quinta-feira, 27 de novembro de 2008

PUEBLA: 30 ANOS DA OPÇÃO PREFERENCIAL PELOS JOVENS

PUEBLA: 30 ANOS DA OPÇÃO PREFERENCIAL PELOS JOVENS

Graças ao Concílio Ecumênico Vaticano II (1962 - 1965), iniciado e continuado, pelos Santos Padres - Os Papas - João XXIII e Paulo VI (santos de verdade, na melhor interpretação da palavra), aos bispos latino-americanos, que no final da década de 1960, profeticamente instituiram a Conferência de Medellin (1968) e 11 anos depois instituiram a Conferência de Puebla (1979), levando a juventude latino americana e caribenha a construir e fortalecer as raízes da fé e da vida, do compromisso com os pobres do Reino, da identidade que estava germinando, brotando, criando assim folhas, galhos, flores, e mais tarde frutos: a Pastoral da Juventude.
Mas passados 30 anos da Opção Preferencial pelos Pobres e pelos Jovens (esta última o centro de nosso artigo), como está, como estão, nossa juventude, nossos grupos de jovens? Será que possue, possuem uma rara idéia do que seja, do que foi a Opção Preferencial?
De 27 de janeiro a 13 de fevereiro de 1979, na cidade de Puebla de los Angeles, México, nascia por intermédio dos bispos latino-americanos, inspirados pelo Espírito Santo, nas páginas 359 - 368, no documento oficial publicado pela CNBB naquele ano e com comentários valiosos do jesuita João Baptista Libânio (essa versão é raríssima, quem tiver e puder me enviar uma cópia, agradeceria de coração) aquela que seria à luz dos Evangelhos, a fonte de toda mística e espiritualidade, de todo planejamento e organização, de todo despojamento e missão: a Opção Preferencial pelos Jovens, com citações diretas e profundas para a Pastoral da Juventude de todo a Nossa América.
Os bispos, embebecidos pelo Transcendente, profetizavam, com línguas de fogo pairando sobre suas cabeças, sinceramente desejosos de "apresentar aos jovens o Cristo vivo, como único Salvador, para que evangelizados, evangelizem e contribuam, como em resposta de amor a Cristo, para a libertação integral do ser humano e da sociedade, levando uma vida de comunhão e de participação.(...) A juventude da América Latina não pode ser considerada em abstrato.(...) A Igreja vê na juventude uma enorme força renovadora, símbolo da própria Igreja.(...) O serviço prestado com humildade à juventude deve fazer com que mude na Igreja qualquer atitude de desconfiança ou incoerência para com os jovens.(...) O jovem deve experimentar Cristo como amigo pessoal que nunca falha, caminho de total realização. Com ele e pela lei do amor, o jovem caminha em direção do Pai comum e dos irmãos. Com isto, sente-se verdadeiramente feliz."
Tais palavras soam forte no coração daquele, daquela jovem, que já tem um certo tempo de caminhada, ou pelo menos deveria soar.
Quanto aqueles e aquelas que estão chegando na comunidade eclesial de base, nada mais satisfatório e prazeroso do que começar e terminar a conversa no grupo de jovens com a leitura da Sagrada Escritura, pois esta não está estática, esta evolui, normalmente quando a juventude se coloca na posição de escuta do Senhor. Ouvir qualquer pessoa pode; escutar a Deus leva tempo e silêncio. Coisa anormal para qualquer jovem nestes dias midiáticos-globalizantes. Hoje ainda, se consegue escutar a Deus por meio da Opção Preferencial pelos Jovens.
Em algumas assessorias que realizo, e em conversas com amigos e amigas de caminhada, de orações, de sorrisos e lágrimas, cheguei a triste realidade de que pouco irá se falar dos 30 anos da Opção Preferencial pelos Jovens no ano de 2009, inclusive na própria Pastoral da Juventude, que em janeiro de 2009, no 9o. Encontro Nacional da Pastoral da Juventude, dos dias 11 ao 17, em Natal-RN, com o tema: Ide e construí a Civilização do Amor "Vi um novo céu e uma nova terra" (Ap, 21,11); com as temáticas:
Missão e Espiritualidade missionária.
Realidade juvenil e realidade teológica.
Projeto de missão e intervenção pastoral.
Projeto de vida.
Políticas públicas e diretrizes para a juventude.
