domingo, 8 de março de 2015

O PAPEL DO/A ASSESSOR/A!

O PAPEL DO/A ASSESSOR/A



        Assessoria é um ministério, é uma vocação. Não é uma etapa a ser cumprida no processo de educação da fé, ou um prêmio que você recebe por serviços prestados a Igreja ou por ser amigo do sacerdote. A assessoria não acontece por acaso, ela faz parte do discernimento que nasce no momento da militância, no momento em que se caminha no meio e com a juventude.
O papel de um/a assessor/a se dá no acompanhamento ao grupo de base, no desenvolvimento de uma temática, na valorização e exaltação do protagonismo juvenil, nas dicas e sugestões para possíveis projetos de vida, na silenciosa humildade de descobrir e despertar novas lideranças e o principal: escutar mais e falar menos.
Para ser assessor/a é preciso ter vocação; portanto, nem toda pessoa consegue reunir condições para tal serviço. Há um caminho a ser percorrido. Exige tempo, escuta de si mesmo, testemunho na e da comunidade, perseverança e humildade, compromisso com o Povo no meio em que está inserido.
O/A assessor/a não está aí para mandar; está para escutar e levar uma palavra de aconchego e acalanto nas horas de crise e nos momentos de dor; levar o abraço, o sorriso e a festa nos momentos de alegria e nas horas de conquistas. Deve, junto com o grupo, agradecer pelos erros e bendizer pelos acertos.
O/A assessor/a não é o/a coordenador/a, não pode nem deve ser. Ele/a tem voz, tem voto, mas ele/a está a serviço das coordenações que possuem a última palavra. São serviços diferentes. São níveis de doação diferentes.
Na maioria das vezes, num processo democrático, o/a assessor/a é indicado/a, seja pelo grupo, pelas coordenações paroquiais, de área, forania, zonal, vicariatos, diocesanas, regionais e nacional, conforme a necessidade de cada um/a. É um processo seletivo. E devem ser observados inúmeros detalhes, os mais comuns são: tempo de caminhada nas Pastorais da Juventude (PJ, PJE, PJMP, PJR), na comunidade, na paróquia, disponibilidade, compromisso com os/as Jovens, Pobres, idade, etc. É feita uma lista, onde os nomes indicados são consultados; após uma resposta positiva dos mesmos se começa a preparação. Muitos falam de curso, eu prefiro a palavra capacitação. Esta capacitação pode durar no mínimo dois anos e no máximo três anos, não é uma regra a ser seguida, mas, essencial, onde serão trabalhadas questões de teologia, filosofia, sociologia, história, ética, pastoral, ecumenismo, pluralismo religioso, dinâmicas de grupo, etc. A preparação e a capacitação são necessárias, precisamente estando dentro das cinco dimensões da pessoa humana.
O/a assessor/a tem que fazer opções sim! E bem claras! Principalmente aquele/a que irá trabalhar com os grupos de base. E a opção primeira de um/a assessor/a é o seguimento radical de Jesus de Nazaré. É o ponto fundante de sua mística: seguir Jesus de Nazaré!
No seguimento a Jesus de Nazaré precisamos ter na mente e no coração as últimas palavras de João Batista no Evangelho de João: “Ele deve crescer, eu diminuir” (3,30). Esta frase deve nortear a caminhada do/a assessor/a no serviço de acompanhamento aos grupos de base ou na explanação de temáticas. É para toda a Vida! Ao viver esta frase, o/a assessor/a nunca irá se deixar levar pela tentação de ser “o/a maioral”, “o/a chefe”, “o/a sabe-tudo”, “aquele/a que tem a última palavra”.
O/a assessor/a tem que ser um/a verdadeiro/a profeta/profetisa. Tem que ter o cheiro das ovelhas que acompanha. E todo/a profeta/profetisa antes de falar, ele/a escuta; esta é a grande virtude de um/a profeta/profetisa. Esta é a maior virtude de um/a assessor/a.
Os/As falsos/as profetas/profetisas não escutam a voz de Deus, muito menos a voz do Povo, a voz dos/as Jovens, a voz dos Pobres.
O/A falso/a assessor/a não escuta ninguém, carrega o grupo nas costas, não assume a defesa da Vida.
O/A falso/a assessor/a confunde sua vocação com a vocação de coordenador/a, atrapalhando toda a caminhada.
O/A verdadeiro/a profeta/profetisa anuncia, denuncia e ameaça, carregando dentro de si as palavras do Evangelho, as ações pedagógicas e libertadoras do Moreno de Nazaré.
A mística e a espiritualidade de um/a assessor/a não se dá apenas no trabalho pastoral, mas preferencialmente na oração cotidiana.
O/A assessor/a tem que ser uma pessoa de oração, de fé e vida, de íntima ligação com as causas do Reino.
Os/As verdadeiros/as libertadores/as ensinam a libertar caminhando junto, fazendo junto as ações e as orações.
Como deveria ser a oração diária de um/a assessor/a?
Não há uma fórmula mágica. Cada um/a irá descobrir o seu ponto de equilíbrio, o seu experimentar Deus no dia a dia da comunidade e no meio da juventude.
Sem oração, o/a assessor/a não é nada.
No seguimento radical a Jesus de Nazaré, é preciso saber orar e orar sempre. Cada um/a no seu tempo, do seu jeito, irá fazendo esta ligação com o Pai. O caminho é árduo. Exige concentração, dedicação, despojamento e humildade: - “ Fala, pois teu servo escuta” (1Sm 3,11).
A oração nos torna íntimos de Deus e da comunidade.
Um/a assessor/a que faz sua oração cotidiana tem coragem de dar a vida pelas causas do Reino nas causas do Povo.
O/A assessor/a sem oração não serve para ser assessor/a. Se não reza um pouco por dia, não serve para a assessoria. É necessário rezar pelo menos meia hora por dia. Em qualquer lugar, aproveitando qualquer oportunidade.
Estando alimentado e fortalecido do Espírito de Deus, o/a assessor/a sai ao encontro dos grupos de jovens. Se fazendo companheiro/a de caminhada. Na maioria das vezes se colocando sempre por último/a, ajudando às escondidas, caminhando nas sombras, mas se fazendo sentir sua presença no profético silêncio.


Emerson Sbardelotti

Mestre em Teologia Sistemática pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

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