quarta-feira, 29 de junho de 2016

Evangelho do Dia (29/06/2016)



Evangelho do Dia (29/06/2016) - Mt 8,28-34*:


"Chegando ao outro lado, no território dos gadarenos, dois endemoninhados saíram dos túmulos e foram ao encontro dele. Eram tão violentos, que ninguém podia passar por esse caminho. Eis que começaram a gritar: 'O que queres de nós, Filho de Deus? Vieste aqui para nos atormentar antes do tempo?' A certa distância deles estava pastando grande manada de porcos. Os demônios lhe suplicavam, dizendo: 'Se nos expulsas, manda-nos para a manada de porcos'. Jesus lhes disse: 'Vão'. Eles saíram e entraram nos porcos. E toda a manada lançou-se precipício abaixo em direção ao mar, e morreu nas águas. Os que cuidavam dos porcos fugiram, e chegando à cidade contaram tudo, também o que tinha acontecido com os endemoninhados. Eis que a cidade toda saiu ao encontro de Jesus. Vendo-o, suplicaram-lhe que se retirasse do território deles".

O Evangelho de hoje é marcado pela simbologia: Jesus de Nazaré está em território pagão. Geograficamente a região de Gadara se estendia ao longo da costa leste do lago da Galileia. Embora a região seja pagã, não se diz que os personagens o sejam. Ele leva a salvação para todos e todas, não importa o lugar. Na época de Jesus de Nazaré se entendiam por demônios: os espíritos imundos, maus, que geralmente produzem enfermidades ou possuem o ser humano. Não induzem ao pecado nem levam à condenação, porém, podem levar a perder a fé. Nos Evangelhos aparecem sempre personificados: reconhecem, falam, pedem, habitam e saem. São figuras culturais que indicavam forças externas ao ser humano, o impedindo de agir com autonomia. Os demônios reconhecem Jesus, e o chama por um de seus títulos que a comunidade lhe atribui depois da Ressurreição: Filho de Deus. Tal profissão de fé saída da boca dos demônios é forçada, impotente e medrosa. Jesus liberta aquelas duas pessoas dos demônios, enviando-os, a pedido dos mesmos, para os porcos, animais impuros para os judeus. Os judeus consideravam os romanos como porcos. O precipício, o mar simboliza a morada do impuro, da perdição. O mal retorna ao seu lar. Está implicita nesta parte do Evangelho a vontade ainda que distante de verem os romanos voltarem de onde vieram e deixarem em paz Israel, o que não aconteceu. Os dois que estavam endemoninhados, agora estão livres, porém, isso não é motivo de alegria para o restante da cidade. O que interessava para aquela cidade não era a libertação de seres humanos, mas o lucro que estaria perdendo com a morte dos porcos. A ação salvífica de Jesus de Nazaré é rejeitada em função da economia de mercado, pois essa ação, altera a ordem social estabelecida mexendo com interesses pessoais. E hoje, estamos dando mais atenção e nos deixando guiar pela economia de mercado ou pela ação salvífica de Jesus de Nazaré?

Emerson Sbardelotti

*NOVA BÍBLIA PASTORAL. São Paulo: Paulus, 2015.
** Arte: Adélia Carvalho e Domingos Sávio.

terça-feira, 28 de junho de 2016

Deus que quer seu povo no reino - Assessoria


DEUS QUE QUER SEU POVO NO REINO

Formação para Ministros e Ministras - Paróquia São José - Perus - Região Episcopal Brasilândia, São Paulo - SP.
Assessoria: Emerson Sbardelotti

Evangelho do Dia (28/06/2016)



Evangelho do Dia (28/06/2016) - Mt 8,23-27*:

"Jesus subiu na barca, e seus discípulos o seguiram. Eis que no mar houve uma violenta tempestade, a tal ponto que a barca estava sendo coberta pelas ondas. Jesus, porém, dormia. Então os discípulos se aproximaram e o acordaram, dizendo: 'Senhor, salva-nos! Estamos morrendo!' Jesus lhes disse: 'Porque vocês são medrosos, tão fracos na fé?' Então, levantando-se, ameaçou os ventos e o lago, e houve grande calmaria. Os homens ficaram espantados e diziam: 'Quem é este, a quem até os ventos e o mar obedecem?'"

