sábado, 18 de janeiro de 2014

QUAL SERÁ O CAMINHO NOS PRÓXIMOS ANOS?

QUAL SERÁ O CAMINHO NOS PRÓXIMOS ANOS?

Nestes últimos dias, 16,17 e 18/01/2014, minha atenção se voltou para cartas enviadas por dois grandes assessores da caminhada da Pastoral da Juventude, em que ambos colocavam ali suas inquietações, provocações, emoções, desilusões e sobretudo, muita esperança para o que virá depois desta Ampliada Nacional da Pastoral da Juventude que se inicia na cidade de Belo Horizonte/MG. Triste ver que tal discussão se tornou uma guerra entre os fãs de um e os fãs de outro, com comentários irônicos, maldosos, irresponsáveis e nada fraternais.
Apareceram outras cartas tentando esclarecer e pontuar o que foi dito nas três cartas que estão circulando, muito coerentes por sinal; parece que mais uma será escrita por um dos assessores após a ANPJ, o que acho inválido, pois somente um destes estará lá e o outro não. O que for dito contra um, não poderá ser refutado pelo outro, e a todos é garantido o direito de defesa; falar de alguém sabendo que o próprio não está presente para se defender é uma covardia imensa. O que iria contra tudo que se pregou e se prega sobre amizade, lealdade, unidade, diálogo, discernimento, escuta e respeito dentro da PJ. 
Para esclarecimento de toda a juventude que não acompanhou este e outros debates, tentarei situá-los da melhor forma possível. Me perdoem os meus amigos e amigas que participaram também, se eu me esquecer de algo fundante:
Desde novembro de 2013, um grupo de pessoas: padres, assessores, agentes de pastoral leigos e militantes da Pastoral da Juventude, que não estão nas instâncias(diocese, regional, nacional); estão conversando em OFF, no bate-papo do Facebook, a respeito de sonhos, utopias, avanços e retrocessos da caminhada da PJ nos últimos 40 anos. Houveram desabafos emocionados a respeito do que se entende hoje em dia por BASE, por grupos de jovens que estão nas bases? Desabafos racionais quanto ao surgimento de uma nova nomenclatura no cenário de Igreja: Pastoral Juvenil! Seria um ressurgimento do Setor Juventude? Acabará então o que conhecemos hoje como Pastoral da Juventude? Por que é que a Coordenação Nacional e Assessoria não se manifestam?
A partir destas conversas, o padre Onivaldo Dyna, escreveu algumas inquietações comuns ao que ele vive na região onde atua e que bateram com muitos jovens que leram tais inquietações...foram mais de 400 comentários, numa única semana, e isso é muito se tratando de Internet, mas este fato não foi levado a sério. Tais inquietações tinham como objetivo fazer brotar um novo diálogo, aberto e sincero, entre as pessoas que estão conectadas ao mundo virtual e conectadas à realidade das comunidades eclesiais de base como também a quem está servindo nas distintas instâncias dentro da PJ a nível diocesano, regional e nacional. Foram convidados todos os representantes destas instâncias para este debate, um ou outro apareceu. Diziam que não tinham tempo, pois estavam preocupados por demais com a festa dos 40 anos na ANPJ. Será que tudo tem sido uma grande festa? O que se tem de fato a comemorar?
A medida que as perguntas iam aparecendo, a reflexão ia sendo colocada nas páginas Identidade Pejoteira e Pastoral da Juventude: Sonho, Fé e Luta, para que todos pudessem saber o que estava sendo conversado. Só não participou das conversas quem realmente não quis, ou não se importou. Alguns disseram que estávamos inventando coisas, que estamos ultrapassados, que o que refletíamos não condizia com a realidade. 
No meio desta tempestade de ideias, apareceu uma muito interessante, a de um Concílio da Pastoral da Juventude. Seria o quarto na história da PJ. Aconteceu um silêncio sepulcral e resolvemos estudar o significado da palavra: CONCÍLIO. E o significado do mesmo para a Igreja, visto que estamos comemorando até 2015, meio século da realização do Concílio Ecumênico Vaticano II. Partiu-se para assistir os filmes sobre os papas João XXIII e Paulo VI, documentários sobre o Vaticano II. Fomos ler velhos livros que falavam sobre os 3 concílios da juventude acontecidos no Brasil no início da caminhada da PJ. Se chegou a conclusão, de que um concílio é necessário quando há confusão na caminhada, quando se vive uma crise de identidade e de pastoral. Alguns mais afoitos postaram out-doors sugerindo o Concílio. E ficamos pensando: será que a PJ inteira aceitará esta sugestão? Será que uma discussão nas bases e nas paróquias levariam ao Concílio? Como reagiria a Comissão Episcopal para a Juventude, as coordenações diocesanas, regionais e nacionais, já que a conversa não estaria brotando delas?
Em nenhum momento se pensou em passar por cima da autoridade de ninguém, até porque, são apenas tempestades de ideias. O resultado inicial não foi bom. Várias lideranças diocesanas, dos regionais e do nacional, não quiseram nem ouvir a explicação da ideia, já se colocando contrárias a qualquer ação neste sentido. Questionando a legalidade de tal ideia e quem estaria puxando para que de fato acontecesse.
O rascunho de uma carta foi feita para explicar tudo isso e sugerir a realização de um Concílio e enviada a algumas lideranças importantes da caminhada, duas ou três responderam. Algumas lideranças que leram, ficaram felizes com a proposta e se colocaram a disposição para ajudar a pensar um pouco mais, até a realização do mesmo se for possível. A conversa tem continuado.
De tudo isso portanto, vieram os questionamentos brotados nas cartas lá em cima citadas, ambas são importantes, ambas possuem acertos e também muitos erros. Infelizmente, acabou se tornando algo pessoal, com lideranças chegando ao absurdo de ligar e conversar pelo bate-papo para saber de qual lado ela estaria, do lado de fulano ou do lado de ciclano, esquecendo-se do principal que é a juventude e qual será o caminho nos próximos anos.
Todo questionamento só existe pois há a vontade de se acertar.
Pensar diferente não é não amar.
Tenhamos paciência, sapiência e paz para encarar questões que por mais simples que sejam, não deveriam criar raiva em muitos de nós. Estamos todos na mesma barca e desejamos jogar as redes em águas mais profundas.
Façamos o exercício de escutar, ouvir, o que o outro tem a dizer, antes de impor a verdade particular de cada um, cada uma.
O debate sempre é a melhor saída para problemas que nós mesmos inventamos todos os dias.
O que seria de nossa querida Pastoral da Juventude se nela não houvessem os velhos assessores, os novos assessores, os ex-militantes, os militantes, as lideranças que agora chegam, as que se foram...se estes não questionarem...e questionarem tudo. Não é maravilhoso, quando temos a oportunidade de crescermos por estarmos sendo colocados em xeque? Nossa força não aumenta ainda mais, quando sabemos encontrar após as discussões o caminho que iremos seguir? Sem manipulações e politicagens?
Para a festa dos 40 anos ser mais bonita e completa é necessário abrirmos nossos corações e braços para os novos questionamentos que irão surgir. Se chegamos até aqui, é por que antes, muito se caminhou e se lutou. E todos nós aprendemos muito mais com os erros que cometemos nesta linda caminhada.
Deus abençoe a cada um, cada uma de vocês que teve a paciência de ler até o final esta minha reflexão. Que possamos nos encontrar nestas estradas e festejar tudo isso.

Abreijos com fraternura!

Emerson Sbardelotti
18 de janeiro de 2014
17:28

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