sexta-feira, 9 de julho de 2010

DE COSTAS

DE COSTAS

Os cabelos soltos e encaracolados
o olhar fixo para a beleza
na praia do Félix encontrou a certeza
que estar vivo é estar feliz
de costas para a tristeza
de frente para a natureza

e as ondas ainda não alcançaram os seus pés
e os pensamentos viajam na mesma direção
o olhar fixo não percebe a lágrima que escorre
deslizando por todo o corpo alcança o chão
e as ondas ainda não alcançaram os seus pés
mas o barulho que fazem...fazem uma canção

de costas a sensualidade aflora
de tarde está na hora de ir embora
sentada na pedra ela olha
e os cabelos encaracolados se soltam mais
o vento sopra na matinha anunciando
que as ondas molham seus pés...é a paz

Emerson Sbardelotti
09 de julho de 2010
19:22
modelo fotografada: Anny Arantes - Praia do Félix
*direitos reservados*

quinta-feira, 8 de julho de 2010

CASA DA VÓ JOANA

CASA DA VÓ JOANA

O tempo passou tão depressa
o tempo é amigo que chega sem avisar
o tempo é inimigo para quem não reza
naquele número 3 em Paraty, a bonança
a casa da Vó Joana

naquela antiga janela ela ainda está descansando
olhando o futuro com olhos cansados do passado
e coloca suas mãos no rosto segurando o queixo
as mudanças não mudaram o que tem de melhor
dentro do peito...depois do último beijo...dentro do peito...

nenhuma ruga irá sair do seu rosto
ela não apagará tudo o que de bom viveu
o que de aconteceu de ruim, chorou e já se perdeu
nos cabelos brancos a serenidade dos dias e da canção
não há só a saudade, mas sim, a vida em seu coração

na casa da vó Joana você será sempre bem vindo
você estará sempre perto do aconchego
naquela antiga janela os olhos do passado
enxergam o presente com esperança e amor
na casa da vó Joana, o tempo foi mas voltou

Emerson Sbardelotti
09 de julho de 2010
02:46
A partir de foto de Anny Arantes em Paraty/RJ
*direitos reservados*