Tenha se deixado de fora, aparentemente, uma discussão, um debate, uma conversa, uma mesa-redonda, um ponto de pauta, quem sabe, colocá-la na temática como número 6, ou pelo menos ter criado um subsídio de preparação ao 9o. ENPJ a luz da Opção Preferencial pelos Jovens, para que a grande quantidade de grupos de jovens espalhados por este imenso Brasil possa relembrar ou abrir maravilhado, pela primeira vez, ou ainda, entrar em contato com esta força fundante que norteia a personalidade e a identidade da Pastoral da Juventude.
É claro, que a Coordenação e a Assessoria Nacional da Pastoral da Juventude, não se esqueceu desta data tão emblemática e simbólica, deste acontecimento primaz de nossa Igreja na América Latina e no Caribe, desta real descida e pouso do Espírito Santo em Nossa América tão banhada com o sangue de nossos e de nossas martíres.
Mas, se em seus afazeres, meus irmãos e irmãs, da Coordenação e da Assessoria, por um deslize ou descuido, se esqueceram, ainda há tempo para prepararem uma majestosa celebração, com toda a dinâmica de nossa juventude espalhada por este país, de prepararem uma mesa-redonda convidando algum santo bispo remanescente daquela conferência ou de algum teólogo que lá esteve assessorando algum santo bispo, para se ouvir da boca do profeta ou dos profetas, tudo o que se enxergou e se escutou naqueles dias, tão distantes para nós hoje.
"A Igreja confia nos jovens. Eles são a sua esperança. A Igreja vê na juventude da América Latina um verdadeiro potencial para o presente e o futuro de sua evangelização. Por ser verdadeira dinamizadora do corpo social e especialmente do corpo eclesial, a Igreja faz uma opção preferencial pelos jovens, com vistas à sua missão evangelizadora no Continente.(...) A Pastoral da Juventude na linha da evangelização deve ser um verdadeiro processo de educação na fé, que leva a própria conversão e a um compromisso evangelizador.(...) A Pastoral da Juventude empenhar-se-á em que o jovem cresça numa espiritualidade autêntica e apostólica, fundada no espírito de oração e no conhecimento da Palavra de Deus e no amor filial a Maria Santíssima que, unindo-o a Cristo, o torne solidário com seus irmãos. (...) A Pastoral da Juventude deve ajudar também a formar os jovens de maneira gradual para a ação socio-política e para as mudanças de estrutura, de menos humanas em mais humanas, segundo a Doutrina Social da Igreja.(...) Seja a Pastoral Juvenil uma pastoral da alegria e da esperança, que transmita a mensagem alegre da salvação a um mundo muitas vezes triste, oprimido e desesperançado, em busca da sua libertação."
Que a Opção Preferencial pelos Jovens não se torne mais um velho documento empoeirado na pratileira de nossa militância. Que a Opção Preferencial pelos Jovens não fique esquecida, mas que seja rejuvenecida nas reuniões de nossos grupos de jovens, nas reuniões de coordenações paroquiais, de dioceses e na nacional.
Que sejam publicados subsídios sobre a Opção Preferencial pelos Jovens, onde cada artigo possa ser saboreado como aquele café que acabou de ser coado ou daquele pão caseiro que acabou de sair do forno a lenha.
Este artigo quer fazer memória a todos e todas que participaram direta ou indiretamente da Conferência de Puebla e que fizeram chegar até nós a Opção Preferencial pelos Jovens.
A todas e todos os martíres de Nossa América.
A Pedro Casaldáliga, Gustavo Gutierrez, Leonardo Boff e Jon Sobrino que foram atingidos em alguns momentos da caminhada pelas fogueiras da Santa Inquisição, mas continuaram e continuam firmes na fé e na vida, fazendo a fraternura do Reino seguir em frente.
Na alegre espera da vinda do Senhor.
Amém. Axé. Awerê.

Emerson Sbardelotti Tavares
Autor de O Mistério e o Sopro - Roteiros para Acampamentos Juvenis e Reuniões de Grupos de Jovens. Brasília: CPP, 2005.
Autor de Utopia Poética. São Leopoldo: CEBI, 2007.
Membro do grupo de assessores da Pastoral da Juventude da Arquidiocese de Vitória do Espírito Santo.

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