhe o melhor verso
na esperança do abraço certo
e que nunca mais saia de perto

mas você agora está em outra
a chave continua debaixo do tapete
o mundo é estranho quando se está sozinho
viajar se torna chato demais
solidão acaba com a minha paz

mas você agora está com outro
e por mais que o ciúme me consuma
as flores nunca foram do mal
no meio da sala nossos olhares
no meio da sala...

Emerson Sbardelotti

terça-feira, 24 de junho de 2008

BÍBLIA E LITURGIA: REFLEXÕES DA CAMINHADA III

BÍBLIA E LITURGIA: REFLEXÕES DA CAMINHADA III

"Mas o Senhor espera para ter piedade de vós, agüenta para se compadecer de vós porque o Senhor é um Deus reto: felizes os que nele esperam" (Is 30,18).

Foi numa assessoria sobre Liturgia Jovem, que a profecia de Isaías e a de João Batista chamou a atenção daquela juventude reunida em retiro.
Expliquei que nas leituras do tempo do Advento, Isaías é o personagem que apresenta textos messiânicos e escatológicos, que irão se complementar nos textos evangélicos referentes a João Batista, também personagem típico do Advento, uma vez que este fala e aponta o Messias (cf. Is 40,1-11; Lc 3,1-20).
A realização das profecias na história, aparece como desenvolvimento do desígnio da salvação na qual a chave é o Cristo. Assim, redescobrimos a centralidade de Cristo na história da salvação, ontem, hoje e amanhã.
Através da leitura atenta das Sagradas Escrituras, poderá se perceber e escutar os passos da Palavra que se aproxima da história da humanidade.
É em cada profecia realizada, é na fidelidade comprovada que se manifesta a fidelidade do Pai, o protagonista do Primeiro Testamento, aquele que Jesus vem revelar com a sua encarnação no Segundo Testamento e em nosso meio.
Uma jovem perguntou: - "Há uma ligação íntima entre Isaías, João Batista e Jesus?"
Respondi: - "Há! A profecia de João, a de Jesus, só fará sentido se for lida e inculturada a partir da profecia de Isaías; a profecia de um sendo ponto de chegada e de saída da profecia dos outros!"
O profeta Isaías é chamado de "protoevangelista" , pois, com seus oráculos anuncia os sinais dos tempos messiânicos; suas profecias revelam o rosto escondido do Ungido (Messias - palavra hebraica / Cristo - palavra grega = UNGIDO).
João Batista, o Precursor, aquele que vem antes para preparar o caminho, o último dos profetas, aquele que indica e mostra o Cordeiro que tira o pecado do mundo; aquele que recebe a resposta do Mestre à sua pergunta: - "És Tu aquele que devia vir ou devemos esperar outro?" e Jesus responde: - "Ide informar a João sobre o que ouvi e vedes: cegos recobram a visão, coxos caminham, leprosos são purificados, surdos ouvem, mortos ressuscitam, pobres recebem a boa notícia; e feliz daquele que não tropeça por minha causa" (Mt 11,1-6).
A partir das profecias na vida do povo, a liturgia do Advento desenvolveu na Igreja uma autêntica espiritualidade, que tem seu foco na espera do Senhor. Advento é a celebração alegre da espera do Senhor.
Encontramos no tempo do Advento algumas palavras chaves: "espera, esperança, atenção, vigilância, acolhida e partida".
A espera por Cristo deve ser aquela do(a) amigo(a) que há muito tempo não encontramos, não vemos!
O limite da espera é o encontro!
O limite do encontro é o abraço, o beijo fraterno!
Vem, Senhor Jesus!

Emerson Sbardelotti
Mestre em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

sexta-feira, 20 de junho de 2008

VELHO CANTOR DE BLUES

VELHO CANTOR DE BLUES

outro dia
numa rua qualquer
o velho cantor de blues
confunde a poesia
com o céu azul
a rouca voz
encanta a multidão
que atenta aos tropeços do mundo
ouve a profética canção
uma mensagem de paz
mensagem de amor
tudo em transformação
ao som de uma gaitas
e encontra a perfeição
num outro dia
num outro dia
canta o velho cantor de blues
confunde a fantasia
com o mesmo céu azul

Emerson Sbardelotti

segunda-feira, 16 de junho de 2008

OFÍCIO DIVINO DA JUVENTUDE

OFÍCIO DIVINO DA JUVENTUDE

O caminho percorrido:

Era dezembro de 1988, quando foi publicado no Brasil, pelas Edições Paulinas, hoje pela Paulus Editora, o Ofício Divino das Comunidades, o que vinha a ser uma versão popular da Liturgia das Horas para as Comunidades Eclesiais de Base. Uma das primeiras pastorais da Igreja Católica Apostólica Romana a rezar e a celebrar o Ofício Divino das Comunidades foi a Pastoral da Juventude, hoje, as outras Pastorais da Juventude (PJE, PJMP e PJR) experimentam deste banquete litúrgico-fontal.