quarta-feira, 7 de julho de 2010

EU VOU CANTAR

EU VOU CANTAR

eu amo a poesia

mas o que seria de mim

sem o teu amor

sem a filosofia

que existe no teu olhar


eu berro nas minhas músicas

eu berro pois não sei chorar

neste eterno blues tão azul

minha ignorância virou adubo

como cinzas em alto-mar


baby, o poeta voltou

e ele vai gritar

baby, você exagerou

ele vai deitar e rolar

e eu vou cantar


Emerson Sbardelotti


07 de julho de 2010

20 anos sem Cazuza

1 dia sem Ezequiel Neves

11:40


*direitos reservados*

sábado, 19 de junho de 2010

DISCURSO - HOSPEDAGEM NOTURNO 2010/1

DISCURSO DO PARANINFO – MAIO – 2010

CURSO TÉCNICO DE HOSPEDAGEM – NOTURNO – TURMA B

Desejo de todo coração que estas palavras de carinho e de despedida cheguem aos corações de minhas afilhadas e de meu afilhado da Turma B, como aquele abraço afetuoso e saudoso da hora da partida que hoje se realiza. Todo caminhar tem seu início, o seu meio e o seu fim. E por isso estamos aqui. Para uma última caminhada.
Em 2009 vocês começaram o Curso Técnico de Hospedagem, a primeira turma, e chegavam cheios, cheias, de expectativas e emoções, com vários, várias colegas, cada um, cada uma, com qualidades e defeitos, e isso tudo, fez com que a Turma se unisse e conquistasse o coração desse professor e o de outros colegas na Instituição; infelizmente, alguns, algumas, como diria o livro de Sun Tzu – A Arte da Guerra - não resistiram às batalhas e ficaram pelo caminho. Vocês, cruzaram a fronteira final e ganharam a guerra, agora resta, para vocês, um último ato: essa nossa última aula; uma última lição antes de vocês voltarem para suas casas e traçarem, planejarem individualmente a organização do futuro a partir do conhecimento que juntos nós construímos.
Não esquecerei nenhum dos vários momentos em que fomos cúmplices nas aulas que vocês me ajudaram a preparar, pois, apesar de uma preparação prévia, sempre valorizei o que o meu afilhado e as minhas afilhadas traziam de novidade, de inquietações, pois a verdadeira recompensa de um professor é sentir dentro do peito que seus alunos, suas alunas, não aprenderam a repetirem teorias, mas cresceram enquanto seres humanos. Lecionando para vocês, aprendi muito mais do que ouvir, aprendi a escutar os desejos que vocês não conseguiam ou não queriam falar em voz alta...foi descobrindo pequenas coisas em vocês que pude melhorar enquanto profissional, que pude melhorar enquanto ser humano para realizar grandes coisas.
Não esquecerei os sorrisos de vocês. Não esquecerei as brigas que fizeram crescer. Não esquecerei a dedicação em todos os eventos e idéias que foram propostas, e que com humildade, e senso de profissionalismo, realizaram com maestria. Não esquecerei que já não nos víamos como professor e alunos, nem como líder e equipe de trabalho, mas como um grupo de amigos e nem por isso a aula deixou de ser séria e ao mesmo tempo humorada. Não vou esquecer que aprendi a amar vocês.
O amor é a expressão mais custosa do cuidado, pois tudo o que amamos, também cuidamos, e se cuidamos, é sinal de que muito amamos. Ter ido ao encontro de vocês e vocês de virem ao meu encontro proporcionou, para nós, uma relação de aliança, de amizade que não será quebrada, pois nós, nos fizemos importantes uns para os outros, mobilizando assim nossas energias vitais; e por nos amarmos tanto, é que chegamos a esta última aula, rejuvenescidos e com a sensação maravilhosa de estarmos começando a vida de novo e agora.
Se fui o professor chato, com cara de poucos amigos e mal amado; se fui o professor que em todas as aulas exigia de vocês sempre o melhor; hoje posso dizer com alegria que vocês chegaram ao final, apaixonados pelo Curso Técnico de Hospedagem, que dentre os demais cursos, sempre privilegiou o encontro e o diálogo, o respeito ao outro e a Natureza. Afinal ela é o nosso objeto de estudo. Sem ela nada somos enquanto profissionais, dependemos dela para tudo na nossa carreira. É por isso que peço a vocês, agora como Técnicos em Hospedagem, que protejam a Natureza, o ambiente inteiro onde vivem, protejam a vida. Nossa profissão exige de nós uma consciência ecológica e um envolvimento com a Mãe-Terra, ela é um organismo vivo e precisa de nós. Não seremos os salvadores do planeta, mas por conta de nossa intuição, de nossa criatividade, poderemos fazer do nosso Continente, do nosso Brasil, do nosso Estado do Espírito Santo, das nossas cidades capixabas, um outro mundo novo e possível. Onde possamos viver em paz e com abundância.
E é com esse desejo de paz que eu gostaria de retribuir a homenagem que vocês me fizeram, escolhendo-me para ser o seu paraninfo com algumas imagens captadas de momentos únicos na vida de vocês e uma música muito bonita, que eu sei...irá emocionar vocês e nunca mais irão se esquecer de mim, como eu não vou me esquecer de vocês.
Pois seguiremos nossas vidas, tocando em frente.

TOCANDO EM FRENTE (ALMIR SATER & RENATO TEIXEIRA)

Ando devagar por que já tive pressa
E levo esse sorriso por que já chorei demais
Hoje me sinto mais forte
Mais feliz quem sabe
Eu só levo a certeza de que muito pouco eu sei
Eu nada sei

Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso chuva para florir

Penso que cumprir a vida
Seja simplesmente
Compreender a marcha e ir tocando em frente
Como um velho boiadeiro levando a boiada
Eu vou tocando os dias pela longa estrada eu sou
Estrada eu vou

Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso chuva para florir

Todo mundo ama um dia
Todo mundo chora
Um dia a gente chega no outro vai embora
Cada um de nós compõe a sua história
E cada ser em si carrega o dom de ser capaz
E ser feliz

Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso chuva para florir

Ando devagar por que já tive pressa
E levo esse sorriso por que já chorei demais
Cada um de nós compõe a sua história
E cada ser em si carrega o dom de ser capaz
E ser feliz

Encerro aqui a minha parte na História de vida de cada um, de cada uma de vocês. Tudo o que de bom eu aprendi, eu partilhei com vocês. Pois sempre priorizei entregar para vocês o melhor que eu tinha e tenho dentro de mim. Sempre acreditei em vocês. Sempre torci pelo sucesso de vocês. E posso dizer com satisfação, que foi a melhor equipe com quem eu já trabalhei nestes anos todos em que sou Turismólogo. Muito obrigado por vocês existirem. Continuem estudando, pesquisando e buscando. Vocês chegarão muito longe, onde eu não consegui. Um grande abraço e até um dia.