De acordo com a mentalidade da época, o mar era o lugar de onde se originavam as forças caóticas e os poderes promotores do mal. Quando Roma invadiu e conquistou a Palestina, ela veio pelo mar. Talvez os indígenas em 1500 sentiram a mesma coisa vendo os portugueses desembarcando em suas terras. O mal vinha pelo mar. Jesus dorme na barca, tranquilamente, apesar da tempestade que surge de uma hora para outra, ameaçando a integridade dos tripulantes da barca. Por sua vez, os discípulos o acordam, com medo de morrerem e pedem sua ajuda. Estão na mesma barca, mas há dois sentimentos: um, de tranquilidade; o outro, de agonia. Assim é também em nossa vida nos dias atuais? Como enfrentamos as tempestades que surgem de uma hora para outra na nossa caminhada? Somos medrosos e fracos na fé? Na maioria das vezes sim! E como superar esta fraqueza? Trabalhar em comunidade para não deixar a barca afundar, com respeito, diálogo e ir ao encontro do outro, ajudando mutuamente, por mais diferente que ele seja. Não temos o poder de acalmar os ventos e os mares, mas temos a inteligência de não destruir a natureza, criada por Deus: o planeta Terra e nós mesmos!

Emerson Sbardelotti

* NOVA BÍBLIA PASTORAL. São Paulo: Paulus, 2015.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Evangelho do Dia (27/06/2016)



Evangelho do Dia (27/06/2016) - Mt 8,18-22*:

"Vendo grandes multidões ao redor de si, Jesus deu ordem de partirem para a outra margem. Um escriba aproximou-se dele e lhe disse: 'Mestre, eu te seguirei para onde quer que vás'. Jesus lhe disse: 'As raposas tem tocas e os pássaros do céu, ninhos; o Filho do Homem, porém, não tem onde recostar a cabeça'. Outro dos seus discípulos disse: 'Senhor, permite-me que vá primeiro enterrar o meu pai'. Mas Jesus lhe disse: 'Segue-me e deixa os mortos enterrarem os seus mortos'".

A reflexão de hoje nos remete ao fato de que não se deve procurar a proteção em tocas e ninhos, bem acomodados e fechados em interesses pessoais e de poder; o anúncio do Evangelho exige muito mais e por isso não teremos onde recostar nossas cabeças. É necessário o desprendimento de todas as amarras econômicas e afetivas, para servirmos com inteireza ao Reino de Deus. Lutar por justiça, fraternidade, igualdade, direitos humanos e paz, requer o compromisso de todos nós em construir uma Igreja dos pobres, sem privilégios, sem ostentação. Onde há ostentação demais, há Evangelho de menos!

Emerson Sbardelotti

* TRADUÇÃO ECUMÊNICA DA BÍBLIA - TEB. São Paulo: Paulinas. Loyola, 1996.

Evangelho do Dia (26/06/2016)


Evangelho do Dia (26/06/2016) - Lc 9,51-62*:

"Quando ia se cumprindo o tempo para que o levassem, enfrentou decidido a viagem para Jerusalém, e enviou à frente alguns mensageiros. Eles foram e entraram numa aldeia de samaritanos para prepará-la. Mas estes não o receberam, porque se dirigia a Jerusalém. Ao ver isso, seus discípulos Tiago e João disseram:
- Senhor, queres que mandemos que caia um raio do céu e acabe com eles?
Ele se voltou e os repreendeu. E partiram para outra aldeia.
Enquanto caminhavam, alguém lhe disse:
- Eu te seguirei para onde fores.
Jesus lhe respondeu:
- As raposas têm tocas, as aves têm ninhos, mas este Homem não tem onde reclinar a cabeça.
A outro disse:
- Segue-me.
Respondeu-lhe:
- Senhor, deixa-me ir primeiro enterrar meu pai.
Replicou-lhe:
- Deixa que os mortos enterrem seus mortos; quanto a ti, vai anunciar o reinado de Deus.
Outro lhe disse:
- Eu te seguirei, Senhor, mas primeiro deixa despedir-me de minha família.
Jesus lhe replicou:
- Quem põe a mão ao arado e olha para trás não é apto para o reinado de Deus".