Com tantos anos de caminhada, o Ofício Divino das Comunidades não é conhecido o bastante nos mais variados meios da sociedade e da Igreja.
Nasceu para as comunidades e se espalhou para todo o Brasil, mas falta ainda muita coisa a ser dita e vivida.

O Ofício Divino das Comunidades não é um livro, é sobretudo, um jeito novo de rezar, é um sopro anterior à própria Igreja, oriundo da oração e da experiência judaica: rezado com salmos, a liturgia com louvor e intercessão nas horas do dia (manhã / tarde).
O sol nascia = era a vinda do sol da justiça.
O sol se punha = entrega do trabalho para Deus.
Para os judeus-cristãos:
Pela manhã = a ressurreição.
Pela tarde = a memória, a paixão, a cruz de Jesus.

De forma simples, o Ofício Divino das Comunidades devolve ao povo o que dele foi tirado: a tradição da Igreja; a caminhada latino-americana de rezar com os pés no chão e a piedade popular.

O Ofício Divino das Comunidades é a oração dos batizados, não depende do ministro ordenado. Nele, o grande valor é a questão dos salmos: se não convivemos com os salmos, perdemos sua beleza litúrgica. Nos salmos cantamos para Deus. Jesus e seus amigos e amigas cantavam todos os dias os salmos. Os salmos eram a oração cotidiana daquele grupo e por conseguinte de todo o povo de Israel.

O Ofício Divino das Comunidades deve ser concebido como um útero: o útero de Deus.

Modo popular de rezar, modo de tornar o mundo a casa comum: a Pacha-Mama, onde estamos permanentemente na presença de Deus, que nos gera a cada manhã e tarde! Somos insistentemente criados e recriados por Deus.

E por falar no Ofício Divino da Juventude:

Nasceu em 2004, teve uma segunda edição em 2006 e agora em 2014 está em sua sexta edição e comemorando dez anos de sua criação. Foi organizado  por Cajueiro - centro de formação, assessoria e pesquisa em juventude, Fraternidade do Mosteiro da Anunciação do Senhor – Goiás – GO, Diocese de Goiás.
Além do Ofício Divino da Juventude você pode encontrar também um material didático para a capacitação e um subsídio musical do mesmo, fazendo o pedido pelo sítio: www.cajueiro.org.br ou pelo telefone: (62) 8285-4436.

Irmã Penha Carpanedo, capixaba, da Revista de Liturgia, uma das parteiras do Ofício Divino das Comunidades, me disse uma vez que o Ofício Divino pode ser rezado individualmente, sem nenhum rito. Entretanto, sendo uma ação litúrgica, tem um caráter marcadamente comunitário e celebrativo. O louvor de Deus se realiza na comunhão das irmãs e dos irmãos, por meio da Palavra e dos gestos simbólicos, por isso é interessante observar o sentido dos elementos que compõem o Ofício Divino:

CHEGADA

O Ofício Divino introduziu o elemento da chegada, para que cada pessoa disponha interiormente para o louvor, curtindo a presença do Senhor, reunindo o coração de modo que a oração comunitária se apoie na oração pessoal. O refrão meditativo ou o mantra neste momento, não pode ser mais um elemento que se introduz e que se usa de uma maneira mecânica. Ele é sugerido em função da oração pessoal que antecede o Ofício. O clima deste momento é estabelecido pelo silêncio e pela quietude. Não devemos passar mecanicamente do refrão meditativo à abertura ou transformar este momento num rito de abertura antes da abertura.

ABERTURA

O Ofício nunca começa com um comentário, nem com um cântico catequético. Começa com a Assembléia se colocando de pé e quem coordena entoa os versos bíblicos de invocação de Deus, convidando para o seu louvor e todos repetem.

RECORDAÇÃO DA VIDA

A liturgia celebra fatos, não celebra idéias. Não é reflexão de um tema, é memorial da história de Deus com seu povo. Na reflexão privilegiamos a atividade da mente que pesquisa, reflete, assimila informação, adquire conhecimento. No memorial, o objetivo é buscar o sentido da vida e da história, reanimar o coração, retomar o caminho da aliança com Deus. Sentar para recordar a vida, trazê-la de volta ao coração, partilhar lembranças e preocupações é ajudar a tornar a oração verdadeira.