Emerson Sbardelotti Tavares
Turismólogo
* direitos reservados *




terça-feira, 8 de junho de 2010

SANGUE E SOMBRAS

SANGUE E SOMBRAS

Uma vez um velho índio me disse:
Nem sempre conseguimos o que queremos
Mas, nem por isso,
O que queremos deve ser a última etapa do conseguir.
Há sempre algo a mais para se fazer pelo ser humano
Há sempre algo a mais para se fazer pela Mãe Terra
Deve existir sempre o meio termo entre o caçador e a fera

E todos nós voltaremos ao barro primeiro
Àquela primeira explosão
Àquele primeiro acorde do antigo violão
E todos nós iniciaremos um novo diálogo
A partir de um mistério profundo
A partir de um encontro oriundo
Com a vida: plenitude e canção

É preciso muitas vezes dar uns calos
Para lembrarmos dos pés
No caminho o que mais incomoda
Não é a distância a percorrer
Mas a pedrinha que entra debaixo deles
De que importa as cores de nossas peles
Se a cor do sangue de nossas veias
E de nossas sombras são as mesmas

Emerson Sbardelotti
08 de junho de 2010
21:57
*direitos reservados*

domingo, 4 de abril de 2010

HISTÓRIA ANTIGA QUE ESCUTEI DOS ANTIGOS

Ele entrou na cidade montado num burrinho...
Sem coroa, sem cetro, sem algum poder real.
Mantos, ramos e palmeiras eram vistos pelo caminho, até as pedras gritaram e as crianças aplaudiram.
As mulheres e os homens, desde a Galiléia acompanhavam, os inimigos estavam vigiando para capturá-lo e o fariam em breve e se cumpriria a profecia.

No banquete da despedida Ele se transformou em vinho e em pão, alimentos daquela época, daquela nação:
TOMAI O MEU SANGUE, COMEI O MEU CORPO, FAZEI ISSO EM MEMÓRIA DE MIM!
Abaixou-se, de um a um, lavou os pés, enxugou e beijou.
No final insistiu que o que tinham visto se repetisse sempre, pois não estariam com Ele se não fizessem o que foi ensinado.
Mas o traidor se afastou do grupo e dos inimigos se aproximou, vendeu a sua salvação por 30 moedas e por um beijo no carpinteiro, e junto com soldados foram atrás do tumultuador.

Ele no jardim com os demais companheiros que dormiam,
enquanto rezava e conversava com o Pai que nada dizia, insistia para que os companheiros se mantivessem atentos aos inimigos da luz, mas chegava a sua hora e eles estavam no jardim... o traidor com um beijo o entregou.
Seus companheiros fugiram...como ovelhas sem pastor...
Foi levado, questionado, insultado e maltratado...um dos seus companheiros o negará por 3 vezes antes do galo cantar e o traidor devolverá as 30 moedas e se enforcará.

O procurador romano tentará soltá-lo não vendo culpa nele mas o ódio das elites era grande demais.
Mas o que é a verdade?
Bateram muito nele, caçoaram muito dele, presentearam-no com um manto e com uma coroa de espinhos, no final o procurador romano lavou suas mãos e o mandou crucificar.
Ele com uma cruz nos braços seguiu pelos caminhos que antes havia anunciado a paz, a fraternidade e a esperança, apanhando e tendo que continuar, viu que mulheres choravam a cada tropeço e a cada caída.
Foi despido de suas vestes, dividiram-nas num jogo de sorte.
Cuspiram nele, zombaram dele, não creram nele, mesmo assim pediu para que o Pai os perdoasse, pois não sabiam o que faziam.
Pediu um pouco de água, lhe deram vinagre.
Com falta de ar veio a falecer pregado ao madeiro.
Um soldado rasgou-lhe o seu lado direito e a cortina do Templo rasgou de cima a baixo.

As mulheres que ali ficaram choravam enquanto o tiravam da cruz.
Sua mãe o apoiou em seu colo e tocando-lhe os cabelos ensaguentados o beijou, e o puxou para si, dando um grande grito de dor.
Limparam-lhe o corpo, o perfumaram com mirra e o embrulharam em lençóis...colocaram-no numa sepultura novinha...rolaram a pedra e selaram a entrada.