A reflexão que faço do Evangelho de hoje, é que antigos rancores, antigas brigas, são sinais de resistência à Palavra de Deus, ao projeto de vida apresentado por Jesus de Nazaré. O verdadeiro discípulo missionário consegue passar por cima do orgulho próprio e perdoar. Perdoar é também amar! Por isso Jesus repreende seus discípulos; não é com ódio e punição que se construirá o reinado de Deus, e sim com misericórdia e compaixão. Jesus não veio para destruir vidas mas para salvá-las. Seguir Jesus de Nazaré é caminhar sem pátria nem lar. É abrir mão de tudo para servir ao reino de Deus, inclusive da família, dos amigos, sem olhar para trás. Não é fácil, mas a recompensa é que o povo que nos acolhe, não nos deixa nunca passar por necessidade, pois nos acolhe com o melhor que possuem: o coração.

Emerson Sbardelotti

* BÍBLIA DO PEREGRINO. 2.ed. São Paulo: Paulus, 2005

sábado, 25 de junho de 2016

Evangelho do Dia (25/06/2016)


Evangelho do Dia (25/06/2016) - Mt 8,5-17*:

"Ao entrar em Cafarnaum, um centurião se aproximou dele e lhe suplicou: - Senhor, meu criado está em casa deitado com paralisia, e sofre terrivelmente.
Disse-lhe: - Eu irei curá-lo.
Mas o centurião lhe replicou: - Senhor, não sou digno de que entres sob meu teto. Basta que pronuncies uma palavra e meu criado ficará curado. Também eu tenho um superior e soldados às minhas ordens. Se digo a este que vá, ele vai; a outro que venha, ele vem; ao servo que faça isso, ele o faz.
Ao ouvi-lo, Jesus se admirou e disse aos que o seguiam: - Eu vos asseguro: fé semelhante não encontrei em nenhum israelita. Digo-vos que muitos virão do Oriente e Ocidente e sentarão com Abraão, Isaac e Jacó no reino de Deus. Ao passo que os cidadãos do reino serão expulsos para as trevas exteriores. Aí haverá pranto e ranger de dentes.
Ao centurião Jesus disse: - Vai, e aconteça como acreditaste.
Nesse instante o criado ficou curado.
Entrando Jesus na casa de Pedro, viu a sogra dele deitada com febre. Tomou-a pela mão, e a febre passou; ela se levantou e se pôs a servi-los. Ao entardecer, lhe trouxeram muitos endemoninhados. Ele, com uma palavra, expulsava os demônios, e todos os enfermos se curavam. Assim se cumpriu o anunciado pelo profeta Isaías: ELE ASSUMIU NOSSAS FRAQUEZAS E CARREGOU NOSSAS ENFERMIDADES".