HINOS

Não é um salmo, nem um cântico bíblico, ainda que inspirado na bíblia…é destinado ao louvor de Deus, expressando o sentido da hora, ou festa, ou tempo. São hinos da caminhada.

SALMO

Com os salmos a gente aprende a rezar ligado à história do povo de Deus, de ontem e de hoje, à luz do acontecimento maior, a páscoa de Jesus.

LEITURA BÍBLICA

O Oficio foi pensado para comunidades que não tem missa todos os dias. Se recomenda para todos os tempos a leitura do dia conforme o lecionário dominical e cotidiano.

MEDITAÇÃO

É tempo para deixar que a Palavra caia no coração mais profundamente e se encontre com a nossa experiência de vida. Não se trata de debater ou discutir, mas de acolher a Palavra do Senhor viva e atual. O fundamental na meditação é descobrirmos juntos a boa nova que nos vem por meio desta palavra e o que ela pede de nós.

CÂNTICO EVANGÉLICO

É costume antigo da Igreja cantar, no ofício da manhã, o cântico de Zacarias, ao despontar para nós o Sol da Justiça; à tarde, o cântico de Maria, dando graças ao Pai por sua manifestação na história, e, à noite, o cântico de Simeão, na grata e serena alegria de quem viu a salvação acontecer.

PRECES, PAI-NOSSO E ORAÇÃO

Alguém faz o convite e propõe a resposta, de preferência cantada. No final, todos recitam ou cantam o Pai-Nosso Ecumênico. Se concluem as preces como uma breve oração.

BÊNÇÃO

O Ofício se conclui com uma benção. Depois da benção, quem coordena despede a assembléia convidando a prolongar o louvor nos afazeres da vida.

Nos perguntamos: O que é brasileiro ou latino-americano no Ofício Divino?

Quanto ao conteúdo teológico – litúrgico, expressa:

a) O mistério pascal atuante na resistência dos pobres e em suas lutas por libertação social, política e cultural.
b) A aliança de Deus que fez opção pelos pobres.
c) A relação liturgia/vida (pessoal, comunitária, social).
d) A missão profética e sacerdotal do povo de Deus.
e) A dimensão cósmica e ecológica da fé.
f) A dimensão feminina em Deus
g) A igualdade entre homens e mulheres baseada no batismo.
h) A sensibilidade ecumênica e ao diálogo com outras tradições espirituais.

Quanto à expressão ritual:

a) Salmos e cânticos em linguagem verbal e musical popular.
b) Atenção a ritualidade (atitudes corporais, danças, ações simbólicas) – assume símbolos e gestos orantes da piedade popular (bandeira, beijar fita de santos, oferecer flores e velas…) e expressões celebrativas da Igreja da caminhada (cruz tosca representando a resistência de lavradores, terra, carteira de trabalho, carrinhos dos catadores de papel…).
c) Usa expressões afetivas, tanto na relação com Deus, como entre as pessoas participantes.
d) Valoriza o silêncio e cria espaço para a dimensão orante (fervor, devoção) e lúdico-contemplativa, própria do catolicismo popular (congadas, folias…).
e) No calendário, leva em conta os santos populares e os mártires da caminhada.
f) Une criatividade e tradição viva.

Quanto à organização eclesial e pastoral:

a) É espaço de oração comunitária, com a participação ativa de todos, alternativa para as rezas de antigamente e também às missas durante a semana.
b) É uma liturgia leiga, no sentido de que não depende da presença e presidência do clero.
c) Os ministérios são diversificados e partilhados ou assumidos em rodízio por homens e mulheres.
d) Leva em consideração a cultura oral do povo, pode ser organizada de tal forma que apenas uma pequena equipe coordenadora necessite acompanhar no livro.
e) Tem sido usado também, principalmente por ministérios leigos, em ocasiões pastorais como: encontros pastorais, bênção da casa, velório, visita a doentes…

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CARPANEDO, Maria da Penha. OS ELEMENTOS DO OFÍCIO DIVINO DAS COMUNIDADES. Apostila. São Paulo: 2003.
FACHIN, Teresinha. OFÍCIO DIVINO – ORAÇÃO DO POVO DE DEUS. Apostila, Vitória: 2003.
OFÍCIO DIVINO DA JUVENTUDE. 2ª. ed. Goiânia: 2006.
TAVARES, Emerson Sbardelotti. O MISTÉRIO E O SOPRO – roteiros para acampamentos juvenis e reuniões de grupos de jovens. Brasília: CPP, 2005.


Emerson Sbardelotti
Mestre em Teologia Sistemática pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.