Os pássaros ainda não haviam cantado no e as mulheres voltaram ao túmulo para perfumarem o Mestre; encontraram dois jardineiros com roupas muito brancas e brilhantes, eles diziam que aquele que procuravam não estava mais ali mas que havia ressuscitado e as esperavam com o resto do grupo na Galiléia.
Elas voltaram e contaram ao grupo, mas estes não acreditaram. Dois deles correram até o túmulo, viram tudo como elas haviam dito e voltaram assustados.
Depois chegou mais um casal, que haviam ido para Emaús e agora retornavam dizendo que Ele havia aparecido para eles, relembrado toda a história de Israel e que aquilo queimava o coração deles, mas na fração do pão o reconheceram e ele sumiu, havia ido para dentro deles e os dois voltaram para anunciar a novidade.
Um deles não estava presente quando Ele apareceu:
A PAZ ESTEJA COM VOCÊS!
Por isso só acreditaria quando pudesse ver e tocar as feridas nas suas mãos e no seu lado com suas próprias mãos e
isso não demorou acontecer...outros acreditaram sem precisarem ver e sem precisarem tocar.
Por mais alguns dias Ele continuou a preparar os seus amigos e amigas para os desafios que iriam enfrentar frente ao povo, frente aos líderes, frente ao Império.
E foi desaparecendo no imenso céu azul na frente dos olhos deles, na frente dos olhos delas.
Mas não ficaram ali parados...não ficaram.

Hoje recontando o que ouvi dos antigos entendi que quando temos um compromisso com a defesa da vida, a morte não é forte o suficiente para nos enfrentar.

Emerson Sbardelotti

Estudante do Curso Superior de Teologia do Instituto de Filosofia e Teologia da Arquidiocese de Vitória do Espírito Santo

Turismólogo

Autor de O MISTÉRIO E O SOPRO – roteiros para acampamentos juvenis e reuniões de grupos de jovens. Brasília: CPP, 2005.

Autor de UTOPIA POÉTICA. São Leopoldo: CEBI, 2007.

sábado, 20 de março de 2010

UTOPIA POÉTICA

Felicia Borges

Emerson Sbardelotti Tavares escreve poesias não é de hoje. Catalogadas, ela crê que deve ter mais ou menos umas mil guardadas em um armário de casa, desde que começou, por volta de 1985. Algumas de suas poesias já foram musicadas por artistas capixabas, mas agora, nesta quarta-feira (14), Emerson lança o livro Utopia Poética, com um pouco deste trabalho.Ao todo, são 100 poesias, divididas em nove capítulos, a maioria escritas a partir de 2004 e algumas da década de 1990. Os temas são os mais variados: fé e vida, autobiografia, cidadania, questões sociais, amor. "Além de ser um prazer imenso, ao mesmo tempo é uma válvula de escape para vários problemas", fala o autor.Entre as referências, são vários os nomes que Emerson cita de autores nacionais e internacionais. "Sempre gostei de ler poesia. Tenho aqueles poetas de cabeceira, que são Jorge Amado, João Cabral de Melo Neto, Carlos Drummond de Andrade, Pablo Neruda, José Saramago, Monteiro Lobato, Ziraldo. Fui lendo durante a vida e fui vivendo essas poesias", diz.Formado em Turismo, Emerson trabalha como educador popular, em pré-vestibulares alternativos, dando aulas de ética, cidadania e história, e como professor ele conta que busca sempre incentivar seus alunos a tomarem gosto pela leitura. "Eu sempre gostei muito de ler. Eu acredito que você só escreve bem se você lê bem. Com a lógica da internet, das abreviações de palavras, isso tem sido muito prejudicado", acredita.O livro é a primeira parte do projeto, que prevê, para o ano que vem, o lançamento de um CD com os poemas musicados por amigos do poeta e por ele mesmo, que também é músico. Utopia Poética é o segundo livro de Emerson Tavares, que já lançou O Mistério e o Sopro, com roteiros para acampamentos juvenis e reuniões de grupos de jovens.ServiçoO lançamento do livro Utopia Poética, de Emerson Sbardelotti Tavares, será nesta quarta-feira (14), a partir das 18h, na Biblioteca Pública de Vila Velha, dentro do prédio Titanic, no Centro de Vila Velha, pelo CEBI - Centro de Estudos Bíblicos. Durante o lançamento do livro, haverá declamação de poemas, apresentações musicais, coquetel e momento de autógrafos com o autor. O livro será vendido a R$10.
O preço médio é R$ 13,00 pelo vendas@cebi.org.br