A reflexão de hoje nasce da esperança em um Deus misericordioso. Foi a misericórdia infinita de Deus, que não escolhe um povo específico para curar, mas cura a partir da fé, a partir do coração da pessoa, da ação que esta pessoa faz. Por ser pagão, o centurião estava fora da comunidade de Israel; o centurião representava o poder estrangeiro de Roma e um judeu observante não poderia nunca entrar na sua casa. Mas pela fé, ele entra na comunidade jesuânica e cresce como figura exemplar. E a História da Igreja o comprova pois suas palavras entraram na liturgia eucarística e são rezadas todos os domingos. A fé do centurião denunciou a falta de fé dos judeus e dos seguidores de Jesus de Nazaré, que infelizmente demoravam a crer nele, porém, os obstáculos legais não são impedimento para a ação misericordiosa de Jesus. O reino de Deus é para todos, porém, os de fora entrarão, e os de dentro sairão, por não perceberem que o anúncio é missionário e de alcance universal, não exclusivo. É uma palavra atual e desafiadora. Essa passagem deve martelar na cabeça do Papa Francisco, que incansavelmente pede que nós possamos ir para fora da Igreja, muitos insistem em ficar dentro dela. Espontaneamente Jesus cura a sogra de Pedro. O gesto de tomar pela mão é atribuído a Deus no Primeiro Testamento. É o gesto do cuidado e do amor. Cuidado e amor que reanima quem está doente e o faz melhorar, capacitando-o para o serviço. Interessante ver que as doenças são identificadas como demônios, que paralisam, que fazem ficar com febre, que impedem o ser humano de viver dignamente. Por misericórdia e amor, Jesus de Nazaré cura, para que apareça a bondade infinita de Deus por nós, mulheres e homens.

Emerson Sbardelotti

* BÍBLIA DO PEREGRINO - NOVO TESTAMENTO. 2.ed. São Paulo: Paulus, 2005.



sexta-feira, 24 de junho de 2016

Evangelho do Dia (24/06/2016) - Nascimento de João Batista

Evangelho do Dia (24/06/2016) - Nascimento de João Batista - Lc 1, 57-66.80*:
"Chegou para Isabel o tempo de dar à luz, e ela gerou um filho. Seus vizinhos e parentes ouviram que o Senhor lhe concedera abundantemente sua misericórdia e alegraram-se com ela. No oitavo dia, foram circuncidar o menino. Pretendiam chamá-lo Zacarias, como seu pai, mas a mãe, tomando a palavra, disse: 'De maneira alguma! Chamar-se-á João!' Disseram-lhe: 'Não há ninguém com esse nome entre teus parentes'. Por intermédio de gestos, perguntaram ao pai como queria que o menino se chamasse. Ele pediu uma tabuinha e escreveu: 'Seu nome é João'. Todos ficaram admirados. Naquele instante destravou-se-lhe a língua, e falava, bendizendo a Deus. Um temor apoderou-se de toda a vizinhança. Todos esses fatos eram comentados por toda a região montanhosa da Judeia, e todos os que ouviam guardavam isso em seu coração, dizendo: 'Que vai ser desse menino?' Com efeito, a mão do Senhor estava com ele. O menino crescia e era fortalecido no espírito. Ele viveu em lugares desertos até o dia de sua manifestação a Israel".
Começo a minha reflexão com uma cantiga que minha querida e saudosa avó Lavigna Merlo cantava no dia de São João: "Capelinha de melão, é de São João, é de cravo é de rosa, é de manjericão! São João está dormindo, não acorde não, acordai, acordai, acordai João!". Benza Deus! Deu saudade agora. Esse é o relato do nascimento do precursor, do profeta que faz a ponte entre o Primeiro e o Segundo Testamento. João Batista faz parte do projeto de Deus; com Isabel e Zacarias, Deus faz justiça, faz misericórdia: os pobres e os pequenos são socorridos. Deus restaura a dignidade daquela família, que não podia ter filhos. Circuncidar e nomear o menino faziam parte da obediência às normas da Aliança, porém, Isabel, em sua ousadia, prefere se manter fiel à realização das palavras de Gabriel e dá o nome de João, o que é confirmado depois por Zacarias, essa ousadia é em favor da vida, e define a missão que o menino terá pela frente: de preparar o caminho para aquele que é maior do que ele, da qual não é digno de desamarrar as sandálias. O nome João, em hebraico, significa "Deus mostrou seu favor". O menino crescia fortalecido no e pelo Espírito. Um verdadeiro profeta. Como é mesmo aquela cantiga? "São João...São João...acende a fogueira do meu coração!".

Emerson Sbardelotti

* A BÍBLIA - NOVO TESTAMENTO. São Paulo: Paulinas, 2015.