quinta-feira, 7 de julho de 2016

PROFECIA MUSICAL: A BUSCA SAUDÁVEL PELA DIFERENÇA!



PROFECIA MUSICAL: A BUSCA SAUDÁVEL PELA DIFERENÇA!
Eu estou aqui pensando com os meus botões, após ouvir alguns discos (mais ou menos uns 40, entre bandas, solistas) de "música católica", que me foram presenteados nestes dois últimos anos aqui em SP. Foi difícil ouvir, pois não gosto muito das tais músicas de louvor, que não dizem nada e não se comprometem com nada e não levam a uma reflexão mais profunda da realidade, e parece que são feitas para quem quer ficar acomodado nos primeiros bancos dentro da Igreja; mas, para se criticar construtivamente, é preciso conhecer. Me dei ao trabalho de ouvir. Notei que não há uma preocupação teológica nas letras, algumas beiram à heresias. As melodias, em sua maioria, são todas parecidas, como se houvesse uma forma, e que não pudesse se mudar, sair daquele quadrado. Não sei se ocuparam o espaço por merecimento ou por imposição do mercado. Porém, não há só um tipo de pessoa na Igreja. O que faz a Igreja forte é justamente o fato de haver uma pessoa que pensa diferente da outra, e vive uma espiritualidade diferente da outra. Me preocupa o fato das gravadoras católicas só estarem produzindo esse tipo de música, sendo que na Igreja há Pastorais Sociais, Comunidades Eclesiais de Base, entre outros setores em que a mensagem sócio-religiosa se faz presente. Porque é que não ouvimos mais essas músicas sendo gravadas e vendidas? Será que o mercado tem tanto poder assim, que vai jogando para a margem o que também é bom e tem público, algo que poderia unir ainda mais a Igreja? É imposição de um cenário de Igreja? Sou um admirador dos Festivais de Música Religiosa que eram promovidos pelas Pastorais Sociais, pelas Pastorais da Juventude (PJ, PJMP, PJE, PJR), participei de muitos deles, fui várias vezes premiado, e a maior alegria não era nem o prêmio, mas, estar apresentando a cada ano uma música nova, a partir de temas de acordo com a Campanha da Fraternidade, com o dia a dia da diocese, com o novo documento da CNBB, enfim, uma mensagem de fé e vida enraizada na vida das comunidades, na vida cotidiana do povo em comunhão com todo o resto, e posso garantir de olhos fechados: há uma quantidade imensa de músicas pé no chão, que não foram gravadas, e podem estar se perdendo por falta de uma oportunidade. Se fez profecia musical, e enquanto profecia, estão, essas canções, muito atuais. Onde estão nossos profetas e profetisas musicais? Há espaço para todos, todas. Será que novos Festivais de Música Religiosa não seriam uma boa ideia. Talvez uma ampla pesquisa para se recolher canções que foram feitas em anos passados e que possuem a alegria e a novidade do Evangelho para os dias atuais? Atenção gravadoras católicas, nós existimos, e produzimos, deem uma chance ou uma nova chance!

* Arte: Francisco Daniel

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